Maria: Mãe e Educadora, Missionária da Aliança

2 de janeiro de 2016

Ser um “aluninho” na escola de santificação de Maria.

capa

Karen Bueno – Aprender andar de bicicleta é, talvez, uma das fases da infância mais marcantes. O processo de passar das “rodinhas de apoio” para as duas rodas grandes pode ser bem assustador – dizem que alguns tombos até ajudam a aprender mais rápido. Contudo, em muitos casos, quando a criança está se equilibrando naquele primeiro trapézio, existe ali uma mão que segura o banco traseiro para auxiliar no percurso. A mãe, o pai, a avó, o tio, seja lá quem for, conduz o pequeno para que ele siga na direção correta e não caia. Do mesmo modo, Maria quer segurar e conduzir cada filho no caminho que Deus traçou.

Todo ser humano é chamado à santidade, assemelhar-se a Deus. Muito mais difícil que aprender andar de bicicleta, tornar-se santo pode ser bastante complicado: surgem dúvidas e vêm as dificuldades. Para facilitar que todos cheguem até Ele, o Pai do Céu indica uma grande professora: Maria desempenha a tarefa da educação dos filhos, moldando santos atuais.

Porque ela é Mãe, é também educadora

Por diversas vezes, Pe. José Kentenich apontou a Mãe de Deus como uma grande EDUCADORA. O caminho para deixar-se educar por Maria é revelado já no Documento de Pré-Fundação de Schoenstatt (27/10/1912): “Sob a proteção de Maria, queremos aprender a educar-nos, para sermos sólidos e livres caracteres sacerdotais”. O Fundador fala que é preciso se conhecer e se auto-educar.

A maternidade de Nossa Senhora se expressa de maneira clara e objetiva quando ela se coloca como educadora. Dizia Pe. Kentenich:

“Detenhamo-nos um pouco a fim de averiguar se Ela é, realmente, a grande Educadora dos povos. Foi Ela constituída por Deus como tal? Jesus a proclamou solenemente como Educadora: ‘Ecce mater tua’ (Jo 19, 27). Eis tua Mãe! Não nos é difícil captar a ideia de educadora ligada a de ser mãe. Ser mãe quer dizer ser educadora em todo o sentido”.

Se Maria é Mãe, consequentemente, Ela é também educadora, uma coisa está entrelaçada a outra. Ela nos foi dada como Mãe pelo próprio Cristo, no alto da cruz. Então, de lá, Ele também a presenteou como educadora. Da mesma forma, o Catecismo da Igreja Católica a define:

“Jesus é o Filho Único de Maria. Mas a maternidade espiritual de Maria estende-se a todos os homens que Ele veio salvar: ‘Ela gerou seu Filho, do qual Deus fez ‘o primogênito entre uma multidão de irmãos’(Rm 8, 29), isto é, entre os fiéis, em cujo nascimento e EDUCAÇÃO Ela coopera com amor materno”.

Neste trecho da doutrina da Igreja estão expressas duas características de Nossa Senhora essenciais para a espiritualidade de Schoenstatt: Maria como MÃE e Maria como EDUCADORA.

Pela Aliança de Amor ela nos forma

O livro Introdução em Schoenstatt aponta o Movimento como uma comunidade de educação e de educadores: “Aqui há de se formar novo tipo de homem cristão e comunitário, que se distingue por autêntica naturalidade e firmeza de caráter, e por religiosidade profunda. Schoenstatt nos oferece nova forma de auto-educação. Ensina-nos a maneira de realizar a mensagem divina que Deus nos deu pessoalmente, isto é, o nosso ideal pessoal”.

Maria, como Rainha da Aliança de Amor, aponta essa mesma Aliança como caminho para o desenvolvimento individual. Dizia Pe. Kentenich: “Portanto, qual é o sentido de nossa Aliança de Amor com a Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt? A mútua troca de caracteres! Entregamos a Nossa Senhora nossa suscetibilidade, nosso modo de sentir imaturo, superficial, nossa vontade própria doentia. Nós nos entregamos como nos experimentamos sempre, nas horas silenciosas – não como nos damos lá fora, para enganar os que nos cercam. Em troca Nossa senhora nos entrega o seu caráter”. Assim, “Nossa Senhora assume a responsabilidade de nos tornarmos semelhantes a Ela: suas imagens, tanto no que se refere à inteligência, como ao coração, às faculdades interiores e à vontade”.

Maria toma em suas mãos a educação dos filhos, Ela “é capaz de moldar santos para os nossos altares”, mas também é preciso se deixar educar, colocar-se como instrumento apto nas mãos da Mãe, trabalhando a auto educação, ou seja, oferecendo muitas dádivas para o Capital de Graças.

Ser um pequeno filho diante de Maria é como andar de bicicleta, pode-se até perder a prática, mas nunca se esquece:

“Portanto, se notar que falta equilíbrio em meu ser, que me falta equilíbrio no caráter, vou sempre repetir a Nossa Senhora: ‘Tua res agitur!’ (trata do que é teu). Trata de Ti, Tu deves me educar; quero fazer a minha parte, mas Tu deves fazer o principal.”

Referências:
Linhas Fundamentais de uma Pedagogia Moderna para o educador católico – pág.27
Catecismo da Igreja Católica – trecho 501
Introdução em Schoenstatt – pág. 05
Com Maria ao novo milênio pág.112/113
Maria – Mãe e Educadora: Uma Mariologia aplicada – pág. 76
Com Maria ao novo milênio – pág.112/113