Mães: reflexos de Maria

8 de maio de 2016

“Ela é minha Mãe!”

mae bençaoKaren Bueno – “Qual é o relacionamento existente entre o filho e a sua mãe terrena?”, questiona, certa vez, o Pe. José Kentenich. Ele responde: “Trata-se de um mistério singular, essa unidade plena existente entre a mãe e o filho. […] Enquanto o filho, em forma misteriosa, estiver abrigado no seio da mãe, no qual foi concebido, se estabelece, entre ambos, uma corrente de sangue e de vida. É a mesma vida! O filho é uma parcela idêntica – não apenas semelhante – de sua mãe! Esta é a união existente!”.

Além disso: “Mesmo depois de o filho nascer, muitas vezes entre dores atrozes, permanece, entre ambos, laços de união espiritual, a inclinação da mãe para o filho, em forma indissolúvel”, diz o Fundador.

A “união cheia de mistério” que o Pe. Kentenich se refere vai além da infância e da gestação, ela segue por toda vida: “Ao me encontrar em dificuldades […], quem é aquela que se coloca à minha disposição? Quem é? A vida ensina que a mãe normalmente está sempre disposta a se expor aos maiores sacrifícios, ainda que não seja tão religiosa. Entendemos o que significa isto? Eis o que é ser mãe!”.

Ser mãe é ser uma imagem de Maria

Pe. Kentenich, baseado nas palavras dos Papas, afirma: “O Bom Deus tornou Maria a Mãe de seu Filho e por isto dotou-a de um profundo sentimento materno; ela abriga em si um mar sem limites de amor maternal. Zelou para que esse mar de amor por nós, seus filhos, fosse vivo e real. E porque a Mãe de Deus também mostrou, inúmeras vezes, seu poder, seu amor e sabedoria em sua vida, é compreensível a reação de nosso coração: buscá-la, impelidos por uma força irresistível”.

Assim diz o Fundador: “O reconhecimento da maternidade universal da querida Mãe de Deus está inscrito, de forma indelével, em nosso coração, no coração dos cristãos”.

Um história que se repete hoje

Pe. Kentenich, certa vez, conta a história que leu:

Conhecemos um pequeno santo. Filho de rei polonês, Estanislau Kostka tomou-se jesuíta. Saiu da casa paterna para se tomar jesuíta. Entrou no noviciado em Roma. Lá se introduziu nas verdades do reino de Deus. Certo dia saiu a passear na companhia de alguns padres; passaram a falar sobre a Mãe de Deus. Um padre perguntou-lhe se ele amava a Mãe de Deus. Respondeu, admirado: ‘É evidente, pois ela é minha Mãe’.
Entendeis o que isso significa? Não diz que ela é COMO SE FOSSE minha Mãe, mas ELA É minha Mãe.

É como se a história se repetisse hoje, com outro jesuíta, tão conhecido e querido de todos nós. Pe. Alexandre Awi Mello narra, em seu livro, sobre a conversa com o Papa Francisco: “‘O que responderia, de forma breve, em poucas palavras, ante a pergunta: Quem é Nossa Senhora para o senhor?’. O Papa respirou profundamente, pensou um pouco e não hesitou em dizer com voz terna e cheia de afeto: ‘Ela é minha mãe’. Fez uma pausa e continuou: ‘E provavelmente seja a única pessoa com quem me atrevo a chorar. Porque eu sou muito duro. Não costumo chorar’, disse com uma candura que não combinava com o conteúdo de suas palavras. ‘Mas com a Virgem, sim, já o fiz. Ela sabe disso. Sinto que com ela posso chorar…’”.

Ela também é nossa Mãe

Um beijo para a Mãezinha

Como Santo Estanislau Kostka, o Papa Francisco e todos os cristãos, podemos afirmar com toda certeza: Ela é minha Mãe! Isso é um grande presente que nos pede, igualmente, uma resposta de amor. A filialidade heroica é a melhor forma de responder, em espírito de gratidão, por tanto cuidado recebido dos pais – tanto naturais como sobrenaturais.

“O amor à Mãe de Deus está inscrito, com traços indeléveis, em nosso coração”, escreve o Fundador. Pela Aliança de Amor, não somente reconhecemos que Maria é nossa Mãe, mas lhe damos um lugar de honra em nosso coração para que, dessa forma, se torne nossa educadora, formando Cristo ali. Cabe a cada um se autoeducar, sob a proteção de Maria, para alcançar a santidade à altura da filialidade heroica.

“Em que consiste o caráter filial? Na criança existe naturalidade, desembaraço. Nós, homens adultos, devemos reconquistar o que é próprio da criança — o que é nobre — pelo preço de sérias lutas, isto é, conquistar a fé, a esperança e o amor filial dum homem maduro perante Deus”.

Referências:

KENTENICH, Pe. José. A mais bela das Mães. Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt, 1ª edição. São Paulo/SP: 2002.

KENTENICH, Pe. José. O Fundador nos fala. Edições Aliança, 1ª edição. Atibaia/SP.

MELLO, Pe. Alexandre Awi. Ela é minha Mãe! – Encontros do Papa Francisco com Maria. Editora Loyola, 1ª edição. São Paulo/SP: 2014.