Livro narra o heroísmo dos sacerdotes em Dachau

6 de fevereiro de 2015

Campo onde Pe. Kentenich foi preso. livro

ACIPrensa – No marco de comemoração dos 70 anos de fechamento do campo de extermínio de Auschwitz, é publicado na França um livro que resgata o valor e heroísmo dos sacerdotes católicos durante a Segunda Guerra Mundial, dos quais mais de 2.500 foram enviados pelos nazistas para o campo de concentração de Dachau/Alemanha (inclusive o Pe. José Kentenich, Fundador de Schoenstatt), lugar onde morreriam muitos deles.

O livro se chama “La baraque des prêtres – Dachau, 1938-1945”, em tradução livre, “A Barraca dos Sacerdotes – Dachau, 1938-1945”, e foi escrito pelo jornalista Guillaume Zeller, editor e chefe de DirectMatin.fr, que ficou impressionado pela “dignidade assombrosa (dos sacerdotes), mantida apesar dos esforços dos nazistas em desumanizar e degradar os prisioneiros”, provenientes de todas as partes da Europa: Alemanha, Áustria, Checoslováquia, Polônia, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França e Itália.

Em declaração ao portal francês Le Figaro, o autor explicou que entre 1938 e 1945 foram deportados a este lugar 2.579 sacerdotes, seminaristas e monges católicos; junto a 141 líderes de outras religiões, entre pastores protestantes e sacerdotes ortodoxos. Deles, 1.034 morreram no campo.

Nesse sentido, Zeller afirmou que “o campo de Dachau segue sendo o maior cemitério de sacerdotes católicos no mundo”, os quais puderam preservar sua humanidade graças “à armadura da fé”.

O autor indicou que alguns dos sacerdotes, seminaristas e religiosos foram presos por oporem-se ao programa hitleriano de eutanásia, outros por serem considerados parte das elites eslavas (polacos), e outros por participarem ativamente na resistência francesa.

“Primo Levi, como ateu, havia reconhecido a admirável estatura moral e intelectual dos rabinos deportados a Auschwitz. Se as circunstâncias são diferentes – acrescenta o autor –, o mesmo pode-se dizer dos sacerdotes de Dachau”.

Estes homens da Igreja, Explica Zeller, “se esforçaram em manter a virtude de fé, esperança e caridade. A oração, os sacramentos e o apoio dado aos enfermos e moribundos, a formação teológica e pastoral clandestina, a reconstrução da hierarquia eclesial foram uma armadura que lhes permitiu preservar sua humanidade”.

Neste sentido, destacou que não faltaram histórias de heroísmo e santidade. Mesmo com os nazistas “buscando por os presos uns contra os outros”, os sacerdotes “não cederam a este mecanismo”.

Na entrevista, o jornalista recorda que entre 1944 e 1945 ocorreu uma epidemia de Tifo que foi dizimando os internos. “Enquanto que os guardas e os chefes não se apresentavam mais nas barracas contaminadas, dezenas de sacerdotes entravam voluntariamente, sabendo dos riscos que corriam, para curar e consolar os agonizantes. Muitos deles (os sacerdotes) morreram”, relatou.

Onde Schoenstatt gerou vida

Assim mesmo, indicou que Dachau também teve lugar na primeira – e única na história da Igreja – ordenação sacerdotal clandestina de um seminarista alemão a ponto de morrer. O seminarista Karl Leisner (heroi de Schoenstatt) recebeu o sacramento dentro de uma barraca colocada como capela, pelas mãos do bispo de Clermont-Ferrand/França, Mons. Gabriel Piguet, deportado a Dachau “por ter ajudado a esconder os hebreus, e agora forma parte dos Justos de Yad Vashem”.

Finalmente, Zeller destacou que por iniciativa de São João Paulo II, Bento XVI e do Papa Francisco, “56 religiosos mortos no campo de extermínio foram beatificados, depois que se verificou a prática e as virtudes naturais e cristãs de modo exemplar e heroico”.

Fonte: aciprensa.com

*O livro traz na capa os dois herois de Schoenstatt beatificados: Karl Leisner e Pe. Gerhard Hirschfelder

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