Liberdade para o Pe. Kentenich

7 de setembro de 2015

Um grito que ecoa na alma

capaKaren Bueno – O que significa “ser livre” para você? Qual o sentido de “Liberdade”? No Movimento Apostólico de Schoenstatt, essa palavra de nove letras – LIBERDADE – tem um sentido amplo e profundo, e representa uma conquista diária daqueles que se consagram à Mãe Três Vezes Admirável. Falar de liberdade em Schoenstatt é falar de uma grande conquista alcançada com muito sofrimento pelo Pai e Fundador, mas que é marca e fundamento de sua espiritualidade.

No Hino da Minha Terra, Pe. José Kentenich define sua Obra como terra da liberdade: “Conhece a terra, igual ao céu, o reino da liberdade, ardentemente almejado, onde a magnanimidade e o sentido do decoro vencem a tendência que arrasta para baixo; onde os mais leves desejos de Deus vinculam e despertam alegre decisão; onde sempre se impõem vitoriosamente, segundo a lei fundamental do amor?” (RC 602).

Para Schoenstatt chegar a ser essa “terra igual ao céu, o reino da liberdade”, foi necessária uma entrega ousada do Fundador, que ofereceu muitos sacrifícios no campo de concentração de Dachau pela liberdade interior de seus filhos: “Com prazer eu queria fazer e sacrificar tudo pela Família: liberdade, honra, vida, se com isso fosse garantida a liberdade interior da Família, o idealismo do amor e da aspiração por todos os tempos” (Livre em Algemas, pág. 18).

Um dom DE e PARA DeusKentenich

“Nosso Pai e Fundador era um amante da liberdade, desde a sua primeira palestra aos jovens seminaristas, em 1912, ele coloca essa sede interior do homem novo, interiormente livre. Isso se comprovou em Dachau quando ele entregou sua liberdade exterior para que todos os filhos de Schoenstatt possuíssem a liberdade interior dos filhos de Deus. A maneira dele educar é sempre pautada na liberdade interior do ser humano, e ele próprio viveu isso”, ressalta Ir. Adriane Maria Barbosa.

Para o Fundador de Schoenstatt, ser um homem verdadeiramente livre abrange um sentido mais amplo. Ele afirma: “Esta é a verdadeira luta pela liberdade: tornar-se livre de todos os movimentos e emoções separados de Deus, a fim de estar inteiramente livre para o reino de Deus” (Livre em Algemas, pág. 18). Ser verdadeiramente livre para o Pe. Kentenich é realizar a vontade de Deus, o plano de amor que ele tem para cada um.

Ir. Adriane Maria explica: “O Pe. Kentenich diz que a liberdade maior é a de escolher o plano de Deus para cada um de nós. A grandeza está em descobrir qual é esse plano de amor. Deus não infringe nossa liberdade, ele a respeita, então o Fundador diz que um grande presente é oferecê-la de bom grado para Deus, pois ele sabe o que é melhor para todos”.

Como conquistar a liberdade?

“Liberdade foi um grito que ficou preso na garganta do Brasil inteiro. Tiradentes morreu pela causa e a liberdade continua sendo uma utopia para os brasileiros, que permanecem presos pelos meios de comunicação que dominam, por países mais desenvolvidos que exercem muita influência em nossa cultura, nós não somos totalmente livres”, comenta Isa Oliveira de Carvalho, da Liga de Famílias de Confins/MG.

Ir. Adriane Maria aponta outras “cadeias” que nos aprisionam na atualidade: “Essas ‘cadeias’ estão ligadas ao ‘homem velho’ que nosso Fundador cita. As cadeias do mundo de hoje são o relativismo, a noção deturbada do amor, o orgulho, a prepotência, falto do espírito de oração para descobrir a vontade de Deus e agir livremente, e um certo respeito humano que não permite discordar da opinião do outro”.

Diante de tantos desafios, é possível conquistar essa liberdade interior tão almejada? Pe. Kentenich prova, por sua vida, que sim, é possível ser livre mesmo estando “algemado”. Seu testemunho no campo de concentração de Dachau revela um homem totalmente desprendido de si mesmo e de tudo o que é mundano e poderia aprisioná-lo, ele se mostra totalmente entregue a Deus, sem temer por nada, nem pela própria vida, pois confia plenamente que o Pai o conduz sabiamente.

Ir. Adriane Maria diz que a conquista dessa profunda liberdade interior não é fácil, que é uma luta constante no cotidiano: “A liberdade interior é uma conquista. O Pai e Fundador sempre ensinou que tudo é um processo de vida, e que a liberdade também cresce com pequenas escolhas. Ele nos ensinou a formar nossa personalidade a partir do interior, então a liberdade também vai tomando uma dimensão maior em nossas atitudes pela prática de situações pequenas e concretas, mas sempre com ‘o ouvido no coração de Deus e a mão no pulso do tempo’, sempre escolhendo a vontade de Deus nas coisas pequenas do dia-a-dia, isso vai nos tornando interiormente livres”.

Isa Carvalho acrescenta: “Um ser humano livre é aquele dono de si, que não se deixa influenciar por nada negativo, que luta para vencer o pecado. Para ser livre é preciso ter um espírito crítico à tudo, amar e conhecer a história, e lutar contra o pecado, vencendo as limitações”.

Uma resposta de amor

A assessora do Movimento de Schoenstatt no Santuário de Brasília/DF, Ir. Adriane Maria Barbosa, é formada em Pedagogia e estudou no seu trabalho de conclusão de curso o tema ‘Liberdade na Educação na Perspectiva do Pe. Kentenich’. Ela conclui: “O Pai e Fundador tem muito à nos ensinar sobre liberdade nos dias de hoje. As pessoas acreditam que são livres fazendo o que querem, mas elas só são realmente livres quando fazem o que é correto, baseado em uma decisão interna, consciente e livre. A liberdade só existe quando assumimos com responsabilidade as consequências dos próprios atos. A pedagogia do Pe. Kentenich é uma resposta a esse homem novo, interiormente livre”.

Junto com nosso Pai e Fundador, imploremos:

“Recebe, Senhor, toda minha liberdade, minha memória, minha inteligência, toda a minha vontade e todo o meu coração. Tudo o que tenho, de ti o recebi. Devolvo-o sem reservas. Faze de mim o que te aprouver. Só te peço uma coisa: dá-me tua graça, teu amor, tua fecundidade. Tua graça para que me incline alegremente diante de tua vontade; teu amor para que eu creia, saiba e me sinta amado como a pupila de teus olhos; tua fecundidade para que, em ti e em tua querida Mãe, me torne muito fecundo para a nossa obra comum. Assim serei muito rico e nada mais tenho a pedir”.