Liberdade interior

24 de abril de 2016

É preciso dar saltos mortais nas mãos de Deus, iluminados pela luz da fé.

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Pe. Nicolás Schwizer – Um dos grandes anseios do Pe. José Kentenich, fundador do Movimento de Schoenstatt, foi a formação de um homem livre interiormente. Como meta, o Fundador propunha buscar a liberdade de tudo que é contrário ao divino para poder ser plenamente livre para Deus e sua vontade. Um dos maiores obstáculos nesse caminho da liberdade cristã é o egoísmo, esse pequeno tirano dentro de nós mesmos. Porque é muito mais fácil desprender-se de coisas ou de vínculos a outras pessoas que livrar-se do apego a si mesmo. Em lugar de girar ao redor de Deus giramos ao redor de nós mesmos. E como produto desse egoísmo encontram-se as reservas ocultas de nossa natureza: as coisas que retemos para nós mesmos e que não estamos dispostos a oferecê-las ao Senhor.

Quais são nossas reservas interiores ocultas, que nos impedem uma entrega total a Deus? Quais são as coisas que retemos para nós mesmos e não estamos dispostos a colocá-las nas mãos do Senhor? Podemos distinguir dois tipos:

1. Reservas do entendimento
O homem de hoje quer assegurar e compreender tudo com a razão. Mas, na vida, nos encontramos com muita escuridão que a razão humana não pode captar. Também a nós torna-se difícil aceitar as coisas incompreensíveis e inexplicáveis da fé.

Custa-nos dar saltos mortais nas mãos de Deus, iluminados somente pela luz da fé. Custa-nos entregar ao Pai nossa inteligência humana e nos deixar guiar por Ele através das disposições e conduções que não almejamos penetrar. Porque Ele nos conduz, muitas vezes, por caminhos escuros que não podemos entender.

Minha tarefa pessoal é, então, encontrar minhas reservas do entendimento. E quando as descobrir, tenho que colocar uma escada para o entendimento a cada uma de minhas reservas, subir pela escada e acima encontrar-me com Deus. E ali acima lhe vou perguntando: o que me quer dizer com isto? Qual é teu desejo atrás daquilo? Depois tenho que colocar também a escada para o coração, porque se não vou elaborando e abraçando as escuridões da vida também com o coração, não posso chegar a ser um homem interiormente livre.

2. Reservas do coração e da vontade
Também o coração e a vontade têm suas reservas ocultas. O egoísmo pode aparecer, por exemplo, como comodidade: quantas vezes buscamos justificar nossa comodidade, porque nos falta espírito de sacrifício. Quantas vezes nos negamos a mudar nosso ponto de vista, nossa maneira de atuar ou pensar, porque já nos acostumamos a isso, porque já se tornaram rotina em nós?!

Agora, se pensamos no futuro, podemos descobrir uma quantidade de reservas ocultas. Para que o exame seja sério, cada um teria que passar revista a todas as possibilidades imagináveis. O que não estou disposto a entregar a Deus? Entregarei tudo, exceto isto ou aquilo? O que me custaria mais?

Temos que conhecer as reservas ocultas que habitam nosso coração e eliminá-las, são obstáculos em nosso caminhar rumo à santidade, rumo a Deus, que escravizam nosso próprio eu e impedem de nos entregar ao Pai. Não devemos descansar até que possamos dizer: “Pai, se queres justamente isto ou aquilo que me custa tanto, toma que é teu”. É esse caminho da cruz que nos conduzirá rumo à perfeita liberdade interior.

Havemos de entregar para Deus nosso entendimento, nosso coração e, principalmente, nossa vontade. Nossa vontade própria deve crescer rumo a uma harmonia mais plena para com os menores desejos de Deus, rumo a uma submissão e conformidade total com sua vontade divina – essa é a perfeita liberdade dos filhos de Deus.

O grande modelo desse espírito de abandono total é a Virgem Maria. Na hora da Anunciação, com seu “Fiat” (faça-se segundo tua vontade) deu a Deus a liberdade plena de fazer com ela o que queria.

Perguntas para a reflexão:

Levamos a sério nossa luta pela liberdade interior?
Almejamos o grau mais alto de santidade? Ou ficamos a meio caminho?

Se deseja escrever, comentar o texto ou dar seu testemunho, escreva para: pn.reflexiones@gmail.com

  • Edileuza

    Pe Nicolás me fez refletir muito que tenho que confiar mais na Providência Divina a exemplo do nosso Pai Fundador Pe kentench