Jesus chama para se fazer uma experiência de fé

7 de fevereiro de 2016

Renovemos nosso “Eis-me aqui, envia-me”.

barcoHomilia do Pe. Silvio Pawak, que foi capelão no Santuário da Mãe e Rainha de Schoenstatt em Atibaia/SP, do dia 10 de fevereiro de 2013, quinto domingo do tempo comum.

Quando estamos diante de Deus, o nosso primeiro movimento interior é a relação de comparação, vivemos o “Quem és tu?” E o “quem sou eu?”, o movimento de valorização. Qual o valor de Deus e qual o meu valor diante dele?  Esta é uma das questões mais profundas e bonitas de nossa espiritualidade cristã. Isaías vive esse movimento diante da visão mística de Deus. Percebe o “quem és tu, e agora Quem sou eu?”  É o encontro com a realidade de pecador, com o nosso barro, com o nosso Adam.

“Sou um homem de lábios impuros”,  mas Deus vem em socorro: “Isaías, a brasa tocando os teus lábios, desapareceu, apagou a tua culpa.  O teu pecado está perdoado (O pecado é uma ofensa à amizade divina, à sua santidade e a sua vontade).  Nos lembramos do “ vós sereis os meus amigos, se fizerem o que vos mando” (Jo): Ordenar, mandar, propor a vontade,  enviar é legítimo para Deus e sua autoridade, a quem devemos respeito, honra e obediência.  Estamos diante de quem Ele É em seus atributos de Altíssimo, Santíssimo, eterno, puríssimo, justíssimo, verdade plena… Amor Pleno. A Ele não temos o direito de questionar, apesar de que Ele nos permita questioná-lo e dialogue conosco com paciência. Não devemos  ter dúvidas, apesar de que Ele nos permita a dúvida, e permite porque, apesar de seus altíssimos atributos, ele é Caritas: Pura Gratuidade, capaz de compreender-nos a partir de nós.  E sabe que,  para manter-nos vivos, precisará nos perdoar vezes sem conta.

Pe Silvio Pawak

É necessário viver e não pecar, para não perdermos “Tempo” nesta vida que pode ser pura graça.  Percebe-se que a maior alegria de Deus é que acolhamos sua bondade e seu amor gratuito.  Isto nos encanta e nos faz disponíveis e prontos: Se é assim, Eis-me aqui, envia-me.

No Evangelho contemplamos a experiência de Pedro.  Jesus, assediado “pela multidão” que se apertava para ouvir a Palavra de Deus. Pedro e os companheiros haviam trabalhado a noite inteira sem pescar nada. E estavam lá “lavando as redes vazias”  nas lágrimas da frustração.  Jesus pede para usar o barco.  Simão Pedro aceita, talvez um pouco contrariado…. Não imaginava o que aconteceria.  Do seu barco Jesus pregava, e Simão Pedro foi um entre a multidão que o ouvia, que ouvia a Palavra de Deus. Palavra que conquistou a atenção e confiança de Simão.  Jesus resolve ir mais  fundo. Quis mostrar que não conhecia apenas o que está escondido no mar de nossas preocupações, mas também o que está escondido no mar das possibilidades. Convida-o a ir para “as águas mais profundas”.

As vezes a gente gosta de ficar PESCANDO NO RASINHO...  e procurando o que precisamos para ser feliz na BEIRINHA…  nas superfícies…  – Vamos Simão, vamos para o mais profundo…, aonde existem os melhores cardumes de peixe e os melhores valores da vida… Primeiro o pescador de peixes para diante de sua experiência, o que tinha vivido até então da providência, e não deixa de ponderar: “Já passei a noite inteira…. já tentei tantas vezes”… mas, por aquilo que ouviu de Jesus,  resolve apostar. “Vamos então!”.  TEVE FÉ EM JESUS. E a experiência da fé não só levou Pedro para o mais profundo do mar, mas também para o mais profundo de si mesmo!

O resultado foi surpreendente! Dois barcos cheios de Peixe! Admirável: Simão chegou  à contemplação: “vejo Deus aqui!” – sua generosidade.  E diante de Deus  o encontro consigo: “quem sou eu?” A presença de Deus é terrível, como foi para Isaías, pois revela  a mim que eu sou! “Afasta-te de mim Senhor, sou um pecador”!  A presença de Deus ilumina a minha consciência, a minha realidade mais profunda! Faz-me experimentar o temor e a misericórdia.

Como para Isaías, em Jesus Deus vem ao encontro de Simão Pedro, de seu medo, e o acalma, o acolhe profundamente, o transforma e lhe dá um novo e maior sentido para a vida: “de hoje em diante serás pescador de homens!”.  Pescador de homens! Um momento inesperadamente novo na sua vida. Simão caiu nas redes da graça de Deus e foi recolhido para o barco da Igreja, povo de Deus que faz do pescado um  pescador. Ali Simão, que seria depois a rocha da Igreja de Jesus, aprofundou na fé o seu primeiro SIM: Eis-me aqui!

Jesus chama, e chama a cada dia  aqueles que querem fazer esta experiência de fé! Leva-nos ao profundo encontro com Deus e conosco mesmos. Quando chegamos no profundo de nossos limites e culpas, nos acolhe, nos perdoa, levanta nosso olhar, abre novos horizontes e possibilidades a nossa frente, faz-nos participar da sua missão. Fiquemos firmes na nossa disponibilidade.

Temos o testemunho da Igreja, acreditamos no que ela crê e nos anuncia, como no primeiro querigma compartilhado por São Paulo: “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ao terceiro dia ressuscitou, segundo as Escrituras, e apareceu a Cefas, aos doze, a mais de 500 irmãos de uma vez, a Tiago (primo de Jesus, pois até sua ressurreição os familiares de Jesus não acreditaram nele), aos apóstolos todos juntos (não pode ser mentira se tantos o viram) e por último a mim, disse Paulo, como a um abortivo, que estava para morrer na fé….”  Paulo sentiu-se também resgatado, o encontro com Cristo  o levou para o mais profundo da sua escuridão interior, e lá, pelo testemunho da Igreja,  encontrou a luz do Senhor! Como Isaías, Pedro, Paulo, deixemos que Deus se revele a nós e nos revele também a nós mesmos. Que possamos compreender os planos de Deus para nós e no que Ele precisa de nós. E na experiência do seu Espírito em nós, aprofundemos nossa fé e confiança, renovemos nosso “Eis-me aqui, envia-me”.