Instituto dos Padres acolhe um novo sacerdote

10 de outubro de 2015

Rezemos pelo Júlio Fabiano.

julio

Pauline Frank de Almeida – Sete anos após a última ordenação de um seminarista brasileiro, o Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt no Brasil comemora a ordenação de um novo sacerdote. Neste sábado, 10 de outubro, Júlio Fabiano Rodrigues Afonso, de 35 anos, recebe o sacramento da Ordem em Atibaia/SP, cidade onde nasceu e viveu até o ingresso no seminário.

A cerimônia é realizada na Paróquia São João Batista, onde o novo Padre cresceu e também conheceu Schoenstatt. A ordenação diaconal aconteceu no mês de abril, em Bellavista, Santiago/Chile, juntamente com outros três irmãos de curso. Em entrevista à revista oficial do Movimento no Brasil, a Tabor em Páginas, Júlio conta como foi a década de estudo, o descobrimento vocacional e a expectativa para se tornar oficialmente um Padre de Schoenstatt:

Como entrou no Movimento?

Eu já conhecia o Santuário porque fui lá com a catequese da minha paróquia e nos consagramos a MTA. Mas foi só quando eu tinha 13 anos que iniciaram os pioneiros em Atibaia, na paróquia que eu participava. Foi aí que dei os primeiros passos em Schoenstatt, por curiosidade, e logo gostei.

Como surgiu a vocação sacerdotal?

Não tem palavra mais enigmática e mais certa para quem sente uma inquietude vocacional do que “chamado”. Realmente me senti chamado por Jesus a ser sacerdote, só que esse chamado eu fui descobrindo aos poucos, até chegar o momento de dar uma resposta de minha parte. Eu já estava na universidade quando sentia que Deus me convidava para algo mais importante do que aquilo que eu estava fazendo até o momento. No começo, pensei que estava relacionado com minha profissão – estava estudando informática – e formar uma família. Mas a verdade é que chamava cada vez mais a minha atenção à vida consagrada a Deus e de serviço aos demais. Então me perguntei se não tinha vocação aos Irmãos de Maria, já que eu gostava do que estava estudando e via nos Irmãos uma missão importante para o mundo. Porém, seguindo a pista dessa inquietude foi que descobri que o que me deixava com o coração cheio e dava um sentido tão profundo na minha vida, que nada poderia dar, era seguir a Jesus no sacerdócio. Eu, padre? Como Jesus poderia querer isso de mim se existiam outros muito melhores que eu para anunciá-lo? Demorou um pouco para entender que ele não me chamava pelas minhas capacidades, mas simplesmente porque Ele queria. Ele me chamou! E eu sou feliz com esse chamado.

E os sentimentos, como está seu coração nesta ocasião?

O coração bate forte, estou muito feliz. Tenho um sentimento constante de agradecimento por todos esses anos de formação. Também estou muito animado com respeito às novidades: o diaconato e o serviço na paróquia que fui designado para estar agora, no Jaraguá, em São Paulo/SP.

Quais foram os passos de preparação para chegar até aqui?

São quase dez anos de formação para amadurecer a vocação e o seguimento a Cristo. A primeira etapa durou pouco mais de um mês, chama-se postulado e foi no começo de 2006. Nesse ano, fui ao noviciado no Paraguai, que dura dois anos. A experiência de encontro com Deus nesse Santuário de Schoenstatt em Tuparenda foi inesquecível. O estágio de noviciado foi em Montevidéu/Uruguai, trabalhando no Centro Providência da Família de Schoenstatt, que recebe crianças e jovens de um bairro carente. Em 2008, cheguei ao Chile para estudar Filosofia e Teologia. Em agosto de 2010, comecei o estágio pedagógico-pastoral, no Brasil, trabalhando com a Juventude Masculina (Jumas) do regional Sudeste. Foi uma alegria muito grande dedicar meu tempo ao Jumas. No primeiro semestre de 2012, fui a Schoenstatt para o terciado e para estudar mais a fundo o mundo de Schoenstatt e do Pe. Kentenich.

Depois disso, voltei ao Chile para terminar meus estudos de Teologia. Em 2014, morei com outros três seminaristas em um bairro periférico de Santiago, compartilhando com a gente mais necessitada suas alegrias e desafios, ao mesmo tempo em que cursava o último ano de Teologia e ajudava na capela do bairro. Essa experiência de inserção e de levar Cristo e Maria também foi marcante na minha preparação ao sacerdócio. Cheguei à ordenação diaconal sabendo que Deus continuará me ensinando a ser um pastor que, como o Papa Francisco diz, deve ser um “pastor com o cheiro das ovelhas”.

Vemos muito entusiasmo com a sua ordenação, especialmente pelo longo tempo que não temos um novo Padre de Schoenstatt. Você sente esse carinho e oração por parte da família?

Eu sinto sim, muitas pessoas já manifestaram seu apoio e oração por e-mail e redes sociais. Inclusive algumas pessoas, além da minha família, acompanharam minha ordenação diaconal no Chile. Sem contar com minha comunidade dos Padres de Schoenstatt no Brasil, que são realmente “10” comigo. Eles são para mim um “Sião Família”. “Sião” é o ideal e o nome da nossa comunidade, por isso a expressão “Sião Família” é tão importante, porque é mais que um grupo de padres com uma missão em comum, é uma comunidade de padres que é uma família nessa grande Família de Schoenstatt que é missão para a Igreja e para o mundo.

Deixe um recado para a Família de Schoenstatt do Brasil

Uma vez, o falecido Pe. Franz Brügger disse com muita força em uma missa no Jaraguá: “Vale a pena entregar o coração a Mãe de Deus!” O meu caminho para viver isso passa pelo sacerdócio. Realmente vale a pena! Ela tem cuidado de mim e eu estou disposto a cuidar das coisas do seu Filho.

Rezem por mim para que Deus e a MTA me façam um padre feliz, para ter um coração sacerdotal mais parecido ao de Jesus e para estar sempre em conversão – porque essa é uma tarefa para toda a vida! E rezem para que muitos jovens abram os ouvidos e o coração para escutar o chamado de Deus. No Brasil precisamos de mais Padres de Schoenstatt. Faz tempo que não temos um novo Padre de Schoenstatt para o Brasil! Vocês rezam comigo nessa intenção?

Entrevista concedida à edição 93 da revista Tabor em Páginas, atualizada para essa data.