Hoje é dia de Maria, a Mãe e Rainha

1 de janeiro de 2016

O mundo necessita de sua presença.

maeKaren Bueno – Desde Roma, no século IV, a Igreja celebra a Mãe de Deus no primeiro dia do ano. Com tanto tempo passado, corre-se o risco de compreender essa data como uma festa antiquada, sem uma mensagem atual. No entanto, Maria está presente e atuante na história, ela permanece acompanhando seus filhos e se preocupa com eles.

Schoenstatt nasceu do amor a Maria, cresceu e se fortaleceu na medida em que, na alma do Fundador, a experiência do amor à Mãe de Deus foi lançando raízes sempre mais profundas. Pe. Rafael Fernandez afirma: “E nós nos gloriamos dê contar-nos entre aqueles que, com mais alegria, com mais força e gratidão, cantam o seu nome. Não nos contentamos, no entanto, só em admirá-la como a maravilhosa obra de Deus, mas queremos também transpor esta “ordem do ser” de Maria para a “ordem do agir” em nossa vida espiritual, nos trabalhos, na educação, na pastoral e em nosso apostolado na edificação da sociedade”.

A atualidade de Maria

A Mãe de Deus não é uma figura do passado, alheia aos sinais dos tempos e à realidade atual. Ela é, ao contrário, uma resposta ao homem moderno, como escreve Pe. Rafael Fernandez em seu livro “A Dimensão Mariana de Schoenstatt”. Para mostrar essa realidade, ele aponta algumas mazelas da atualidade e mostra como Maria desmascara cada uma delas, desconstruindo os falsos ídolos e valores do presente:

– O humanismo sem Deus: Sonha-se com uma nova humanidade, mais justa, fraterna e humana, porém, espera-se alcançá-la sem a presença de Deus, sem seu cuidado paternal. Maria revela, em seu ser, a maravilhosa união entre o divino e o humano, aonde a santidade aparece na simplicidade e naturalidade de seus atos, vividos no meio do mundo, centrados no Deus da vida. Sua santidade se apresenta nas ocupações dos deveres de mãe e esposa, de dona de casa, de boa vizinha, onde tudo está transpassado e cheio da presença e da graça de Cristo. Maria é um vivo protesto contra aqueles que veem oposição entre a liberdade humana e a intervenção de Deus. Deus não é inimigo do homem, ao contrário, ele possibilita e estimula a livre decisão, quer a cooperação e eleva a dignidade humana a uma altura que nem o mais ousado humanista poderia sonhar.

– O materialismo: O homem moderno procura a felicidade lançando-se desenfreado na busca do prazer; deseja muitos bens materiais, quer possuir e ter sempre mais, dominar os outros usando a violência ou o poder econômico. No entanto, ele é tremendamente infeliz, vazio interiormente e angustiado. Neste contexto, Maria é capaz de ensinar ao homem moderno o caminho da felicidade perfeita. Como Virgem pobre, ela desmascara o ídolo da ânsia de possuir e de ser autossuficiente perante o Senhor. Em sua simplicidade, afasta o desejo de poder; como Virgem Imaculada, desmascara o ídolo do sexualismo e o desejo desordenado de prazer. Ela é o ideal encarnado de toda grandeza; é Rainha e possui uma imensa riqueza, foi cumulada de todos os bens pelo Senhor e vive a verdadeira felicidade, a alegria da virgindade e maternidade, do amor a Deus e aos homens, do serviço que liberta e plenifica.

– A política desordenada: Maria não está alheia à política, sua pessoa é sinal de alerta que conduz à transformação de toda a realidade. A nova sociedade que almejamos deve assemelhar-se à “Nova Jerusalém”, que é personificada e iniciada em Maria. A Mãe de Deus nos move a contemplar mais além da política humana, a sonhar com a “política divina”, ao Plano da Salvação do Senhor. Ela quer ampliar nossa visão e dar-nos um olhar mais profundo que nos leve a considerar, não só em teoria, mas de modo vital, a realidade do Deus atuante na historia. Maria revela que as mudanças não ocorrem somente em vias políticas, econômicas e sociais do país, mas, fundamentalmente, ocorrem na pessoa humana, em primeiro lugar na conversão interior, sem a qual toda mudança de estruturas está ameaçada em seus fundamentos.

– O individualismo e o coletivismo: Vivemos em uma sociedade que suprime a dignidade do indivíduo como pessoa concreta, que quando fala do homem se refere à massa, a números. Isso está em contradição com tudo àquilo que Maria é e significa. Não há nem haverá comunidades perfeitas se não estiverem fundadas em personalidades perfeitas, personalidades livres que encarnem a harmonia interior e sejam capazes de decisão, de participação e responsabilidade por seus atos, semelhante à Maria, seu modelo.
O individualismo divide a sociedade e acaba com toda a sensibilidade e sentido social. A importância de uma sociedade mariana está na formulação nova do amor, colocando em prática a lei fundamental de Cristo: “que todos sejam um”, porque servir é reinar.

Ser como Maria: nossa missão

Essas reflexões apontam uma necessidade fundamental hoje: necessitamos da Mãe de Deus. Mais do que isso, o mundo precisa de Maria e precisa que cada cristão se disponha a ser como ela, ser seu reflexo para o mundo.

Com coração agradecido celebramos a Mãe de Deus, modelo e guia para uma nova história. Unidos ao Pai e Fundador, Pe. Kentenich, podemos afirmar ao Bom Pai: “Num gesto de misericórdia infinita, presenteaste a Schoenstatt uma flor de rara nobreza (Maria), dá-nos guardá-la no íntimo de nossos corações e levá-la corajosamente ao mundo”.

Fonte de pesquisa: A Dimensão Mariana de Schoenstatt, Pe. Rafael Fernandez, 1ª edição, 1980.