Helene e Fritz Kühr: unidos para sempre!

5 de abril de 2016

Nem a morte os separe!

casal kuhrKaren Bueno – A Obra das Famílias de Schoenstatt do Brasil se prepara para realizar, em julho deste ano, um ato de grande significado para a coluna familiar. Durante seu Congresso Internacional, realizam o translado dos restos mortais da Sra. Helene Keespe Kühr para o Santuário de Londrina/PR, Tabor Esmagadora da Serpente.

É comum no Movimento Apostólico de Schoenstatt sepultar pessoas importantes de sua história junto aos Santuários. São memoriais daqueles que dedicaram a vida à Obra de Schoenstatt e formaram, por seu ser, uma cultura de Aliança. Junto ao Santuário Original, por exemplo, estão as conhecidas “cruzes negras”, que representam a vida dos primeiros congregados que morreram na guerra, como Max Brunner, Hans Wormer e tantos outros; há também aqueles que morreram na Segunda Guerra Mundial, caso do Pe. Francisco Reinisch e Pe. Albert Eise.

Quem é Helene Kühr?

helene

É esposa do Dr. Friedrich Kühr, o cofundador da Obra das Famílias de Schoenstatt junto com o Pe. José Kentenich.

Helene é natural da cidade de Attendorn, na Alemanha. Casou-se em 1922 com Fritz Kühr e atuava como professora. Para grande pesar do casal, não tiveram filhos – ambos gostavam muito de crianças e cercavam-se dos sobrinhos, que também lhes estimavam.

Dr. Kühr era formado em Direito e Economia. Por seu conhecimento e coerência de vida, conquista grande estima entre líderes políticos e do setor econômico na Áustria. Helene, em janeiro de 1938, viaja ao Brasil para visitar as terras que o casal havia comprado em Rolândia/PR, cidade próxima à Londrina/PR. Ele viria mais tarde, porém, por causa de suas atividades político-sociais, é preso em março de 1938 pela polícia nazista e levado para o campo de concentração de Dachau, onde passa quase cinco anos e meio.

A Sra. Kühr estava no Brasil quando leu, num jornal alemão, a notícia que seu marido estava preso. Segundo narra a biografia, “passou um dia totalmente abalada, errante, sem destino e, à tarde, quando estava esperando o trem na estação de Londrina, uma Irmã de Maria encontrou-a e saudou-a como velha conhecida”. Inicialmente a Sra. Kühr queria voltar para a Áustria, para esclarecer o destino do seu marido, mas como isso era impossível, foi para Rolândia, construiu lá uma casa de madeira e organizou mais tarde a fazenda. Somente durante a guerra, ela ficou sabendo que seu marido ainda vivia, o que confirmou suas mais íntimas esperanças

Foram quase dez anos de separação entre o casal. Nesse intervalo, Pe. Kentenich e Fritz Kühr, presos no campo de concentração, se tornam grandes aliados. Em meio aos horrores de Dachau, no dia 16 de julho de 1942, nasce a Obra das Famílias de Schoenstatt e o Sr. Kühr se torna o primeiro noviço do Instituto de Famílias.

Com o fim da guerra, antes que Fritz Kühr viesse ao Brasil, o próprio Pe. Kentenich visitou a Sra. Helene em Rolândia. Quando o Dr. Kühr ficou sabendo disso, escreveu imediatamente ao Pe. Kentenich, em 4 de junho de 1947: “Venerado, querido Senhor Padre! Há alguns dias, recebi de minha esposa a notícia de que a visitaste. Causaste a ela uma imensa alegria e deste a ela muita força e consolo. Eu, de minha parte, te agradeço também por esta prova de amor e continuo pedindo diariamente à Mãe de Deus para recompensar toda a bondade e abençoar tua Obra”.

Há tempos o Dr. Kühr se esforçava para imigrar da Alemanha ao Brasil. Depois de muitas negociações, recebeu enfim a licença de saída para a América do Sul e foi de avião de Paris para o Brasil, em outubro de 1947. Em Rolândia, passou os três últimos anos de vida bastante doente, mesmo assim exerceu uma influência duradoura sobre os imigrantes alemães e conquistou a admiração dos brasileiros.

Depois da morte do marido, a Sra. Helene não quis continuar morando no Paraná, pois tudo lhe lembrava o esposo. Então, mudou-se para São Paulo/SP, onde viveu até o fim de seus dias. Hoje está sepultada em um cemitério do bairro Morumbi, na capital paulista.

Por que realizar esse translado?

fritz kuhr

Em 1974, a Liga de Famílias de Londrina/PR, sabendo da relevância do Dr. Kühr para a história de Schoenstatt, fez o seu translado do cemitério de Rolândia para o Monumento dos Herois, ao lado do Santuário. Na época, a esposa, Helene, estava viva e se alegrou com o reconhecimento prestado. A intenção da Obra das Famílias hoje é unir o casal em seu leito eterno, já que durante a vida nada pode separá-los, nem mesmo a guerra.

“Eles são um exemplo de amor conjugal. Ficaram praticamente dez anos separados fisicamente, ele no campo de concentração e ela praticamente em um ‘Dachau brasileiro’. Mesmo separados, mantiveram o amor vivo entre eles. Para nós, são uma resposta para o tempo atual. Vivemos grandes desafios das famílias, um desmantelamento. O sínodo retoma a importância da família e o casal Kühr é uma resposta para tudo isso. Hoje, por muito menos, as pessoas se separam, então que possamos ter os dois como modelo”, explica Paulina Lawand, do Instituto de Famílias de Schoenstatt.

A cerimônia de translado será no final do Congresso Internacional, de 15 a 17 de julho de 2016. Para saber mais clique.