Há cem anos, esta é nossa imagem de Maria

19 de abril de 2015

“Mãe, assemelha-nos a Ti”.

Mãe e Rainha

Karen Bueno / Ir. M. Nilza P. da Silva – Pessoas no mundo todo já viram essas faces, essas expressões, essa unidade filial entre Cristo e Maria. Mensalmente, a imagem da Mãe e Rainha visita milhões de lares e, em muitos deles, há permanentemente uma estampa ou um quadro com sua imagem. A pintura conhecida é mais do que uma simples representação de Maria, trata-se da imagem da Aliança, é a transcrição visual do contrato de amor que deu origem ao Movimento Apostólico de Schoenstatt.

Há cem anos, no dia 19 de abril de 1915[1], a imagem da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt é entronizada no Santuário Original. Este é o “rosto” que Nossa Senhora escolheu para atuar em Schoenstatt, é  a imagem  à qual toda a Obra fundada pelo Pe. Kentenich quer se assemelhar.

Ao contrário do que muitos pensam, no momento da fundação da Obra, quando se selou a Aliança de Amor, no dia 18 de outubro de 1914, não há uma imagem de Maria no Santuário Original. O quadro foi introduzido somente seis meses depois. Mas, então, com qual imagem de Maria os jovens selaram a Aliança de Amor? Certa vez fizeram essa pergunta a um dos congregados e sua resposta surpreende: “Nós selamos a Aliança de Amor com a imagem de Maria que vivia no coração do Fundador!”.

Esta resposta deixa claro que o coração do Pe. Kentenich é o primeiro Santuário no qual a Mãe de Deus quis habitar e nele os congregados já se encontravam com Ela.

E como escolheram esta imagem?

Depois da Aliança de Amor, surge o anseio de ter uma imagem de Maria na capelinha da Congregação. Os jovens pensam, então, em encomendar uma escultura a um artista, porém o valor pelo trabalho é muito alto. Circulam os comentários sobre a busca por uma imagem.

Como em todos os momentos da história de Schoenstatt, a Divina Providência guia os passos da Família. Em uma conversa, Pe. Kentenich comenta sobre a necessidade da imagem com um professor do seminário, Pe. Eugene Huggle. Ele, então, se lembra de um quadro que tinha visto em um antiquário de Freiburg. Pe. Kentenich conta:

“Havia um professor no colégio, o Pe. Huggle, que tinha sido Jesuíta. Ficamos sentados juntos à mesa e conversamos sobre isso uma vez. Ele disse: Cruzei-me em algum lugar com uma imagem, talvez a possamos comprar. E assim ficou combinado. A imagem foi um presente dele. O embrulho chegou. Mal o abrimos, me recordo ainda hoje, que logo no início, de fato, a imagem não nos agradou muito. Mas, como não tínhamos outra escolha, decidimos pendurá-la (no Santuário). Porém, aos poucos, fomos nos deixando conquistar por ela, porque em cada fala que dizia, eu me dirigia àquela imagem… Aproveitei a oportunidade para atribuir a esta imagem tudo o que tinha para dizer sobre Nossa Senhora. E, desta forma, (os rapazes) foram associando gradualmente os seus sentimentos pessoais e interiores a esta imagem” (The founding of Schoenstatt, Pe. Jonathan Niehaus).

É numa Sexta-Feira Santa, dia 2 de abril de 1915, que a imagem desembarca na estação de trem de Vallendar. Os Irmãos José e Christian vão buscar o enorme embrulho endereçado ao seminário. A imagem desconhecida custou aproximadamente 23 Marcos e foi adquirida pelo Pe. Eugene Huggle numa loja de antiguidades em Freiburg, no sudoeste da Alemanha, numa das suas viagens da Suíça para Schoenstatt.

Qual título lhe dar?

Como o próprio Fundador conta, aos poucos a imagem vai conquistando o coração dos congregados – este torna-se o rosto de Maria para eles. Porém, o quadro não tinha um “nome”, eles não determinaram um título oficial para esta representação da Mãe de Deus.

Em meados de 1916, movidos pela Divina Providência, escolhem o título de Mater Ter Admirabilis para a imagem – Mãe Três Vezes Admirável. Esse título se deve ao paralelo entre eles e a Congregação Mariana de Ingolstadt, no sul da Alemanha. Assim como esta congregação influenciou positivamente toda a Igreja, durante o período da Reforma iniciada por Lutero, também a Congregação Mariana de Schoenstatt quer ser uma força renovadora em toda a Igreja. A ideia do paralelo está exposta na moldura luminosa do Santuário Original: Ingolstadt-Schoenstatt.

Veja mais sobre o título da Mãe e Rainha

Mais tarde descobriram que o nome original da estampa é Refugium Peccatorum (Refúgio dos Pecadores) e que foi pintada pelo italiano Luigi Crosio, no ano de 1898, para a família Kuenzli, da Suíça.

“É minha Mãe”

A imagem que encontramos, hoje, no Santuário Original é a mesma que ali foi entronizada, há cem anos. Ela nunca foi substituída e conserva sua alta qualidade. Na preparação do jubileu dos cem anos da Aliança de Amor, a artista plástica María Jesús Ortiz analisou a pintura sob o ponto de vista técnico. Ela comenta: “O quadro tem uma estrutura da escola renascentista. As cores são muito, muito puras. Sua pigmentação é feita com óleo de altíssimo nível. No caso deste quadro, o que sempre me chama a atenção é sua frontal rígida, mas isso não produz uma tensão, ou seja, é realmente um fenômeno. Para mim, especialmente, independente do conhecimento, digamos histórico, ele tem um valor, antes de qualquer coisa, muito pessoal. É como a foto de uma mamãe. A foto de minha mãe eu não posso analisar artisticamente, nem anatomicamente, nem historicamente, ela é minha mãe. Portanto, eu a quero e lhe tenho um contato muito pessoal”.

O mesmo podem dizer milhões de pessoas: “Ela é minha Mãe, ela visita minha casa, eu a quero”. Olhando seu rosto, sua relação íntima com Jesus, surge o desejo de pedir-lhe: “Torna-nos semelhantes à tua imagem, como tu, passemos pela vida fortes e dignos, simples e bondosos, espalhando amor, paz e alegria. Em nós percorre o nosso tempo, preparando-o para Cristo” (Rumo ao Céu, 609).

[1] Há divergências sobre esta data, podendo ser no dia 8 ou 11, mas é certo que foi no mês de abril de 1915.

  • Carlos Alberto Manzoli Rico

    Esta é nossa Mãe, nosso abrigo espiritual, dispensadora de todas as Graças concedidas pela Santíssima Trindade. Nossa intercessora, em quem, todos nós filhos de Schoenstatt confiamos cegamente. Tudo isto, graças a Aliança que foi introduzida pelo Pai e Fundador deste Movimento Apostólico de mais de 100 anos que é o Pe. José Kentenich. Estamos orando para que tenhas a honra dos altares, pois já o consideramos beatificado por nossos corações schoenstatianos. Nos Cum prole Pia. Benedicta Virgo Maria.