Há 50 anos em Roma…

20 de dezembro de 2015

Abrigado no coração de Maria.

pai kentenich jkKaren Bueno – Há 50 anos, no mês de dezembro de 1965, o Pe. José Kentenich estava em Roma aguardando as decisões do Santo Ofício sobre seu futuro e o futuro da Obra. Este momento decisivo, delicado na história do Movimento Apostólico de Schoenstatt, gerava sentimentos de tensão e expectativa em toda a Família de Schoenstatt. A partir dali a Obra poderia seguir com a aprovação eclesial ou encerrar-se, deixando de existir. Não era sem fundamento a preocupação de todos os irmãos na Aliança de Amor.

Contudo, chama a atenção nessa história não a preocupação ou a insegurança do momento, mas a atitude tranquila e confiante de seu protagonista. Pe. Kentenich sabia melhor do que ninguém que tudo era conduzido pelas mãos da Mãe e Rainha e ela teria o perfeito cuidado com a condução da Obra de Schoenstatt.

No jubileu de ouro do final do exílio, é importante, mais ainda, é essencial, recordar a atitude do Pe. José Kentenich perante as autoridades da Igreja. Ir. M. Erika Molitor, que acompanhou esse período de perto, revela: “A gratidão do Sr. Padre (Pe. Kentenich) para com os instrumentos humanos era tão cordial, natural e sobrenatural. Mas sua maior gratidão se dirigia sempre à Mãe de Deus. Ele estava profundamente convicto que devia tudo a ela”.

Como exemplo ela recorda: “Uma prova do grato amor do Sr. Padre para com a Mãe de Deus é sua conversa com o Cardeal Hildebrando Antoniutti, que naquele tempo era o Prefeito da Congregação dos Religiosos. No dia 23 de novembro de 1965,[Pe. Kentenich] teve uma audiência com o Cardeal Antoniutti. Dom Heinrich Tenhumberg o acompanhou. Cardeal Antoniutti, para esta audiência, havia preparado uma alocução muito cortês, de certa distância e disse, entre outras coisas, ao Sr. Padre: ‘Esqueçamos o passado’. O Sr. Padre respondeu: Sim, cruz, sofrimento, injustiça e outras coisas semelhantes queremos esquecer. Mas, os grandes prodígios da querida Mãe de Deus não podemos e não devemos esquecer”.

Ir. M. Erika comenta que o Cardeal, até então pouco conhecido e pouco próximo do Pai e Fundador, ficou profundamente admirado com sua atitude. A partir desse encontro, tornou-se grande defensor da causa de Schoenstatt no Vaticano. “O Sr. Padre estava totalmente desprendido da própria honra e estima. Mas, onde se tratava da honra da Mãe de Deus, ele tomava uma posição clara”.

Este relato singelo descreve algo grandioso, revela a atitude filial de entrega nas mãos de Maria e a confiança ilimitada na condução da Providência Divina. Os dias em Roma não são diferentes dos 14 anos de exílio, eles vem para coroar essa dura trajetória de lutas e conquistas que enriquece a história, onde o Pe. Kentenich permanece a mesma personalidade autêntica que vivo aquilo que diz: “Se Maria estiver ao nosso lado, se for conosco, continuaremos nosso caminho com toda tranquilidade e segurança, mesmo que haja escuridão”. Nós conhecemos os fatos que comprovam isso: ela está conosco e continua conosco o caminho da missão!