Giuseppe Marramarco: Um fiel missionário de Maria

22 de março de 2016

Como Pozzobon, levou a Mãe aos encarcerados.

sr giusepeIr. M. Rosequiel Fávero – A Semana Santa começou, para a Família de Schoenstatt do regional Sul e do Brasil, com uma triste notícia: o falecimento de Giuseppe Marramarco, conhecido pelo seu incansável apostolado com a Imagem Peregrina Auxiliar entre os presidiários do Rio Grande do Sul.

Nascido na cidade de Corleto Perticara, Província de Potenza na Itália, Giuseppe Antonio Marramarco imigrou para o Brasil em 24 de março de 1951, aos 23 anos. Ao chegar a Porto Alegre/RS, foi morar num quarto de pensão do bairro Floresta. Foi frentista num posto de gasolina e depois de um ano de sacrifícios conseguiu reembolsar ao pai e ao padrinho a quantia do empréstimo que lhe permitira viajar de navio até o Brasil. Trabalhou de graça num açougue para aprender um ofício e quatro anos mais tarde teve condições de abrir o seu próprio açougue, entretanto, já casado com uma moça de Garibaldi/RS, Clarita Lorenzi.

Sua vida foi transformada por um encontro com o Servo de Deus João Pozzobon, em 1985, poucos dias antes da morte deste último. Numa das muitas entrevistas que deu em 2002, quando a empresa jornalística RBS lhe conferiu o título de ‘Gaúcho honorário’, ou em 2010, quando a Câmara de Vereadores de Porto Alegre lhe concedeu o título de ‘Cidadão de Porto Alegre’, Sr. Marramarco contou: “Ele (João Pozzobon) transformou minha vida. Percebi que aquele homem velho, quase cego, havia feito tanta coisa, enquanto eu só queria saber de ter dinheiro e prazer. Por três anos, estive numa luta interior entre viver para o dinheiro ou trabalhar para Deus. A força de Deus foi maior. Parei de trabalhar para ser missionário”.

Assumindo a Imagem Peregrina Auxiliar do Santuário de Porto Alegre, Sr. Marramarco começou a dedicar-se, como João Pozzobon, a levar a Mãe Peregrina a hospitais e escolas, mas foi nos presídios que encontrou seu campo privilegiado de apostolado.

Dedicou-se incansavelmente aos encarcerados e seus familiares, sendo sua atuação reconhecida muito além do Movimento de Schoenstatt. Foi coordenador estadual da Pastoral Carcerária e um dos criadores da Fundação de Apoio ao Egresso do Sistema Penitenciário (Faesp). Com sua ‘Peregrina’ entrava nos setores mais perigosos dos mais temidos presídios do Rio Grande do Sul, como o de Charqueadas/RS, de segurança máxima, e o Presídio Central de Porto Alegre. Incontáveis vezes testemunhou ter visto homens desfigurados pela situação que viviam caírem de joelhos por detrás das grades, diante da Mãe Peregrina. Na sua caminhada missionária ajudou certamente muitos a encontrarem o caminho para a conversão.

O seu grande zelo apostólico era alimentado pela oração e a vinculação ao Santuário. Um sacerdote da Diocese de Porto Alegre deu, em 2015, o seguinte testemunho sobre ele: “Como seminarista, muitas vezes acompanhei o Sr. Marramarco no seu apostolado. Muito me impressionava a sua atuação apostólica, mas mais impressionante ainda era vê-lo rezar silenciosamente, diante do Santíssimo”. Presença marcante na vida da Família de Schoenstatt, foi justamente a renovação da coroação da ‘sua’ Imagem Peregrina o ato central das celebrações do Centenário da Aliança, em outubro de 2014, junto ao Santuário Maria Cor Ecclesiae, em Porto Alegre.

No ano passado, consciente da diminuição de suas forças e de que a Mãe Peregrina ‘precisava seguir seu caminho’, Sr. Marramarco entregou-a aos cuidados das Irmãs de Maria de Schoenstatt, em Porto Alegre. A Divina Providência teceu os fios de tal forma que uma semana antes da sua partida para a eternidade, no encerramento da Jornada Regional de Coordenadores da Campanha da Mãe Peregrina, os representantes da Arquidiocese de Porto Alegre assumissem a responsabilidade pela Peregrina Auxiliar que fora a fiel companheira do Sr. Marramarco, numa singela celebração de ‘reenvio’, no Santuário Tabor, em Santa Maria/RS.

A ‘Mãe seguiu o caminho’ e o Sr. Marramarco também. Agora, na eternidade, ele há de ser fiel intercessor junto de Deus por aqueles que deram o seu sim para continuarem o apostolado que ele desempenhou com tanto amor.

Além do Servo de Deus João Pozzobon e muitos outros que dedicaram sua vida à Mãe e Rainha, a Família de Schoenstatt tem mais um exemplo em quem se espelhar.