Filialidade Heroica: nossa missão

20 de agosto de 2015

Uma coroação singular para o Movimento no Brasil.

capaKaren Bueno – A Família de Schoenstatt tem a tradição de coroar a Mãe de Deus em diversas situações – uma característica bem própria do carisma, que vem de um pedido especial do Fundador e gera vida aos diversos ramos e comunidades. Das várias coroações realizadas até hoje, uma tem importância singular na história da Obra no Brasil: a coroação da Mãe como Rainha da Filialidade Heroica, realizada no Santuário de Santa Maria/RS em 20 de agosto de 1949.

Pela primeira vez, no primeiro Santuário brasileiro, a Mãe recebe a coroa em sua fronte. A ocasião não poderia ser mais especial, já que o próprio Fundador visitava o Brasil e pode, ele mesmo, coroar a MTA. A história revela que essa coroação está diretamente ligada ao Terceiro Marco Histórico de Schoenstatt, num contexto em que a Igreja questiona duramente o Pe. Kentenich, sua pedagogia e sua Obra.

A cronista relata: “A palestra do Senhor Padre (Pe. Kentenich) tinha um cunho de austeridade, quando falou sobre os problemas no âmbito da Igreja, da Família e da vida pessoal. […] Terminada a palestra, rezamos nossa oração de coroação. Depois o Senhor Padre tomou em mãos a coroa, subiu os degraus da escada revestida de branco e, sempre segurando a coroa nas mãos, rezou espontaneamente, os olhos nos olhos da Mãe de Deus, dirigindo-se singelamente a ela. Ao terminar sua oração, coroou a Mãe de Deus como Rainha da Filialidade Heroica[1]”.

Enquanto o Fundador estava na América do Sul, um visitador apostólico, representante oficial da Igreja, visitou Schoenstatt e apontou suas dúvidas e críticas sobre o Movimento. Todos esses apontamentos foram enviados ao Pe. Kentenich no Chile, que previa um período difícil para a Obra. Por isso, no dia 31 de Maio de 1949 – data do Terceiro Marco Histórico –, ele deposita a primeira parte da carta-resposta aos questionamentos da Igreja sobre o altar do Santuário de Bellavista/Chile, confiando à Mãe de Deus os cuidados pelo futuro da Família de Schoenstatt.

Enquanto viajava pelos Brasil, Pe. Kentenich continuou escrevendo essa carta, explicando seu carisma e apontando algumas coisas que, segundo ele, precisavam ser renovadas na Igreja, como, por exemplo, a valorização do leigo na vida eclesial. Nessa época as Irmãs de Maria preparavam a coroação da Mãe de Deus, e ele viu aí uma oportunidade providencial de entregar todo o futuro da Obra nas mãos de Maria e mostrar como deveria ser a atitude da Família de Schoenstatt frente às dificuldades que surgiam.

Missão para todos os tempos

No título de “Rainha da Filialidade Heroica” está expressa espiritualidade dos filhos de Schoenstatt, como aponta a oração de coroação: “Pedimos-te novamente que aceites a coroa como expressão do pedido: cuida que todos os filhos de Schoenstatt recebam e conservem, até o fim dos tempos, a graça da filialidade heroica e, com ela, a garantia do elemento essencial de nossa espiritualidade”. O ser filial que se entrega totalmente, com suas fraquezas e debilidades, e confia cegamente em Deus e na Mãe de Deus, é o modelo ideal de schoenstattiano. A isso é acrescida uma aspiração muito maior: não apenas a filialidade, mas a filialidade heroica, que requer uma confiança ilimitada no sobrenatural e o comprometimento na auto-educação, sendo um ser filial à imagem de Maria.

Esse ato singelo, realizado por um pequeno grupo de Irmãs de Maria e pelo Fundador, é determinante na história da Obra no Brasil e no mundo: “A coroação da Rainha da Filialidade Heroica não é apenas um acontecimento entre outros, representa o grande acontecimento que marcou o rumo da história de Schoenstatt no Brasil e nos inseriu profundamente na vida e na sorte de nosso Pai e Fundador: em sua missão de Pai e profeta dos novos tempos e no Marco Histórico de 31 de Maio de 1949[2]”.

[1] Coroar por quê?, Ir. M. Lúbia Bonfante, 2ª edição, pág 54.

[2] Coroar por quê?, Ir. M. Lúbia Bonfante, 2ª edição, pág 56.

  • Zuleica Niederauer Leote

    A filialidade heróica é por mim aspirada desde de que conheci, ainda muito jovem, o movimento de Schoenstatt, em Santa Maria. Hoje,exercendo meu papel de mãe ou atuando na sociedade, ainda pauto meus dias na consagração assumida na juventude.Minhas preces são para que muitos jovens e muitas famílias continuem a descobrir a espiritualidade de Schoenstatt. Sou grata por estar inserida na missão do Pai. Nada sem vós, nada sem nós! Te coroamos, oh, Mãe, nossa Rainha!