“Eu nasci para ser de Schoenstatt”

20 de março de 2015

Vocação e carisma de um cearense.

chiquinhoKaren Bueno – Se você perguntar, na Diocese de Crato/CE, por Francisco Alves de Souza, provavelmente ninguém saberá responder por essa pessoa. Agora, se perguntar sobre o “Chiquinho da Mãe e Rainha”, a história muda.

Chiquinho é o primeiro missionário da Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt no bairro do Gravatazinho, em Mauriti/CE, na Paróquia Imaculada Conceição. Uma grande força para a comunidade, tem o coração e a alma schoenstattianos. Ele está no sexto ano da escola diaconal e, provavelmente ainda em 2015, faz os votos como diácono permanente.

“Eu conheci o Movimento pela Campanha da Mãe Peregrina em 1998, num momento bem difícil da minha vida. Estava com minha mãe doente, no hospital, e numa visita à casa da minha avó, encontrei uma senhora com a imagem da Mãe e Rainha, perguntando se ela não queria receber a Peregrina”. Francisco encontra conforto na visita da Mãe. “O olhar daquela imagem de Maria penetrou minha alma aflita. Então, eu selei um compromisso de levar aquela imagem também para minha comunidade de Gravatazinho, onde eu já era catequista. Com a chegada da Mãe Peregrina, em 18 de julho de 1998, minha vida mudou completamente e comecei a organizar a comunidade com uma estrutura eclesial”.

Um lugarzinho especial para a Mãe

A chegada da Mãe Peregrina no bairro movimenta a comunidade, cresce a perspectiva de Igreja. Até então, os moradores não tinham uma capela nesta área rural, um lugar específico para se reunir e rezar, com a chegada da Mãe Peregrina, começa a luta para construir essa capela. “Em 2003, a gente conseguiu construir a Igreja da comunidade. Fizemos um mutirão, foi uma coisa bem bonita. Todos concordaram em ter a Mãe e Rainha como padroeira”, diz Chiquinho.

A estampa da Mãe, que seria colocada no Santuário Paroquial, é enviada de Santa Maria/RS, do Santuário Tabor. “Ela chegou no dia 8 de julho. Aí tivemos a ideia de trazer a imagem da paróquia para essa comunidade em uma peregrinação. Caminhamos 18 km, a pé, com a Mãe. Nascia neste dia a Romaria da Mãe e Rainha, que acontece todos os anos em Mauriti/CE e, atualmente, move uma multidão – cerca de 30.000 pessoas participam”.

Com o tempo, a capela da Mãe e Rainha começa a atrair peregrinos. “O Bispo (Dom Fernando Panico) veio até a comunidade e disse-nos que não tinha como essa Igreja continuar sendo uma capela, por conta do movimento que tinha, que nós deveríamos instituir ali um Santuário Paroquial”.

Assim surge o Santuário da Paróquia Imaculada Conceição em Mauriti/CE. Ali, todos os meses, há a celebração de renovação da Aliança de Amor e muitas atividades. “Nós construímos um oratório (frontal) com a imagem da Mãe, onde tem o sacrário com o Santíssimo Sacramento, com oração permanente, é algo muito bonito”. Saiba mais sobre o Santuário Paroquial.

A responsabilidade vem no nome

Chiquinho mora ao lado do Santuário: “bem pertinho. Sou vizinho da Mãe e Rainha”. Atualmente ele está na coordenação diocesana do Terço dos Homens Mãe Rainha e ajuda, com tudo que pode, no Movimento Apostólico de Schoenstatt. “O que eu mais gosto é de preparar as pessoas para a Aliança de Amor e, agora também, para o Santuário-Lar”. Na Paróquia Imaculada Conceição, quase 1.000 pessoas já selaram a Aliança de Amor e outras 109 se preparam para instituir Santuário-Lar.

Francisco Alves de Souza tem grande responsabilidade por todo crescimento da Obra em Mauriti/CE e na Diocese de Crato/CE. Essa responsabilidade fica muito clara em seu apelido. Por que “Chiquinho da Mãe e Rainha”? Ele explica: “Quando o Bispo veio celebrar a primeira missa na comunidade do Gravatazinho, onde eu moro, ele disse no final da missa: ‘vamos agradecer ao Chiquinho, ao Chiquinho da Mãe e Rainha’. Aí pronto, pegou mesmo. O apelido se popularizou e ninguém me conhece mais por outro nome. Eu não queria, relutei bastante, porque é uma responsabilidade muito grande, mas não teve jeito”.

Um José Kentenich no Nordeste

Uma curiosidade da família Alves de Souza é o nome do filho, de 11 anos: José Kentenich Alves. Conta o pai, Chiquinho da Mãe e Rainha: “Quando nos casamos, eu e minha esposa descobrimos que não podíamos ter filhos, por um problema de saúde. Aí a gente começou a rezar a novena pela canonização do Pe. Kentenich e, pela graça de Deus, ela conseguiu engravidar, sem nenhum problema. Em gratidão por essa graça, nós colocamos esse nome, como homenagem ao Pai e Fundador”.

Schoenstattiano com muito orgulho

São pessoas como o Chiquinho da Mãe e Rainha que levam a missão de Schoenstatt para o novo século. Mesmo morando a 370 km do Santuário Filial mais próximo – que fica em Garanhuns/PE – seu coração pertence à MTA: “Para mim é motivo de orgulho ser schoenstattiano. Aquilo que vou aprendendo – o estilo de vida, o ideal pessoal, o horário espiritual, a autoeducação, o Capital de Graças – tudo isso é, de certa forma, uma transformação radical na vida da gente. O que aprendemos em Schoenstatt não dá para guardar só para nós, não tem como. Pela graça da fecundidade apostólica vamos transmitindo tudo isso para os outros”.

É com confiança que Chiquinho, um cearense alegre e empolgado pela missão, afirma: “O Movimento é a minha vida, é a realização da minha vocação. Eu nasci para ser de Schoenstatt”.