Eu e a Paixão de Cristo: expectador ou participante?

25 de março de 2016

Não basta conhecer, é preciso encontrar-se pessoalmente com ele.

stacasaIr. M. Nilza Pereira da Silva – Nesse tempo litúrgico, diariamente acompanhamos Jesus em sua caminhada, até que chega o Calvário e depois a ressurreição. O amor do Pai aquece o nosso coração e em Jesus transborda a sua misericórdia.

Mas, há o perigo de passarmos por esse tempo como expectadores que assistem o drama de Cristo, até se comovem e choram, mas, esse acontecimento não modifica em nada as atitudes, o comportamento na vida diária. Supliquemos à Mãe de Deus, que nunca falte o “nada sem nós” na história da salvação. A Aliança de Amor com ela, nos ajude a viver ainda melhor a nossa aliança com Jesus, efetuada em nosso batismo.

Não basta conhecer Jesus, é preciso se encontrar pessoalmente com ele, insistiu o Papa João Paulo II e contina a insistir o Papa Bento XVI. É preciso comprometer-se com Jesus e procurar pensar e agir como ele.

Diante da paixão de Jesus não há expectadores, mas há somente instrumentos de Deus ou do Demônio. Ou esse acontecimento interfere em nossa luta por uma mudança real de vida, para amar como Jesus amou, ou estamos do lado contrário. Pe. Kentenich explica:

“No fundo da história universal atuam sempre dois grande poderes invisíveis, forças sobrenaturais, que permanecem ocultas aos nossos olhos.

A história da Paixão de Cristo é sempre nova e eternamente antiga. Podemos afirmar que os acontecimentos do sofrimento de Cristo, se sua morte e ressurreição, se assemelham a um grande drama. E nesse drama, nos fundos, atuam forças ocultas: Deus e o Demônio. Todos os inimigos de Cristo foram instrumentos que atuaram como auxiliares das forças diabólicas.

No palco da humanidade, continuam a se desenrolar eternamente as cenas da grande tragédia, em que as trevas entraram em luta contra a luz, procurando levar Cristo e seus seguidores a uma derrota total.

Porém, nos discípulos fiéis, dá-se o triunfo completo quando, após o duro combate da vida, a luz vence para sempre as trevas. Na ressurreição de Cristo, ele deu o poder de se tornarem filhos de Deus, filhos amados do Pai Eterno, a todos os seus seguidores, que o receberam de coração símples e aberto.” (Vinde Adoremos, p. 92)

Perante as questões atuais, nos posicionamos a favor ou contra Jesus.

Que as graças desse tempo de quaresma encharque o santuário coração de cada um de nós e se manifeste em nosso comportamento perante os acontecimentos atuais e os que nos são mais próximos. Que nos dê coragem para um posicionamento de acordo com os princípios da Igreja, perante as questões que geram polêmicas na atualidade. Que a Aliança de Amor se manifeste na vida e rezemos com o Pe. José Kentenich:

“Pai, eu te peço toda a cruz e sofrimento que preparaste para mim. Liberta-me da vontade própria doentia, a fim de que eu siga os teus mais leves desejos. Torna-me semelhante a Cristo, só então serei feliz e rico…

Nada há que não possas me enviar. Faze tudo para dominar o meu eu. Assim, só Cristo viva e opere em mim. Nele, eu te cause somente alegria.

Pai, eu sei que nunca me enviarás cruz ou sofrimento, sem me conceder abundantes forças para o suportar. Cristo me ajuda a carregar e a Mãe está constantemente ao meu lado. Nunca estou sozinho.

Pai, só quero cumprir o teu desejo. Se, porém, quiseres me preservar do sofrimento, então, eu te peço: afasta de mim a cruz e a dor. Tu és a única estrela de minha vida.

Deixo-me guiar cegamente por ti. Quero escolher somente a tua vontade. Contigo, atravessarei noites e trevas, porque o teu amor sempre vela por mim.” RC 393-400

Responda com sinceridade:

– Estou diante da Paixão de Cristo como expectador ou como participante? Como testemunho isso?

– Sei aceitar as dificuldades e sofrimentos como enviados pelo amor do Pai ou tenho o conceito que Deus deve me livrar de todas as dificuldades e me enviar só o que é bom e agradável?

– Tenho coragem de defender os princípios da Igreja, por exemplo, sobre a Teoria do gênero, o aborto, a família, mesmo quando há tantos discursos contrários a esses princípios? Ou tento me adaptar para não desagradar aqui e nem ali?