Enfermos: missionários do mundo todo

11 de fevereiro de 2015

11 de fevereiro: Dia Mundial do Enfermo

382545_265615430210682_834237772_nIr. M. Nilza P. da Silva – O Movimento Apostólico de Schoenstatt abrange as pessoas em todas as situações de vida que se encontram. Quando se fala em Liga dos Enfermos, alguém sempre vem à mente como referência: Sra. Lourdes Santos Pereira que, desde 1970, atua com a Liga dos Enfermos, em Londrina/PR.

É difícil convencê-la a falar. Embora ame o que faz, ela não se sente capacitada para dar uma entrevista e diz que não aceita tirar fotos. D. Lourdes, em sua humildade e seu coração apostólico, só aceita conversar e deixa tirar fotos, quando lhe explico que esta matéria pode ajudar muitos enfermos, pois pode suscitar outras pessoas para a Liga dos Enfermos. Então, por amor a missão, D. Lourdes nos fala sobre sua experiência.

Início da Liga dos Enfermos no Brasil

A Liga dos Enfermos, no Brasil, tem início em 1969, com a Irmã Regina Maria, em Londrina. D. Lourdes participa deste início, juntamente com Zélia Ferrari. Com o falecimento da Irmã, em 1985, as duas são a alma desse apostolado. A espiritualidade para atuar com os enfermos, D. Lourdes recebe na Liga das Mães de Schoenstatt, no qual fez a consagração de membro.

Atualmente, a Liga dos Enfermos, em Londrina, conta com 25 enfermos. Mas, centenas de participantes já estão no céu e, certamente, são intercessores para que esse ramo cresça cada vez mais, em número e profundidade.

O cuidador dos enfermos

Para que isso aconteça, é necessário que aumente cada vez mais o número dos “cuidadores”, como são chamados os agentes que acompanham os enfermos da Liga. D. Lourdes esclarece que um cuidador precisa ter algumas características: ser introduzido na espíritualidade de Schoenstatt e se esforçar para viver dela; ter clareza de seus conteúdos básicos para saber transmitir aos enfermos; gostar de atuar com os enfermos. Pois, é o agente cuidador que acompanha o crescimento espiritual dos enfermos.

Como eles não podem participar de reuniões e muitos deles não tem condições de ler, o cuidador é o instrumento para que cada enfermo seja introduzido na espiritualidade de Schoenstatt: graças do Santuário, Fé Prática na Divina Providência, Aliança de Amor, auto educação e contribuições ao Capital de Graças.

Capacitar o enfermo para ser missionário

Cada enfermo é conduzido a aceitação de sua enfermidade como meio eficaz para o apostolado. Por meio das contribuições ao Capital de Graças, ele pode colaborar na transformação do mundo.

D. Lourdes explica que só se consegue ajudar os enfermos a chegar a esse ideal com as graças do Santuário, com a vida dos sacramentos e com bastante dedicação do cuidador. “Primeiro é preciso trabalhar os familiares dos enfermos para aceitar o seu parente enfermo e amá-lo. Não basta dar somente o básico, mas é preciso aceitar e amar cada enfermo”, diz a responsável pela Liga dos Enfermos.

Ela narra um pouco de sua experiência: “Certa vez, encontrei uma filha que me disse que cuida de sua mãe para não ter problema com a justiça. Isso não é suficiente. É preciso cuidar por amor à pessoa. As vezes, a família é carente de valores. Então, precisamos realmente amar o enfermo, conquistar a sua confiança, porque as vezes ele já teve muitas desilusões. É preciso assistir, de fato, o enfermo sem que a família se sinta investigada. Só depois que o enfermos se sente aceito, ele tem condições de aceitar também a sua enfermidade e vivê-la como uma missão”.

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Zélia Ferreira e Lourdes Santos Pereira

Os enfermos da Liga

Ela explica que há dois tipos de enfermos: os temporários e os permanentes. Ambos podem fazer parte da Liga dos Enfermos. Mas, a condição é que o enfermos esteja lúcido, para poder assimilar a espiritualidade de Schoenstatt. Os que não tem essa condição são cuidados e recebem a visita da Mãe Peregrina, mas eles não pertencem a Liga dos Enfermos, pois para isso, exige-se uma decisão livre e consciente.

Em Londrina, as Irmãs de Maria, que atuam em três hospitais, Santa Casa, Mater Dei e Sagrada Família, colaboram com a Liga dando o primeiro passo. Isto é, elas conversam com o enfermo, ainda no hospital, e propõem que ele aceite a visita de um agente da Liga. Então, quando a resposta é positiva, elas encaminham seus dados para os responsáveis pela Liga dos Enfermos, que conduz um cuidador até o enfermo. Essa ação em conjunto tem dado resultado positivo, pois na Liga dos Enfermos, muitas pessoas descobrem sua grande missão. Se o enfermo se decide, ele pode selar a Aliança de Amor e instituir o Santuário-Lar. “No momento, todos os enfermos da Liga selaram a Aliança e tem o Santuário-Lar”, confirma D. Lourdes.

As correntes e vida da Liga dos Enfermos

O coração de D. Lourdes pulsa pelos enfermos. Ela nos deixa participar um pouco das correntes de vida da Liga dos Enfermos de Schoenstatt. “Nós temos uma imagem da Mãe Peregrina que visita os enfermos. Sua história é triste, pois ela foi encontrada numa lixeira. Então, contamos isso para os enfermos e eles se ofereceram para oferecer o seu amor em desagravo. A Mãe e Rainha foi coroada nessa imagem pelos enfermos. Aquela que outros desprezaram eles a proclamaram como sua Rainha”.

Todos os meses, na última quinta-feira, os enfermos que podem vão para a santa missa, especial para eles, no Santuário. O cuidador os busca e os leva de volta para casa. “Mas, semanalmente, cada enfermo recebe a visita de seu cuidador que lhe oferece um pouco da espiritualidade de Schoenstatt, acompanhando os acontecimentos da época. Por exemplo, quando o Papa Bento XVI veio para o Brasil, ele recebeu dos enfermos um símbolo que expressava o quanto eles ofereceram ao Capital de Graças e pediram que a Mãe de Deus abençoasse o Papa.

Uma vez ao mês, os cuidadores dos enfermos se reúnem para uma capacitação em sua bela missão. Eles recebem espiritualidade e trocam experiências, tentando descobrir os planos de Deus para a aspiração dos enfermos. Com isso, eles tem subsídio para o diálogo com os enfermos, em sua visita semanal. Quando o enfermo não consegue vir para a santa missa especial para a Liga dos enfermos, o cuidador o representa. Mensalmente, os enfermos recebem um estímulo para suas ofertas ao Capital de Graças e as intenções para suas preces. Assim, eles acompanham os acontecimentos da Igreja e da Obra de Schoenstatt.

Todos podem colaborar com a Liga dos Enfermos

D. Lourdes esclarece que todas as pessoas podem ajudar na Liga dos Enfermos:”Há pessoas que não tem vocação para atuar diretamente com os enfermos. Mas, elas dispõem de meios para trazê-los para o Santuário, para levar um cuidador que não possui carro. Então, essa pessoa pode ser um grande instrumento, ajudando os enfermos junto com o cuidador. Assim, cada um oferece o que pode e nossos enfermos cumprem sua missão na Obra de Schoenstatt.

Há ainda enfermos que não tem condições financeiras suficientes para sobreviver com qualidade. Então, muitos podem ajudá-los com auxílio para medicamentos, roupas, etc”. Com alegria, D. Lourdes conta que alguns casais da Liga das Famílias se despertaram para esse apostolado, em Londrina. E com isso, facilitou muito para os cuidadores o atendimento aos enfermos. Pois, há cuidadores que têm vocação para atuar com os enfermos, mas não possuem carro ou não tem condições de conseguir o que lhes é necessário em alimentos, remédios e outros.

A importante missão dos enfermos

Cada pessoa tem uma grande missão, que Deus lhe confia. Os enfermos tem também uma missão bem pessoal. Mas, a missão do ramo é assegurar na Obra de Schoenstatt as contribuições ao Capital de Graças. Ou seja, nada menos do que: serem a garantia da presença e atuação da Mãe e Rainha em seu Santuário! Há missão mais importante? D. Lourdes assegura que os enfermos são muito conscientes disso, que são colaboradores da Mãe de Deus. O encontro entre eles, nas santas missas, lhes dá consciência de Ramo. Cada um sabe que não está sozinho nessa grande e bela missão.

Sebastião, o alegre missionário

Ela cita alguns nomes, entre eles, Sebastião Cristiano da Silva, Londrina/PR. Desde 1953, Sebastião é acamado. Sua enfermidade inicia em 1953. Hoje, a única parte do corpo que move livremente é a cabeça. No entanto, percorre o mundo com o seu coração apostólico, por meio das contribuições ao Capital de Graças. Desde 1975, Sebastião pertence a Liga dos Enfermos e seu Santuário Lar, cuja missão é alegria e paz, é visitado por muitas pessoas, que visitam Sebastião, em busca de ânimo e alegria.

A alegria eo entusiasmo pela vida desse irmão na Aliança de Amor é uma prova convincente que a Mãe de Deus atua no Santuário como a Educadora de filhos bem amados, filhos heroicos do Pai. Um pároco seu disse certa vez: “Quando não tenho mais palavras capazes de ajudar uma pessoa, encaminho-a para fazer uma visita e conversar com o Sebastião! Todas elas saem de lá fortalecidas e alegres!”

Por fim, com a alegria e serenidade que lhe é própria, aos 77 anos, D. Lourdes conclui: “Enquanto minhas pernas me trouxerem para o Santuário, cuidarei da Liga dos Enfermos!”

Quem nos dera termos muitas D. Lourdes, em cada Santuário. Então, com certeza muitos enfermos seriam felizes e missionários como o Sebastião. Para mais informações sobre a Liga dos Enfermos, entre em contato com o Sacerdote ou Irmã Assessores do Movimento de Schoenstatt em seu local.

Agradecemos a D.Lourdes pela grande clareza que nos deu e ao Sebastião por seu testemunho de vida. Quanto devemos a ambos!

Clique para ver uma síntese: o que é e como funciona a Liga dos Enfermos