Ele é nosso Pai e Fundador

20 de maio de 2015

E nós experimentamos sua paternidade.

pedagogia kentenichKaren Bueno – Há 70 anos, no dia 20 de maio de 1945, Pe. José Kentenich retorna do campo de concentração de Dachau. Toda entrega e confiança no poder da Mãe e Rainha se comprova fecunda, e um novo tempo floresce para a Obra de Schoenstatt nesse período. Os filhos, que já amavam o Fundador como PAI, passam agora a chamá-lo assim publicamente.

Dachau é um grande desafio na história do Pe. Kentenich, pois representa alto perigo de morte e é um sinal concreto de sua confiança total no plano de Deus. Nesse campo de trabalhos forçados, que abrigou mais de 200.000 prisioneiros, cerca de 30.000 pessoas foram executadas, fora tantas outras que pereceram por condições precárias.

Apesar das situações adversas – frio e fome extremos, epidemias, a bronquite crônica – o Pai e Fundador resiste a tudo como personalidade autêntica que era, influenciando a vida de muitos que conhece em Dachau, levando vários prisioneiros a Deus. É assim, em meio aos horrores de Dachau, que seus filhos espirituais começam a chamá-lo de “Pai” e a Obra de Schoenstatt se consolida cada vez mais como FAMÍLIA.

Por que a Família de Schoenstatt é tão vinculada ao seu Fundador?

Olindo e Marilene Toaldo, da União de Famílias, explicam: “O carisma especial do Pe. Kentenich é ser pai. Uma vez lhe perguntaram como ele queria ser reconhecido, e ele respondeu: ‘como pai’. A missão do nosso Fundador é transparecer a paternidade de Deus. Cada movimento tem o seu carisma próprio, o nosso é a Aliança de Amor, por meio da qual a Mãe quer nos levar ao Pai, e para isso ela forma e utiliza um reflexo humano da paternidade divina. Em outros movimentos da Igreja também há traços paternais em seus fundadores, mas não se trata de um carisma como o que o Pe. Kentenich recebeu de Deus”.

Uma das respostas para essa questão é a paternidade natural do Fundador – um traço central em sua espiritualidade, que foi experimentada por aqueles que conviveram com ele, caso do casal Toaldo.

Pe. Hernán Alessandri (2005) afirma: “Schoenstatt tem a tarefa de mostrar ao mundo a face de Deus Pai através das pessoas e das criaturas e, por isso, Deus nos deu um Fundador cujo carisma pessoal foi o de irradiar essa face do Pai. […] O amor a nosso Fundador e a vinculação a ele não são para nós duas coisas separadas, mas uma só. Não podemos realizar nosso carisma se não vivemos a filialidade em relação a ele. Esta é uma exigência intrínseca específica dentro da Igreja[1]”.

Schoenstatt traz a mensagem das vinculações

Pe. Alessandri (2005, p. 31) aponta ainda outros aspectos sobre essa pergunta. Em primeiro mostra que o Pe. Kentenich foi escolhido por Deus como cabeça e Pai de uma Família concreta, por isso, ao viver essa filiação, a Família de Schoenstatt é fiel ao plano de Deus.

Outra questão é a pedagogia das vinculações, bem própria do carisma de Schoenstatt. Com sua espiritualidade, o Pe. Kentenich propõe à Igreja uma nova forma de pensar, de viver e de amar orgânicos, sempre colocando Deus como centro de tudo na vida. O Fundador estimula a vinculação dos seres humanos entre si próprios, com a natureza, com Deus. “Os homens não podem chegar a Deus se não o virem nas criaturas, em união com Ele. Essa é nossa tarefa[2]”.

Pe. Alessandri recorda que Schoenstatt tem a missão de anunciar o atuar de Deus no mundo e na história por meio de instrumentos humanos, criaturas que ele elege – Pe. Kentenich diz que esse processo é o atuar de Deus pelas “causas segundas”, ou seja, por meio de instrumentos humanos eleitos. “Esta é nossa mensagem. E se anunciamos isso, é evidente que o amor e a vinculação ao Fundador pertencem ao cerne de nossa mensagem […] Por isso, se anunciamos o organismo de vinculações, se anunciamos a necessidade de vínculos pessoais, de entrega às pessoas para chegarmos a Deus, e não nos entregarmos de modo especial a esse homem, em que cremos estar encarnada a mensagem de Deus para o nosso tempo, se anunciamos os vínculos pessoais e não nos vinculamos de modo muito especial ao Pai de nossa Família, estamos mentindo[3]”.

Vinculação Filial

Para o Pe. Kentenich, a vinculação mais importante, a raiz última de todo esse organismo é a vinculação filial a Deus Pai. Ele compreende que o mundo atual passa por uma séria crise da paternidade humana, e a falta de um pai terreno à imagem de Deus leva os filhos a não sentirem a paternidade divina do Criador. Por isso é preciso resgatar a imagem paterna, é preciso educar pessoas que sejam o rosto humano de Deus – e para o Pe. Kentenich, os homens somente darão esse passo quando sentirem-se filhos diante de Deus, só assim poderão ser de fato pais que refletem o divino.

Necessitamos nos sentir filhos

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A vinculação à Maria é outro aspecto que o Pe. Hernán Alessandri aponta como resposta para a relação filial da Família de Schoenstatt com seu Fundador. “Por ser Mãe, ela nos ensina a conhecer e reconhecer o Pai. O Pe. Kentenich acredita que Schoenstatt tem uma grande missão mariana nesse sentido: ele pensa que a importância histórica de Maria reside em sua capacidade para formar homens filiais e, com isso, para educar pais que lembrem ao mundo o rosto de Deus Pai[4]”.

Há ainda outro ponto: “Outra razão para explicar a extraordinária união dos schoenstattianos com nosso Pai reside no fato de que ele teve uma intimidade tão profunda com sua Obra como talvez nenhum outro fundador a tenha tido. Justamente porque tinha que anunciar essa mensagem de solidariedade familiar, segundo a qual o destino dos filhos está intimamente unido ao de seu pai, por isso existe entre Schoenstatt e seu Fundador uma unidade total[5]”.

E, por fim, pode-se falar na necessidade pessoal de cada indivíduo pela paternidade. “Necessitamos uma experiência humana de paternidade para poder crescer como homens espiritualmente sadios, para amadurecer como cristãos, para chegar a um encontro profundo e vivencial com Deus Pai”. E isso é experimentado por aqueles que se lançam à relação paterno-filial com o Fundador de Schoenstatt.

A Família vive a paternidade do Fundador

Olindo e Marilene Toaldo e o Pe. Hernán Alessandri conheceram o Pai e Fundador pessoalmente e experimentaram sua paternidade espiritual. Porém, muitos membros do Movimento Apostólico de Schoenstatt – especialmente a nova geração do centenário – não tiveram essa oportunidade, conhecem apenas os testemunhos sobre esse homem singular. Mas, como parte de seu carisma e missão, o Fundador continua sendo um Pai para todos que selam a Aliança de Amor.

Bianca Ribeiro, da Juventude Feminina, conta: “Fui ao túmulo do Pai e Fundador, em Schoenstatt, e lhe disse: ‘Pe. José Kentenich, pelo que escuto das pessoas mais velhas e que tiveram um encontro com o senhor, quando ainda estava vivo, dizem que se sentiam amadas, compreendidas e que o senhor as conhecia pelo nome. Mas eu não sei se o senhor sabe realmente de mim, se o senhor tem essa atenção comigo, se ao menos sabe o meu NOME’. E fiquei ajoelhada pertinho do túmulo dele em silencio”. Mais tarde, ofereceram à jovem algumas mensagens do Pe. Kentenich, para que ela retirasse uma. Sua surpresa foi grande quando leu no papelzinho: “Inscrevi seu nome no meu coração”, com a palavra nome em negrito (jufem.com.br).

Como Bianca, muitos membros da Família de Schoenstatt, alguns que nasceram bem depois da morte do Fundador, o sentem como Pai de uma forma bem concreta. E esse era o desejo do Pe. José Kentenich. Assim ele se expressa logo que sai do campo de concentração: “Sempre fui Pai de meus filhos, sempre tive um vínculo vital e íntimo com cada um, mas isso permaneceu oculto. Agora que apareceu à plena luz porque as circunstâncias obrigaram que me mostrasse, permito e cultivo essa atitude porque vejo que é necessário e porque a guerra provou que isto não é fraqueza nem sentimentalismo, mas é um amor que deu forças à Família para chegar até a cruz e vencer o que muito poucos o puderam fazer[6]”.

O Pe. Kentenich quer ser um Pai para a Família de Schoenstatt, basta que os filhos permitam que ele o seja. É valiosa a dica que ele deixou para todos: “Quem me busca, me encontrará sempre no Santuário e no coração da Mãe”. Que possamos dizer-lhe a cada dia: “Pai, meu pensamento em teu pensamento, meu coração em teu coração, minha mão na tua mão, tua Aliança, nossa missão”.

Referências

[1] ALESSANDRI, Hernán. Um Fundador, um Pai, uma missão. 2ª edição. Santa Maria/RS: Editora Pallotti, 2005, pág. 36.
[2] ALESSANDRI, Hernán. Um Fundador, um Pai, uma missão. 2ª edição. Santa Maria/RS: Editora Pallotti, 2005, pág. 33.
[3] Idem.
[4] ALESSANDRI, Hernán. Um Fundador, um Pai, uma missão. 2ª edição. Santa Maria/RS: Editora Pallotti, 2005, pág. 37.
[5] Idem
[6] ALESSANDRI, Hernán. Um Fundador, um Pai, uma missão. 2ª edição. Santa Maria/RS: Editora Pallotti, 2005, pág. 190.

  • Pepita

    Pe. Kentenich e meu pai no ceu.Amem