É tempo de aquecer o coração para acolher o Menino Jesus

29 de novembro de 2015

Será que Jesus faria uma boa troca, mudando-se para o nosso coração?

natal_crecheIrmãs de Maria Adoradoras – Já passou um ano desde o nosso grande jubileu, o centenário de Schoenstatt, e vamos iniciar o segundo Advento, seguido logo pelo segundo Natal do novo século de Schoenstatt. Mesmo que já tenha passado um ano inteiro após a grande festa, nossos corações ainda estão envoltos de alegria e gratidão por todas as graças e bênçãos recebidas no Santuário, nesses cem anos passados. Cresce em nós a vontade de retribuir, ao menos um pouco, do muito que Deus nos presenteou pelas mãos de sua querida Mãe, no pequeno Santuário de Schoenstatt.

No tempo de Natal, em cada ano, diariamente se reúnem centenas de crianças com seus pais na Igreja da Adoração em Schoenstatt, para visitar o presépio, cantar e louvar o Menino Jesus. Muitas famílias voltam no ano seguinte e as Irmãs de Maria já as conhecem.

Assim também aconteceu com uma família, com um casal de filhos ainda pequenos; mas de repente faltava o menino. A Irmã perguntou por ele e a mãe contou que ele não queria vir. Ele disse a sua mãe: “Para lá não vou mais, a estrebaria onde colocaram o Menino Jesus não tem parede. O vento pode entrar por todos os lados e fazer mal ao Menino Jesus e a sua Mãe Maria. Tal coisa São José nunca teria permitido. Não, para este lugar não vou mais!” Realmente, este menino tinha um olhar bem atento e um coraçãozinho caloroso.

Não acontece também conosco algo semelhante? A pobreza em que Jesus nasceu, numa gruta fria que só servia de abrigo para os animais, toca-nos profundamente. Porém, é justamente esta realidade que torna o Natal tão precioso para nós: Jesus, o grande Rei do céu e da terra se faz homem e nasce em tão extrema pobreza, porque nos ama tanto, muito mais do que somos capazes de imaginar.

Durante o Advento rezamos muitas vezes:

Vem, Jesus, ó Rei divino, ao meu pobre coração.
Eu te espero com saudade, alegria e gratidão.
Se o mundo te rejeita com dureza e rigor,
minha alma te acolhe com ternura e amor.

Rezemos isto com muita devoção e assim, neste Natal, poderíamos abrigar Jesus realmente com grande alegria em nosso coração.

Se formos bem sinceros, devemos questionar-nos: será que Jesus faria uma boa troca, mudando-se para o nosso coração? Não há também nele muita “ventania”? Pois não há somente uma ‘ventania’ provocada pela natureza. Há tanta coisa que se “aloja” e pesa em nosso coração: as muitas preocupações e aflições na família, as obrigações em casa ou na vida profissional, dificuldades financeiras, desemprego, tibieza, frieza do coração, faltas de amor, de respeito e outros pecados. Todas estas coisas fazem com que o nosso coração não seja um lugar muito agradável para Jesus vir morar, mais ainda se, por tantas preocupações, até nos esquecemos da existência e do amor de Deus…

Um pequeno acontecimento que uma de nossas Irmãs experimentou, no tempo do Natal, poderia servir-nos de estímulo. Ela conta:

Estava fazendo adoração ao Santíssimo. Ao lado do altar encontrava-se o presépio com figuras quase de tamanho natural. Entrou uma mãe com sua filhinha. Enquanto a mãe rezava, a pequena, ainda um pouco insegura, pois mal sabia andar, aproximou-se do presépio onde parou um bom tempo. Depois correu para junto da mãe, mas parecia ter alguma coisa no presépio que a preocupava. Novamente parou na frente do Menino Jesus e olhava somente para ele, parecia não ver nada do restante do presépio. E outra vez correu para junto da mãe. Continua assim por um bom tempo, de lá para cá e de cá para lá. Finalmente a mãe pegou a criança no colo e foi com ela outra vez ao presépio e agora acontece o pequeno milagre e ao mesmo tempo tão grande: com um gesto decidido e bem enérgico a menininha pega a sua chupeta e a dá ao Menino Jesus. Isto não foi apenas um gesto comovente, foi muito mais! A criança percebeu que o Menino Jesus sofria a falta de alguma coisa que para ela era muito importante e até indispensável. Estando diante do presépio, chegou a entender que ela poderia ajudar aqui. Que reconhecimento difícil! Dar a própria chupeta? Uma decisão muito difícil! Somente agora, na segurança do colo da mãe e abrigada em seu amor, ela consegue ter a coragem de desprender-se daquilo que ama e que lhe é indispensável. Esta menina tão pequena tinha um olhar bem atento e um coraçãozinho caloroso.

Os testemunhos destas duas crianças podem nos servir de estímulo para este Advento. Poderíamos ver quais as causas da “ventania” em nosso coração e fazer delas um presente para o Menino Jesus no Natal. Será que podemos oferecer ao Menino Jesus tal presente? O nosso coração tão inquieto, pobre, carregado de pensamentos e ações que muitas vezes não são os melhores, – será que este coração ainda pode se tornar uma boa manjedoura, agradável e macia para o Menino Jesus? Ele mesmo nos dá a resposta: “Vinde a mim todos os que estais cansados, sob o peso de vosso fardo e eu vos darei descanso” (Mt 11,28).
Sim, Jesus espera, justamente, por estes presentes de nossa pobreza e aflição interior, pois desta forma lhe mostramos que Ele veio ao mundo para realizar também em nós o milagre da Noite Santa.

Que neste santo Natal tenhamos a coragem de oferecer ao Menino Jesus algo especial, como fez esta pequena menina que ofereceu o mais precioso que tinha; para nós, seria entregar algo muito caro e importante e, assim, agradecer a Deus e a nossa querida Mãe, por todas as graças do primeiro século de Schoenstatt e sermos um fundamento sólido neste novo século.

Fonte: Carta Circular da Comunidade de Oração Mariana Eucarística de Schoenstatt