É preciso permitir que Deus “nos beije”

10 de dezembro de 2015

Em intimidade com o Senhor, a caminho do Natal.

retiro comunidade de oraçãoKaren Bueno – A necessidade de silenciar e se preparar para o Natal leva 72 pessoas a participarem do retiro da Comunidade de Oração Mariano-Eucarística de Schoenstatt (Comes). De 3 a 5 de dezembro o Santuário de Atibaia/SP recebe representantes de quatro estados brasileiros – Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e São Paulo – para o encontro, que neste ano tem como tema “Vida de oração dentro da cultura da Aliança: um chamado à santidade”.

A Comes é um trabalho apostólico coordenado pelas Irmãs de Maria Adoradoras e são também elas que organizam o retiro. Ir. M. Ana Luiza Cerantola conta: “Percebemos que as pessoas queriam muito se preparar para o Natal e gostaram muito de que esse retiro fosse no Advento. O objetivo do encontro é a preparação para o Natal e ao mesmo tempo aprofundar a Aliança de Amor, o empenho pela canonização do Pe. José Kentenich e renovar a missão de tornar nova a vida de oração”.

Os três dias de retiro são acompanhados por Pe. Francisco Gonçalves, de Capela do Alto/SP, que prega as palestras. Suas palavras inquietam e levam à autorreflexão. Num primeiro momento ele faz um convite ao silêncio: “Pode nos custar muito nos desligarmos do mundo, especialmente do mundo que mora dentro de nós – preocupações, deveres e afazeres –, mas quando estamos na presença de Deus, educados que somos pela MTA, torna-se fácil superar essas dificuldades e aí Deus pode nos falar e nós podemos ouvi-lo”.

Com auxílio da Bíblia, no evangelho de Marcos (1, 21-16), Pe. Francisco leva todos a meditarem sobre o relativismo do “já sei” que impera. Ele explica: “Nessa passagem vemos que o espírito impuro ‘sabe quem é Jesus’. Esse tipo de tentação nos distancia de Deus, pois podemos achar que ‘já sabemos’ e nesse saber nos acomodamos e podemos nos tornar ‘surdos de Deus’ e com dificuldade de falar das coisas de Deus. A surdez que nos acomoda, o ‘fazer-se surdo’, nos leva a uma linguagem rude das coisas do alto – piadas, conversas sem conteúdo, fofoca, murmuração, etc.”.

Sempre destacando o papel fundamental da Aliança de Amor, usando a vida e os desafios do Pe. José Kentenich como exemplo, Pe. Francisco afirma: “É preciso permitir que Deus ‘nos beije’ e transmita para nós sua intimidade”. Ele se refere à passagem bíblica aonde Jesus faz uma mistura de saliva e terra e passa na boca do surdo-mudo: “É o beijo do Amado Criador na sua criatura amada”. E aponta o caminho: “Maria é nosso modelo de intimidade com o Senhor, nossa Educadora. Precisamos olhar para as atitudes de nossa Mãe e redescobrir o gosto de estar em oração e aí, nesse espaço privilegiado, ouvir Deus e nos encorajar nos reveses da vida como lugar da manifestação misericordiosa de Deus”.

Os participantes aproveitam bem a oportunidade: “Fui convidada a participar justo na hora em que estava precisando me reabastecer das graças de Nossa Senhora. Gostei muito do retiro, as palestras são excelentes, permitem que a gente se questione sobre coisas que nunca paramos para pensar”, diz Carmem Cintra, de Brazópolis/MG. “Aqui experimentamos o silêncio de Maria. Normalmente no dia a dia, no corre-corre, nos afazeres, não conseguimos silenciar como Nossa Senhora e o retiro é bom para isso”, comenta Tânia Martins, de Niterói/RJ.

Ir. M. Marlenis Hoppe conduz ainda uma meditação sobre o período do Advento, preparando todos para a chegada de Jesus e algumas vocacionadas do Instituto das Irmãs de Maria apresentam a “Procura de Albergue”, uma vivência própria dessa época em que José e Maria batem de porta em porta procurando um lugar para se hospedarem.

Durante os dias de retiro há várias oportunidades de oração e silêncio, a reza da Via-Sacra, procissão, terço e muitas outras atividades que preparam todos para a Noite Santa. De tudo isso destaca-se o encontro pessoal com a Mãe de Deus que no Santuário os acolhe, transforma e envia como homens novos, em intimidade com Deus.