É possível ter um casamento duradouro

15 de abril de 2015

Dicas e segredos dos casais de Schoenstatt.

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Karen Bueno – Segundo pesquisa do IBGE, em 2012 o Brasil registrou 341.600 divórcios concedidos em primeira instância e sem recursos ou por escrituras extrajudiciais. Neste início do século XXI, questiona-se cada vez mais o valor do matrimônio. “Penso que a família cristã, o casamento, nunca foram tão atacados como agora. Atacados de fato, diretamente. […] a família está sendo atingida, a família está sendo derrubada, se banaliza a família, você pode chamar família a tudo, não!?”, diz o Papa Francisco na audiência com o Movimento de Schoenstatt no dia 25 de outubro de 2014.

Vivendo esse contexto social, surge a pergunta: é possível ter um casamento duradouro, que perdure por toda vida? O Movimento Apostólico de Schoenstatt mostra que sim, é possível, basta olhar para os casais da Obra das Famílias, que dão belos testemunhos de união e perseverança fundamentados na fé.

Que não é fácil manter um casamento e uma família, isso eles não negam, mas apresentam algumas dicas e sugestões que deram certo em seus lares e os ajudam a constituir um santo matrimônio, à exemplo da Sagrada Família.

Testemunhos de uma história a dois

Neste final de semana, dias 11 e 12 de abril, alguns casais da Liga de Famílias de Schoenstatt participaram do retiro ‘Vivendo a Aliança na Maturidade’. São pessoas experientes, casadas há vários anos e com muita sabedoria para compartilhar.

Maria Luísa e Mariano Silva, de Cotia/SP, recém completaram 32 anos de matrimônio. O segredo de uma relação duradoura, para eles, é a paciência, o amor, a tolerância, “tendo muito de tudo isso, um pouquinho a cada dia, com sabedoria para viver juntos”. A base familiar que tiveram foi fundamental para a constituição de um casamento sólido: “Aprendemos desde cedo que o casamento é para a vida toda, que a gente não se casa a dois, mas a três – nós e Deus – jurando fidelidade, carinho, atenção; e temos que nos apegar a isso”.

A Igreja deixa uma mensagem calorosa aos cônjuges que vivem o sacramento do matrimônio com perseverança, ressaltando que eles são a prova de que é possível, de fato, ter um casamento para a vida toda. “Com íntima alegria e profunda consolação, a Igreja olha para as famílias que permanecem fiéis aos ensinamentos do Evangelho, agradecendo-lhes e encorajando-as pelo testemunho que oferecem. Com efeito, graças a elas torna-se credível a beleza do matrimônio indissolúvel e fiel para sempre”(Relatio Synodi, 23).

Outro casal que está junto há vários anos é Maria do Carmo e Armando Pereira, de São Paulo/SP. Segundo eles, “o segredo de um casamento longo é ter um objetivo de vida e levar isso da forma mais amena possível, superando dificuldades e olhando mais para frente que para trás, tentando ser sempre melhor do que foi no dia anterior”.

Armando comenta das dificuldades que as famílias enfrentam, que é preciso ter foco e perseverança. “Hoje em dia, entre os casais, prevalece a intolerância. Nós temos que analisar os problemas, tentar corrigi-los e avançar para uma situação cada vez melhor. Porque depois chegam os filhos e é outra etapa da vida, aí eles crescem e a gente torna a ficar sozinhos, então é preciso levar a vida de maneira mais amena e bonita, do jeito que deve ser”. Maria do Carmo concorda e acrescenta: “É preciso ter fé, oferecer muito Capital de Graças e saber perdoar, sempre visando o crescimento”.

Os quatro “R”

Uma metodologia schoenstattiana que tem por objetivo ajudar a manter vivo o amor conjugal, o diálogo com Deus e com a Mãe, unindo isso à fé na vida cotidiana são os chamados quatro “R”. São eles:

REZAR: a oração diária entre esposos é essencial. Pelo matrimônio, surge na família uma “pequena Igreja doméstica”, que precisa estar vinculada a Deus.

REENCANTAR: trata-se de manter vivo o amor mútuo, para isso o casal necessita reservar um tempo para estar junto, para se entreter, traçar metas, assim como faziam quando eram namorados.

REVISAR: lançar um olhar ao que passou, tanto na relação conjugal, como na relação com Deus e consigo próprio. Ao mesmo tempo, considerar também o que o próximo mês reserva, definindo metas claras.

RENOVAR: de maneira semelhante à revisão mensal, reservar uma vez ao ano um tempo adequado para fazer uma revisão anual, renovando o projeto de vida como casal e estabelecendo metas para o próximo ano.

Para aqueles que ainda vão se casar

Um casal que está às portas de completar 45 anos de união é Paulo e Jorginéa Mello, de Niterói/RJ. O casamento dos dois tem um fundamento muito sólido: “Quem nos uniu foi Deus. Ele, com a ajuda de Maria, construiu a nossa casa sobre a rocha. Conosco prevaleceu o amor que gerou o perdão, a tolerância, as renúncias, os sacrifícios, mas também muitas alegrias, principalmente com a chegada dos nossos filhos e netos”.

Eles acreditam que, sim, é possível que os casais jovens também tenham um casamento duradouro: “Se estiverem conscientes de que estarão se comprometendo com o Sacramento do Matrimônio e amarem-se mutuamente, não temos dúvidas. Cada um deve ter a preocupação de querer fazer o outro feliz”.

O Relatório Final do Sínodo Extraordinário dos Bispos aponta a necessidade de revelar a beleza do matrimônio aos jovens casais: “Os jovens batizados devem ser encorajados a não hesitar diante da riqueza que o sacramento do Matrimônio suscita nos seus planos de amor, fortalecidos pelo apoio que recebem da graça de Cristo e da possibilidade de participar plenamente na vida da Igreja”(Relatio Synodi, 26).

Paulo e Néa Mello deixam uma dica para os namorados, algo que deu certo em sua própria relação: “Que o namoro não seja a dois, mas a quatro: que convidem Jesus e Maria para orientá-los antes, durante e depois do namoro. Amem-se muito e assim saberão amar um ao outro; respeitem-se mutuamente, isso é fundamental; sejam companheiros, amigos, cúmplices e parceiros de todas as horas e, em qualquer situação, sejam fiéis”. Afinal, é possível, sim, ter um casamento santo, como o da Sagrada Família, basta que as mulheres se disponham a ser Maria e os homens se inspirem em José.

Sugestão de leitura: Trilhando o caminho de Schoenstatt (18 x 11,5 cm, 48 páginas, brochura, edições Aliança): Um livro para todas as famílias, que traz dicas de oração e diálogo conjugal.