Deus se faz homem, por meio de Maria

28 de setembro de 2015

Deus reata a aliança: ele se faz Homem!

Ir. M. Nilza P. da Silva – Por meio de Maria, ele vem até nós como Filho e nos busca de volta para seu amor. Jesus rompe a divisão, faz-nos filhos n’Ele. Mas, ele não retira a liberdade. Deus mesmo se fez vínculo de unidade. Jesus é modelo de plena vinculação ao Pai, sem perder a sua essência de Filho é um só com o Pai e gira somente em torno dele. Nele cada um de nós e todos juntos vamos ao Pai.

Na sua oração pontifical, vemos claramente que sua missão é unir a humanidade com o Pai: “Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade… para que sejam um, como nós somos um: eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim” (Jo 17, 19;22;23).

Desde então, a vida humana é um constante ir a Cristo e voltar para o Pai ou afastar-se dele. Jesus restaurou o equilíbrio de vínculos que o pecado havia destruído. Se o pecado foi a bomba atômica que dividiu o humano do Divino, Jesus é a força de restauração que une novamente e vincula.

O caminho que Deus usou para vir restaurar o vínculo de unidade chama-se Maria. Ele poderia ter contrariado as leis da natureza e simplesmente aparecido feito homem. Mas, Deus é o Senhor dos vínculos e ele quer nos ensinar que as pessoas são pontes de unidade com Ele. Maria é essa ponte singular: em seu ventre o céu e a terra se unem.

Maria é modelo de ser organicamente vinculado

Vivendo numa sociedade em pecado, uma sociedade mecanicista, Maria jamais agiu contra a força de atração de Deus. Livremente, ela se decidiu pela graça que lhe foi concedida em sua imaculada concepção. Por isso, “Deus se fez carne por meio de Maria, começou a fazer parte de um povo, constituiu o centro da história. Ela é o ponto de união entre o céu e a terra. Sem Maria desencarna-se o Evangelho, desfigura-se e transforma-se em ideologia, em racionalismo espiritualista” (Puebla 15 301).

Maria foi a que, por primeiro, teve a graça de contemplar o rosto do Cristo. Nessa contemplação, ela encontrou a razão mais profunda de sua fé. Contemplar o rosto de Cristo, encontrar-se pessoalmente com ele, é o caminho para a descoberta do seu mistério, indispensável para a ação do discípulo missionário. Maria abriu caminho para que possamos ver o rosto de Deus. Por meio dela, Deus adquiriu um rosto, a ponto de Jesus proclamar: “Quem me vê, vê o Pai.” (Jo 14,9.)

Sua maternidade desperta o filho em cada um de nós, atrai-nos para reatar e viver vinculados a Deus: “Maria, mãe, desperta o coração do filho adormecido em cada homem. Assim, nos leva a desenvolver a vida do batismo pela qual nos tornamos filhos. Ao mesmo tempo esse carisma materno faz crescer em nós a fraternidade e, assim, Maria faz com que a Igreja se sinta uma família” (Puebla 295).

Acolher Maria como Mãe é desejo de seu Filho

Ele no-la presenteou do alto da cruz. “A partir disso, ela é ícone de uma Igreja que é Mãe e Família dos discípulos de seu Filho. Ela é também imagem da ternura da Igreja que acolhe os discípulos de Jesus, e ora como eles e por eles, para não decaiam em sua fé e em sua esperança” (Puebla 68).

A Igreja nos pede para vincular-nos a Maria e seguir o seu exemplo de vinculação ao Pai, mesmo nos momentos incompreensíveis de nossa vida: “Simplesmente desejamos que todos os membros do povo fiel, reconhecendo o testemunho de Maria e também dos santos, procurem imitá-los cada dia mais (Aparecida 242).

“Ela viveu completamente toda a peregrinação da fé como mãe de Cristo e depois dos discípulos, sem estar livre da incompreensão e da busca constante do projeto do Pai. Alcançou, dessa forma, o fato de estar ao pé da cruz em comunhão profunda, para entrar plenamente no mistério da Aliança” (Aparecida 266).