Conhecer o passado para construir os novos tempos

24 de outubro de 2015

Schoenstatt é Igreja.

congressoKaren Bueno – “Schoenstatt somos nós. Schoenstatt é um Movimento de renovação no coração da Igreja para o mundo. Sua missão é levar e viver a cultura da Aliança, sua missão é ser Igreja”. Essas são algumas das reflexões apresentadas pelos participantes já na manhã deste sábado, 24, no Congresso de Outubro do regional Sudeste. Depois do despertar e da oração, iniciam os trabalhos, as palestras que direcionam e aprofundam as correntes de vida fortes deste novo século.

Os temas da manhã levam os congressistas a redescobrirem o período do Exílio do Pai e Fundador, já que em 2015 a Família de Schoenstatt celebra 50 anos do regresso do Pe. Kentenich de Milwaukee/EUA. A Sra. Raquel Padilla, superiora do Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt no Brasil, apresenta a primeira parte da reflexão, com o tema “Irrupção de poderes sobrenaturais”. Ela conta em detalhes as fases, os principais marcos de cada ano, desde os fatos que antecederam o Exílio, passando pelos 14 anos do Pe. Kentenich nos Estados Unidos, o duro processo de sua reabilitação, até, por fim, o retorno e encontro com os filhos em Schoenstatt em 1965.

Para alguns essa é uma oportunidade especial de mergulhar com mais profundidade nesse momento histórico tão decisivo para a Obra de Schoenstatt. “Já tinha lido um pouco sobre o Exílio, mas não o conhecia com tantos detalhes. Percebemos que tem uma riqueza muito grande de datas, de acontecimentos, a Providência Divina agindo em momentos de grande dificuldade. Fiquei maravilhado com a palestra, com essa riqueza de fatos, o tema veio reforçar a nossa fé, nos ensinar muito mais coisas e também nos provocar para que a gente se aprofunde e conheça mais sobre o Exílio”, diz Johannes Gregoratto, presidente do Conselho da Família de Schoenstatt de Brasília/DF.

A Sra. Raquel salienta que é preciso estar atento aos detalhes que marcam a trajetória de Schoenstatt: “À medida que vamos conhecendo melhor nossa história, vamos também descobrindo o coração do nosso Fundador. Às vezes vemos nossa história de forma superficial, mas ela tem muita riqueza; olhando para ela com um pouco mais de profundidade percebemos qual é o mistério de Deus, qual é a missão que ele nos confia. Se vemos isso tudo de forma simples, superficial, a história perde seu peso. Schoenstatt é uma obra divina, repleta de detalhes: uma coisa coincide com a outra, há uma luta e uma luta forte, são 14 anos de batalha permanente e Deus se manifestou, ele queria Schoenstatt”.

Schoenstatt traz respostas

Depois de uma curta pausa, segue a segunda parte da palestra, preparada por Pe. José Fernando Bonine, do Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt. Sua missão nesse momento é indicar como Schoenstatt traz respostas para a Igreja, como esse carisma antecipou o Concílio Vaticano II.

Duas perguntas lançadas no início do Concílio – Igreja, quem és tu? Igreja, que tu fazes? – intrigam e levam os participantes do Congresso à discussão em grupos. Como Família, os congressistas também são desafiados a responder: Schoenstatt, quem és tu? Schoenstatt, que tu fazes? Numa dinâmica, cada pessoa contempla seu rosto num espelho, como pista para a reflexão sobre as perguntas, por fim todos se questionam e apresentam o resultado das discussões.

Da nova concepção de Igreja quem vem com o Vaticano II, Pe. Kentenich destaca três aspectos, que são reiterados por Pe. José Fernando: uma Igreja Peregrina, uma Igreja fraterna e uma Igreja que é a alma do mundo e da cultura.

“A ideia de uma Igreja peregrina é uma mudança de conceitos frente a séculos. Antes ela era uma figura parada, todos deveriam ir até ela; com o Concílio isso muda. O Pai e Fundador fala da Igreja como um barco em movimento – isso é uma mudança copérnica, mexe com todos os conceitos da Igreja na época. As palavras de nosso Fundador vão de encontro a tudo que o Papa Francisco diz hoje”, afirma o Padre de Schoenstatt.

Sobre a Igreja fraterna, Pe. Bonine recorda que os pastores – padres, bispos, autoridades em geral – permaneciam distantes do povo, a responsabilidade pela Igreja estava unicamente em suas mãos. Desde a fundação de Schoenstatt, Pe. Kentenich fala da santificação universal, do importante papel do leigo na vida eclesiástica. “O Pai e Fundador usa a expressão ‘Igreja, família de Deus’, esse mesmo termo entra na definição de Igreja nos documentos do Concílio”.

Para a Igreja ser a alma do mundo e da cultura, é necessário diálogo, o que sempre existiu no Movimento Apostólico de Schoenstatt: “Essa imagem de Igreja pós-conciliar já estava presente em Schoenstatt desde o começo”, diz Pe. José Fernando, e tudo isso está muito ligado à cultura do encontro que o Papa Francisco tanto pede.

Há um fator decisivo para Schoenstatt ter vivido o espírito do Concílio Vaticano II desde o começo, segundo o palestrante: “Nós sempre nos vimos na dependência de Maria e isso traz consequências. Maria é Mãe, modelo e Educadora, isso muda a percepção de Igreja”.

O ‘sim’ de Maria, que quer ser imitado pela Família de Schoenstatt, leva a uma fé prática na Divina Providência, o que permite à Obra estar aberta para o atuar de Deus e, por isso, estar em movimento, ser peregrina, fraterna e a alma do mundo e da cultura. “Somos mestres em viver a fé prática na Divina Providência, isso aprendemos com nosso Pai; não apenas sabemos que ela existe, mas a vivemos em nosso dia-a-dia”, afirma Pe. José Fernando.

A palestra encerra a parte da manhã e os trabalhos seguem, afinal, ainda há muito a se fazer, o Pai espera muitos frutos deste encontro.

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