Congresso: Muito estudo, aprofundamento e familiaridade

16 de julho de 2016

Manhã de sábado intensa.

congressoKaren Bueno – Um dia intenso de trabalho aguarda a todos os participantes do Congresso sobre Beleza da Vocação Matrimonial neste sábado, 16 de julho. A data em que se celebra a fundação da Obra das Famílias de Schoenstatt é ocasião de festa e muita reflexão, com palestras, mesa redonda e a ansiedade pelas grandes vivências programadas para esse dia.

A manhã é dedicada a descobrir o que São João Paulo II, o Papa Francisco e o Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, esperam das famílias hoje. Para isso, os chilenos Luis e Pilar Jensen, casal do Instituto de Famílias de Schoenstatt que acompanhou os dois Sínodos dos Bispos sobre a família, representando os leigos, apresentam a proposta de Igreja que o Papa Francisco quer traçar, a partir das famílias. Suas palavras adentram o conteúdo da Exortação Amoris Laetitia: “É um documento precioso no qual o Santo Padre escreve, em sua linguagem acessível, sobre esse tema. Ele o faz de uma forma magistral, porque coloca o seu coração neste livro”.

Os dois contam, com palavras e fotos, sua experiência nos Sínodos: “O encontro de 2014 estava centrado nos desafios da família. O que interessava ao Papa era rever o ideal de família, aprofundar sua vivência. É uma nova forma de conduzir a Igreja, que se assemelha muito mais ao ser família. O panorama apresentado é da Igreja como um hospital de campanha”.

Impressionou aos padres sinodais – dizem os Jensen – o testemunhos dos casais que representavam os leigos: “Todos diziam: ‘Estamos felizes de sermos casados, estamos felizes de sermos famílias’, Os padres comentavam: ‘temos de ouvir mais aos leigos, pois, apesar dos desafios, há muita beleza no matrimônio’”.

Sobre os casais canonizados pela Igreja, eles apontam: “A santidade não é uma utopia, o Papa quer nos dizer que é uma realidade”. Para a Obra das Famílias, isso é uma grande missão: “A Aliança de Amor é um ótimo caminho para entender a Aliança matrimonial, e vice-versa, por isso, como schoenstattianos, somos privilegiados. Os capítulos centrais do documento são sobre o amor, aplicado à vida cotidiana da família. Fala-se, na exortação, da Aliança de Amor. Como Schoenstatt, somos convidados a embarcar nesse processo que o Santo Padre quer que se realize”.

Em outro momento, eles falam: “Para nós, o Santuário Lar é uma realização concreta e pedagógica da Igreja doméstica. O Papa quer que a Igreja seja uma grande família. Nós devemos ser fundamento e coroa desse processo. A nova ordem social, sonhada pelo Dr. Kühr, passa pela família, não tem como seguir outro caminho”.

O matrimônio no magistério

Em seguida inicia a mesa redonda sobre a vocação matrimonial, dirigida pelo casal Ronaldo e Angélica Hashimoto, do Instituto. A primeira a falar é Ir. Fernanda Balan, sobre o matrimônio no magistério de São João Paulo II. Ela, que conheceu o Santo Padre João Paulo II, compartilha sua ampla experiência de trabalho com as famílias.

“Sua visão é orgânica e integral da pessoa humana: psíquica, espiritual, natural e sobrenatural. Ele fala do homem de forma concreta. Em suas catequeses inovadoras, aborda a teologia do corpo, da pessoa e a sacramentalidade do matrimônio”, diz ela sobre a obra de João Paulo II.

“É para a liberdade que Deus nos criou, o que, segundo João Paulo II, é a abertura para a graça.
Para João Paulo II, o que mais identifica a Santíssima Trindade na terra é a família”. Segundo Ir. M. Fernanda, o Papa João Paulo II avançou em seu magistério ao interpretar certos textos bíblicos sob a ótica da família. Ele valoriza a bíblia, sem deixar de lado a tradição e o magistério da Igreja, trazendo grandes contribuições para essa discussão.

Pe. Ivan Simicic, assistente nacional do Instituto de Famílias, apresenta do matrimônio no magistério do Papa Francisco, sob a ótica da alegria do amor. “Ele fala da Boa Nova do matrimonio. Desde o início ele assumiu com muita força a missão de anunciar esse evangelho e dar forças para viver o matrimônio. Sobressai o pensamento do Papa Francisco numa perspectiva eminentemente positiva. Ele se centra no matrimônio como um dom para a família, a Igreja, o mundo”.

Segundo Pe. Ivan, se destaca no Papa Francisco seu carisma pastoral e pedagógico. “Ele nos convida a tomar consciência do Ano Santo da Misericórdia para acompanhar as famílias. Esta abertura e acolhimento que o Papa propõe nos mostra uma Igreja aberta a todos, nas mais diversas realidades”.

Sobre a Exortação Amoris Laetitia, ele indica: “A coluna da exortação é o amor matrimonial, por isso temos que nos aprofundar nesses capítulos que falam da alegria do amor e são centrais em seu pensamento (capítulos 4 e 5). Para ele está claro que a força da família reside na sua capacidade de amar e de ensinar a amar. O Papa é um pastor que nos oferece caminhos concretos para crescer e amadurecer”. Um exemplo: “Cuidar da alegria e da beleza do amor na capacidade de contemplar no outro suas qualidade e seu valor”.

O casal Pepo e Patrícia Kostner, membros da direção geral do Instituto de Famílias, fala da vocação familiar sob a ótica do Pai e Fundador. Eles apresentam uma contextualização histórica e seguem apoiando-se em três linhas:

Ordem do ser: Pe. Kentenich sempre se deixou guiar pela ordem do ser, pela ideia de que por detrás de tudo o que Deus criou há uma ideia original, um plano original. Também para o matrimonio há uma ideia original desde toda eternidade. Deus criou-nos a sua imagem e semelhança, ou seja, como uma comunidade de amor. A família é um reflexo, um sinal visível da Santíssima Trindade aqui na terra e o Pe. Kentenich afirma isso repetidas vez. Nazaré é essa ideia original, nosso modelo. A palavra Nazaré condensa todas as virtudes que uma família cristã deveria ter.

Escola de Milwalkee: Nessa cidade o Pe. Kentenich trabalha intensamente com as famílias. Entre suas reflexões, apresenta as quatro dimensões que o amor deveria ter, o cultivo do amor sexual, erótico, espiritual e sobrenatural. Segundo o Fundador, nenhuma dessas dimensões predomina sobre a outra e se alguma faltar, o matrimonio perde seu equilíbrio. Todas as dimensões devem conduzir a Deus.

Matrimônio como caminho de santidade para uma nova ordem social: Pe. Kentenich oferece um novo conceito de santidade familiar, que chamou de santidade da vida diária matrimonial. Isso significa que podemos caminhar juntos ao longo do caminho, um santifica o outro, na força do sacramento. Os campos onde podemos viver essa santificação são infinitos. Hoje em dia falamos muito da corrupção dos nosso governantes, mas não podemos esquecer que eles procedem de uma família. O modelo da ética e da honestidade que seguimos modelam-se na própria família. Para o Fundador, a família é chamada a ser preclaro de uma nova ordem social, isso tem forte cunho político e social.

As vivências do Congresso continuam a partir daí, com uma tarde repleta de vivências profundas, aguarde por mais notícias…