Como foi o primeiro dia da Aliança de Amor no Brasil?

7 de outubro de 2015

Conheça a história do “Ato do Tijolo”.

jacarezinhoKaren Bueno – A festa dos cem anos da Aliança de Amor em 2014 foi transmitida ao vivo, direto de Schoenstatt, para todo o mundo pela internet. Se alguém deseja ver imagens instantâneas do Santuário Original, a qualquer momento pode acessar a janela virtual direto da própria casa, ou do trabalho, etc. Inúmeros textos, imagens, vídeos são compartilhados a todo momento dos muitos Santuário, paróquias, igrejas que celebram a Aliança de Amor. Essa é a realidade da nossa época, assim os filhos de Schoenstatt iniciam seu segundo século.

Caminhamos, em 2015, para o centésimo primeiro dia da Aliança de Amor. No Brasil, será a 80ª vez que a Família de Schoenstatt celebra essa data, pois recordamos os 80 anos da chegada das primeiras Irmãs de Maria em nossa pátria. Mas, como foi celebrado o dia 18 de outubro pela primeira vez no Brasil? Obviamente não tinham câmeras nem televisão para transmitir, nem dava para postar fotos nas redes sociais, mesmo assim é um momento privado, simples, que marca a história de Schoenstatt em terras brasileiras.

Enraizadas no solo de Schoenstatt

irmas pioneiras

12 Irmãs de Maria pioneiras

Fazia apenas quatro meses que as 12 Irmãs de Maria pioneiras tinham chegado ao país. Elas se instalaram em Jacarezinho/PR, no colégio Cristo Rei, e a situação era bastante precária financeiramente, ainda assim, com todas as dificuldades, elas desejavam celebrar essa data tão importante para a Obra de Schoenstatt, mesmo que de forma singela.

Pela primeira vez esse grupo se distanciava de Schoenstatt no dia da fundação, e precisava estar, de alguma forma, ligado à origem. Para isso preparam uma vivência que marca o início de Schoenstatt no Brasil.

Ir. M. Almut Weingärtner, além de roupas e pertences pessoais, trouxe em sua mala algo muito especial. Ela conta: “Eu trouxe um tijolo de Schoenstatt, da casa Mãe das Irmãs de Maria em construção. Queria trazer algo de lá, junto comigo, mas não sabia o que poderia ser. Até que encontramos – eu e mais duas Irmãs – esta saída. O tijolo passou uma noite no Santuário Original para impregnar-se de suas bênçãos. Depois, numa noite, pedi secretamente ao Fundador, Pe. José Kentenich, que o benzesse[1]”. Essa foi a forma criativa e eficaz que Ir. M. Almut encontrou de mantê-las vinculadas à origem.

No dia 18 de outubro de 1935, sobre a mesa do refeitório e da sala de reuniões das Irmãs, no colégio, estava colocado um tijolo e 12 velinhas ao redor dele. As Irmãs se surpreenderam com aquilo, não sabiam da “travessura” de Ir. M. Almut. Esse ponto de contato com Schoenstatt as fez sentirem-se mais próximas do Santuário Original no primeiro dia da Aliança de Amor celebrado no Brasil. Elas então redigiram uma pequena oração que, depois de rezada, foi assinada por todas:

“Mãe Três Vezes Admirável, aceita-nos hoje como vivas pedras de construção e imerge-nos em terras brasileiras! De teu Santuário fecunda nossos trabalhos e nossas aspirações! A exemplo de nossos congregados heróis, transforma-nos em construtores que te ajudam a edificar teu reino no Brasil. Mãe, nada sem Ti, mas também nada sem nós! Como fracos instrumentos de nossa Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt, queremos viver e morrer por nossa tarefa Schoenstatt no Brasil. Mater Habebit Curam (A Mãe de Deus Cuidará)”

Essa oração tornou-se o documento que caracteriza o espírito do Schoenstatt brasileiro. As Irmãs relatam: “Foi um momento verdadeiramente profundo. Todas estávamos sob a impressão de que o que assinávamos era extremamente sério e exigia tudo de nós. Cada uma assinou seu nome, com nova prontidão heroica[2]”.

Pedras vivas que sustentam o futuro

Esse momento simbólico que marca o primeiro dia da Aliança em solo brasileiro é conhecido como “Ato do Tijolo”. Essa peça que Ir. M. Almut trouxe consigo, o tijolo, foi fixado no alicerce do Colégio Mãe de Deus, em Londrina/PR. Atualmente, na lateral do Santuário de Jacarezinho/PR está um monumento com uma cruz e um tijolo, fazendo memória das Irmãs pioneiras e desse ato histórico.

Hoje é possível estar muito mais perto de Schoenstatt e do Santuário Original, a apenas um “clique” de distância, por isso todos são convidados a voltar o olhar para essa fonte de graças e de novo renovar a Aliança de Amor. Passados 80 anos, que cada filho de Schoenstatt do Brasil possa se sentir, como as primeiras 12 Irmãs de Maria, uma pedra viva que sustenta a Obra e faz formar uma terra santa mariana neste solo.

[1] Testemunho retirado das crônicas das Irmãs de Maria de Schoenstatt.
[2] Idem