Como é feito o quadro da Ave Maria?

18 de abril de 2015

Mais de 20.000 missangas formam essa obra de arte.

ave-mariaKaren Bueno – Um primeiro olhar não revela a riqueza de detalhes que há no quadro sobre o arco do Santuário. A saudação à Maria feita pelo Anjo Gabriel – Ave Maria – está expressa nos Santuários de Schoenstatt de maneira singela, porém com uma grande riqueza histórica e artística.

São cem anos dessa peça que adorna e saúda Nossa Senhora e que alegrou muito o Pai e Fundador pelo amor que os jovens dedicavam à capelinha do Vale de Schoenstatt. O quadro Ave Maria completa seu centenário quase que junto com a imagem da Mãe Três Vezes Admirável, já que foram entronizados na mesma época no Santuário Original.

Em maio de 1915, Pe. Kentenich escreve para um congregado que estava fora:

“No pouco tempo em que estiveste fora, a nossa pequena capela tem mudado de aspecto. O São Miguel teve de ceder o lugar a uma linda imagem de Nossa Senhora com o Menino, um presente do Padre Huggle. Foi-lhe dado [ao São Miguel] um pedestal do lado esquerdo do altar, onde reina como guardião do Santíssimo Sacramento. No arco principal do Santuário foi colocado um magnífico bordado que diz ‘Ave Maria’. O Irmão Franz fê-lo nos seus tempos livres durante um ano e meio. O marceneiro que o emoldurou para nós (por 17.5 Marcos) estimou o seu valor entre 300 e 400 Marcos, o que poderá ser um pouco exagerado. Mas, estamos muito contentes com a nossa capela e sentimo-nos em casa como nunca até agora. Deverias sentir-te igualmente em casa, pois recebes uma grande porcentagem dos objetivos do Capital de Graças que estamos a reunir aqui durante o mês de maio; mas tu tens também de contribuir com a tua parte neste capital. Tu compreendes…” (Herois de Fogo, Pe. Jonathan Niehaus, pág. 248)

Como explica o Fundador, o primeiro quadro foi bordado por um Irmão Palotino, e não se sabe ao certo porque ou quando ele o bordou, porém a complexidade da obra revela seu grande amor à Maria.

Como ele é feito hoje?

Atualmente, na Província Schoenstatt Tabor das Irmãs de Maria, com sede em Atibaia/SP, há quatro mãos habilidosas que criam esses quadros. Ir. M. Lucinda Schüpper e Ir. M. Dilecta Rubin dedicam várias horas bordando a Ave Maria para todos os 12 Santuários ligados a essa Província.

Olhando de longe não dá para perceber, mas a gravura do quadro não é feita com linhas, aliás, as linhas nem aparecem, todo o desenho é formado por missangas minúsculas – mais de 20 mil – que revelam o desenho do quadro.

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Ir. M. Lucinda foi a primeira a bordar o quadro na Província.

Ir. M. Lucinda, que é adoradora, foi quem começou a bordar primeiro nessa Província. Ela explica que o quadro é resultado de uma aspiração ligada ao seu curso de Irmãs: “Fui me informando e descobri que as Irmãs Adoradoras da Alemanha tinham bordado um quadro para o nosso Santuário familiar no Monte Schoenstatt, então elas me enviaram o material e o linho já riscado, aí eu fui fazendo”.

O primeiro quadro bordado por Ir. M. Lucinda foi para o Santuário de Atibaia/SP, entronizado no dia 18 de novembro de 1985, depois para Londrina/PR e São Paulo/SP. Também os dois Santuários da Itália – Cor Ecclesiae e Matri Ecclesiae – receberam seu trabalho manual.

Ir. M. Lucinda Schüpper conta que levava cerca de 200 horas para produzir um quadro: “Hoje em dia vai um pouco mais de tempo, pela dificuldade de colocar as pedrinhas na agulha. Tenho mais de 80 anos, então é só com orações que consigo enxergar as pedrinhas e a linha; já levei mais de dez minutos para colocar a linha na agulha, porque essa agulha é muito pequena”.

Cada missanga é uma contribuição ao Capital de Graças

Ir. M. Dilecta Rubin borda esses quadros há menos tempo, porém dedica muito carinho ao trabalho. Ela explica que são usadas duas agulhas na montagem: “Em uma eu coloco as pedrinhas e com a outra vou pregando-as no tecido”. O quadro da Ave Maria é algo muito durável – prova disso é que o primeiro completa cem anos –, tudo é feito com muito cuidado e capricho, com material de boa qualidade.

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“O quadro representa a própria Maria”, diz Ir. M. Dilecta

“O quadro tem muitas curvas, e como a missanga é dura, não dobra, ela precisa ser bem pequena; quanto menor for a missanga, melhor fica o bordado”, diz Ir. M. Dilecta.

Os quadros que as Irmãs criam em Atibaia/SP têm algumas diferenças do original que está na Alemanha. Com o tempo, inseriu-se a sigla JK [José Kentenich] e o triângulo superior traz o símbolo do Olho do Pai, por exemplo. Outra diferença são as datas, cada Santuário escolhe alguma data referente à sua história para colocar, de acordo com a realidade local.

“Vejo meu trabalho como uma contribuição para que nossos Santuários sejam cada vez mais semelhantes ao Santuário Original, e para que a Mãe possa formar ali pequenos reflexos seus e de Jesus. Cada missanga e cada fio colocado é uma contribuição ao Capital de Graças”, diz Ir. M. Lucinda.

“O quadro da Ave Maria representa a própria Maria, ela que acolhe os peregrinos, seus filhos. A pessoa que entra no Santuário e olha para o quadro lá na frente, diz ou pensa ‘Ave Maria’, ela saúda Nossa Senhora, com as palavras do Anjo, porque enxergou essa saudação exposta”, ressalta Ir. M. Dilecta.

  • Maria Carolina Forte Svicero

    Maravilhoso e significativo trabalho….só a Mãe mesmo merece esta relíquia pois este trabalho manual não tem dinheiro que pague. Que Deus conserve a visão e habilidade destas irmãs de Maria e que as jovens também se dedicam para nunca perder esta maravilha que nossa Mãe merece tanto . Parabéns e São maravilhosos…. Maria Carolina