Chega o mês jubilar: 50 anos do final do Exílio

1 de outubro de 2015

22 de outubro de 1965: o último marco histórico.

papaKaren Bueno – A Família de Schoenstatt busca manter viva sua história, pois nela está a essência de sua espiritualidade, a raiz de tudo que foi conquistado ao longo dos anos. Para isso, recorda os diversos momentos importantes, e tem como pilares quatro fatos principais, os chamados Marcos Históricos, que são elementos fundamentais em sua história:

18 de Outubro de 1914, a fundação, dia da Aliança de Amor original;
20 de Janeiro de 1942, o ato confiante do Fundador de não interferir na ordem que o enviava ao campo de concentração de Dachau;
31 de Maio de 1949, a entrega da primeira parte da carta em resposta aos questionamentos da Igreja sobre a Obra de Schoenstatt, colocada sobre o altar do Santuário de Bellavista, em Santiago/Chile;
22 de outubro de 1965, o término do Exílio do Pai.

Toda essa história é vida, e como orientava o Fundador, “cada geração deve conquistar Schoenstatt novamente”. Por isso, nos 50 anos do último marco histórico, é essencial recordar esse momento tão feliz para a Família Internacional, que acolhe novamente seu Pai e Fundador e pode cumprir, sob o olhar terno e conivente da Igreja, a missão à qual foi chamada.

Foram 14 anos de muita luta, tanto espiritual como burocrática, para libertar o Pai das amarras que lhe foram impostas. Em 22 de outubro de 1951, o Santo Ofício ordenou que o Pe. Kentenich deveria abandonar Schoenstatt e todas as atividades ligadas à sua Obra. Ele partiu então para a Suíça e mais tarde para os Estados Unidos, onde permaneceu exiliado em Milwaukee, estado de Wisconsin, por exatos 14 anos.

Aqueles que foram fiéis à Obra de Schoenstatt nesse período, nos diversos países onde a Obra estava presente, iniciaram uma forte corrente de oração para libertar o Pai e faziam tudo que era possível junto às autoridades da Igreja para conquistar sua liberdade. Pe. Kentenich dizia que a Igreja tinha o direito de nos provar e que deveríamos ser dignos disso. “Na Família de Schoenstatt sempre existiu o costume, introduzido pelo Pe. Kentenich, de não se limitar as iniciativas a simples negociações diplomáticas, especialmente tratando-se de iniciativas de tal porte e cercadas de tantas dificuldades, como era o caso da libertação do Fundador. Convencidos da realidade da Providência Divina e do especial cuidado que Deus dispensa aos seus instrumentos e às suas obras, dava-se a maior importância às possibilidades que Deus e Nossa Senhora dispõem. Não é exagero dizer que com o exílio do Pe. Kentenich surgiu espontaneamente na Família de Schoenstatt, em todos os seus ramos, um movimento de orações e sacrifícios pelo regresso do Fundador. Este movimento era impulsionado por um elevado espírito de fé, por uma esperança heroica. Com o correr dos anos, esse movimento não diminuiu, mas cresceu e, não raramente, manifestou-se em ofertas heroicas para que os planos divinos a respeito de seu instrumento escolhido se cumprissem plenamente para a bênção da Igreja[1]”.

Um mês de gratidão

Uma grande dádiva desse período pós-Exílio é o Símbolo do Pai, expressão visível do amor paternal de Deus e da vinculação ao Pe. Kentenich. Depois de passar pelo campo de concentração de Dachau, a corrente em torno do Pai e Fundador foi se aprofundando, e a partir daí começaram a chamá-lo de fato como “Pai”; no período do Exílio e após seu término, essa corrente se consolidou, ganhou ainda mais força. Apesar de todas as dificuldades com o Exílio, a Família de Schoenstatt se uniu por uma causa comum, e pode, talvez mais do que nunca, ver-se como uma Família, madura e bem constituída, já com alguns anos de experiência e com a maioria das comunidades formadas.

Desse período a Obra carrega uma herança preciosa, com testemunhos heroicos das muitas dificuldades que enfrentou, e o que se sobressai é o amor e a confiança do Fundador para com a Igreja. Ele se manteve fiel e coerente a tudo que lhe foi imposto, tinha plena convicção de que a Divina Providência lhe conduziria, sob o olhar e intercessão da Mãe e Rainha, para novos tempos.

22 de outubro é, de fato, um Marco Histórico atual, que influencia a vida de todos os schoenstattianos e presenteia um belo testemunho – do Pe. Kentenich – a todos os católicos. Graças à liberação do Pai, a Igreja pode enriquecer-se com seu carisma e hoje leva em seu seio essa espiritualidade que corresponde à vocação de milhões de corações pelo mundo todo. O que seria de cada um se Schoenstatt não existisse ou ainda vivesse nas “catacumbas”? Este é um mês de graças, de reconhecimento e, sobretudo, de gratidão à Mãe Três Vezes Admirável, que se mostrou a grande Vencedora de todas as provações.

[1] Uma vida pela Igreja, Engelbert Monnerjahn, pág. 230.