Cem anos do Capital de Graças: nosso presente de amor

7 de maio de 2015

Santos que nascem pela Aliança.

capital-de-graçasKaren Bueno – Há muitas formas de presentear a Mãe de Deus com atos de carinho. A Família de Schoenstatt é muito criativa nesses presentes. Tem gente que transforma seus sacrifícios em flores, a exemplo de José Engling; tem aqueles que marcam as conquistas nos papeizinhos para queimar na Pira; outros convertem suas dificuldades em benefício para os outros. Tudo isso tem um fim único e muito importante: contribuir com o Capital de Graças da Mãe e Rainha.

Recentemente, o Movimento Apostólico de Schoenstatt celebrou os cem anos da entronização do quadro da MTA no Santuário Original, em abril de 1915. Aos poucos, a Capelinha da Congregação Mariana vai ganhando um “rosto” próprio, vai se tornando o lugar predileto dos jovens: “O São Miguel teve que ceder o lugar para uma linda imagem de Nossa Senhora com o Menino […]. No arco principal do Santuário foi colocado um magnífico bordado que diz Ave Maria”, escreve o Pe. Kentenich a um congregado, sobre as transformações que iam acontecendo na Capelinha. (The Founding of Schoenstatt, Pe. Jonathan Niehaus).

Em meio as várias mudanças surgidas, começa a ganhar vida a expressão “Capital de Graças”. No mês de maio de 1915, apenas 20 dias depois da entronização do quadro da Mãe no Santuário, a Rainha de Schoenstatt faz surgir essa corrente de vida: contribuições ao Capital de Graças.

Como sinal concreto das ofertas de amor à Maria e do empenho pela missão, os seminaristas colocam uma caixa de papelão sobre o altar do Santuário Original, onde estão escritos em papeizinhos alguns propósitos a serem cumpridos (cuidado com o vestuário e os sapatos, atenção com a higiene, silêncio nas filas, posição correta na capela, entre outros); cada um retira um papel com o compromisso de cumprir aquela tarefa em prova de amor à Mãe de Deus e responsabilidade pela missão.

Quando os jovens começaram a contribuir com o Capital de Graças?

As contribuições ao Capital de Graças vêm desde a fundação de Schoenstatt, como relata Olivo Cesca: “Um ideal polarizava agora as energias daqueles corações. Sabiam finalmente porque viviam e qual o sentido de sua luta. Nada deviam desperdiçar. Até o menor trabalho, a oração mais simples, o sacrifício por menor que fosse, passando pelas mãos de Nossa Senhora, se transformavam em graças. Entre eles começou uma santa competição. Não que fizessem coisas excepcionais. Seguiam vivendo sua vida costumeira na casa velha, desconfortável e fria. A diferença é que faziam tudo com mais vontade. […] Não que andassem com caras de ‘beatos’. Pelo contrário, seguiam praticando seus esportes alvoroçados, com muita alegria e muita garra. Se alguém alegava sentir-se indisposto, era convidado a jogar para o Capital de Graças” (Herois de Duas Espadas, pág. 61 e 62).

Passando o dia 18 de outubro de 1914, os jovens começam a assimilar as promessas e exigências da Aliança de Amor, e a contribuir com a Mãe de Deus, porém o nome “Capital de Graças” e sua representação concreta surge apenas em maio de 1915, portanto, há cem anos.

Mas afinal, o que é Capital de Graças?

Schoenstatt surge por meio da iniciativa divina, que inspira uma ação humana: convidar a Mãe de Deus a habitar em um determinado lugar – a Capelinha do Vale de Schoenstatt – e distribuir dali dons e graças em abundância.Mas, para que isso de fato aconteça, aqueles que a convidam se comprometem a oferecer muitos sacrifícios de autoeducação, sendo ‘santos modernos’. A Aliança de Amor é real enquanto cada um dos contraentes (a Mãe de Deus e os jovens, e atualmente cada um que tenha selado essa Aliança) cumprir o seu papel.

Para saber mais: O que é o Capital de Graças?

A MTA espera sua contribuição

O tempo passou e Deus é fiel a si mesmo. A condição para que a Capelinha de São Miguel se torne um Santuário da Mãe e Rainha depende das mesmas exigências da Aliança de Amor, como em outubro de 1914. A Mãe e Rainha permanece nos Santuários – filiais, lares, paroquiais, corações – enquanto houverem pessoas que ali lhe ofereçam sacrifícios de auto santificação, ou seja, muitas contribuições ao Capital de Graças.

Pe. Kentenich, em sua Pedagogia, dá dicas valiosas de como ser um santo na vida diária. Ferramentas como o horário espiritual e o ideal pessoal são uma grande ajuda e permitem observar de perto como está a colaboração com o Capital de Graças e o crescimento interior, basta estar disposto a utilizá-las.

Schoenstatt deixou de ser apenas um sonho, uma ideia predileta do Pe. Kentenich, porque os primeiros herois ofereceram tudo que podiam, até mesmo a vida, pela Aliança de Amor. Hoje, cada um que selou a Aliança é responsável por levar esta Obra para o novo século, dando a vida por ela. É preciso haver sempre “água na talha”,a fim de que Jesus transforme em vinho da graça. A Mãe espera por isso, do Santuário ela quer atingir o mundo todo com seus dons e graças, mas para isso necessita da contribuição de cada, um por menor que seja, para formar uma terra santa do Pai.