Belmonte é Schoenstatt, Schoenstatt é Igreja

4 de dezembro de 2015

Como tudo começou, há 50 anos…

santuario belmonteKaren Bueno – No dia 8 de dezembro, o Movimento Apostólico de Schoenstatt recorda os 50 anos da bênção do terreno do Santuário de Belmonte em Roma. Trata-se de um Centro muito especial para a Família Internacional, pois é um sinal concreto de que o Movimento está a serviço da Igreja, sempre unido ao Papa. O Santuário Matri Ecclesiae é também um presente oferecido ao Pai e Fundador pelos seus 80 anos de vida e uma ação de graças pelo final do exílio.

Na solenidade da bênção, no dia 8 de dezembro de 1965, participaram alguns representantes das comunidades e ramos do Movimento. Pe. Rudolf Weigand conta:

“Iniciamos esta hora solene com o Hino Jubilar e o Introito do “Rumo ao céu”. Pe. Wolfgang Muller fez uma alocução, na qual acentuou que queremos estar inteiramente a serviço da Igreja. Após o “Hino da Minha Terra”, Pe. Alex Menningen falou, por incumbência do Sr. Padre. […] A bênção da ermida foi oficiada por Dom Heinrich Tenhumberg, Bispo Auxiliar de Münster/Alemanha, depois que todos os presentes rezaram a oração de coroação. No fim, os representantes dos diversos ramos fizeram suas preces, nas quais foram expressas as exigências da Aliança de Amor, que não expressamos especificamente na oração. A hora solene terminou com a Ave Maria e a Salve Regina, em latim (junto com os italianos), a bênção episcopal e o canto ‘Bendito sejas sempre’. Na volta, um colega constatou que havia esquecido sua pasta junto à Ermida. Não restava outra coisa do que voltar com todo ônibus e aceitar este atraso. Mas isto devia ser assim, pois quando chegamos novamente na ermida, havia romeiros italianos que estavam rezando, acendendo velas. A Mãe Deus já havia começado a atrair dali corações juvenis”.

Pe. Kentenich não pôde participar da bênção, mas sempre ressaltava a importância desse ato: “Queremos que a Mãe de Deus, a partir daqui, cuide para que a Igreja de todo o mundo, na sua hierarquia, diga um ‘sim’ de coração a Schoenstatt e que reconheça Schoenstatt” (02.02.1966).

padre marcelo cervi

Pe. Marcelo explica sobre o Santuário de Belmonte

50 anos depois, a Família Internacional recorda, mais uma vez, as palavras do Fundador e se compromete com a missão de Belmonte, como ficou expresso no memorando do Congresso de Pentecoste deste ano: “Diante disso, tomamos posição: Favorecemos uma presença mais forte de Schoenstatt no centro da Igreja Universal, entre outras coisas através do Centro Internacional de Schoenstatt Belmonte”.

O Santuário Matri Ecclesiae, desde antes da fundação e a pedido do Pe. Kentenich, está sob os cuidados do Instituto Secular dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt, que é responsável pela administração e manutenção do mesmo. Pe. Marcelo Cervi, superior do Instituto no Brasil, explica mais sobre o Santuário de Belmonte e sua missão para o Movimento Internacional:

Neste ano, no Congresso de Pentecostes, a Família de Schoenstatt se comprometeu a lançar um olhar mais atento para Belmonte. O que este Santuário representa para o Movimento Internacional de Schoenstatt?
Em 1965, quando o Pe. José Kentenich completou 80 anos de idade, a Família Internacional deu-lhe um presente muito especial: prometeu construir em Roma um Santuário e uma Casa de Retiros que seria um Centro Internacional. Por que em Roma? Porque Roma é a sede da Igreja Católica; lá está o Papa, cabeça e sinal visível da unidade da Igreja. E o nosso Movimento deve estar junto ao Papa, para que seja visível e reconhecido simbolicamente como um Movimento católico. Onde está o Papa está a Igreja inteira e nós queremos estar junto do Papa permanentemente, não apenas ligados espiritualmente, mas com um endereço fixo, com um local conhecido, como uma casa capaz de acolher a todos os schoenstattianos que passem por Roma, a fim de que eles se sintam “em casa” e sintam a nossa proximidade também física com o Santo Padre. Depois, há também o desejo de que em Belmonte, a “cultura de Pentecostes”, de unidade na diversidade seja muito experimentada, segundo o estilo e a visão do Pe. Kentenich. Primeiro, dentro do Movimento, entre as diferentes comunidades ou ramos. Depois, em contato com os demais Movimentos da Igreja.

Existe numa missão específica para o Santuário e o Centro Internacional de Schoenstatt?
Nesse lugar, que hoje chamamos “Belmonte” (“monte bonito”, em italiano), o Movimento de Schoenstatt quer colocar em prática a visão profética do Pe. Kentenich, em varias situações. O Pe. Peter Wolf, superior geral do Instituto dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt, aponta várias delas:
a) Em primeiro lugar, o Santuário de Belmonte representa a oportunidade de que todos possam conhecer, no coração da Igreja, a pessoa do Pe. Kentenich e o Movimento de Schoenstatt, entrando em contato com o seu carisma, missão, ideias e o seu jeito de entender o mundo, a vida, a família, a Igreja. Belmonte deve ser o “púlpito” do Pe. Kentenich em Roma; um lugar de onde ele continue a falar e ofereça a sua contribuição para a Igreja. Um lugar no qual as pessoas possam entrar em contato e em diálogo com ele e com as suas iniciativas.
b) Depois, em Belmonte, queremos aprofundar o que significa aquilo que o Pe. Kentenich chamou de “Igreja das novas praias”. É impressionante ver como as ideias e o modo de ver a Igreja que o Pe. Kentenich mostrou em 1965 correspondem exatamente com o modo como hoje o Papa Francisco vai conduzindo a Igreja. A visão do Pe. Kentenich foi uma visão profética!
c) Em Belmonte também queremos mostrar na prática que é possível viver o “Cor unum in Patre” e a “Confederação Apostólica Universal”. São duas frases que traduzem convicções profundas de que é possível viver a “unidade nas diferenças”, movidos por um ideal comum de essência, de missão e de apostolado. Em Belmonte queremos ver como é possível viver isso dentro do Movimento, a partir da nossa maneira de se organizar: várias comunidades que vivem e trabalham como uma única Obra ou Família.
d) Queremos, por fim, criar em Belmonte a possibilidade de encontro e intercambio permanente com outros Movimentos de Igreja, estreitando contatos e provocando encontros entre os membros dos Movimentos, aprofundando o sentido da unidade. Em longo prazo, Belmonte deverá ser um lugar portador da fé cristã para o futuro e onde as pessoas trabalhem em conjunto para que a Igreja se torne a “alma da futura cultura universal”.

A construção desse Santuário vem de um pedido do Pai e Fundador. Por que ele incentivou tanto essa construção?
O Pai e Fundador recebeu este presente da Família Internacional de Schoenstatt com muito carinho. Ele sabia que era necessário ter um espaço (físico e espiritual) na cidade de Roma, junto ao Papa e junto à sede da Igreja. Assim, pediu que toda a Família de Schoenstatt assumisse a missão de construir este espaço. E delegou a tarefa de administrar a construção e depois coordenar as atividades desse espaço (Santuário e Centro Internacional) ao Instituto dos Sacerdotes Diocesanos.
O Santuário de Roma Belmonte é um Santuário Internacional, onde todos os Institutos, Uniões e Ligas estão representados e assumem a tarefa de fazer Schoenstatt e o seu Fundador presentes e visíveis na Cidade Eterna. Belmonte deve tornar-se “a casa do Pe. Kentenich e dos seus filhos em Roma” e também “o rosto de Schoenstatt dentro da Igreja”. Foi justamente por este motivo que o Pe. Kentenich incentivou tanto essa construção.

Por que o Pe. Kentenich deu a responsabilidade de administrar e coordenar a vida do Santuário de Belmonte ao Instituto dos Sacerdotes Diocesanos?
Foi por um motivo bem simples: os Padres Diocesanos, pelo fato de estarem nas Dioceses e trabalharem junto aos Bispos, têm toda condição de “fazerem a ponte” entre a vida pastoral da Diocese e os ideais do Movimento. Os Padres Diocesanos não estão totalmente a serviço do Movimento e têm um estilo próprio de trabalho nas paróquias e nas outras tarefas que o Bispo designar. Eles estão “no meio do povo”, em contato diário com outros movimentos, pastorais e grupos de Igreja que têm estilos e caminhos diferentes de Schoenstatt. Para os sacerdotes diocesanos de Schoenstatt, é natural viver a tensão das duas realidades: Movimento e Diocese; é normal administrar os conflitos de datas e conciliar agendas, procurando sempre a ponte entre as duas realidades e a inserção harmoniosa de Schoenstatt no universo pastoral da Igreja. Contudo, o Santuário de Roma Belmonte não é “dos sacerdotes diocesanos de Schoenstatt”, é o Santuário de todos nós.

Como podemos colaborar com a difusão da missão do Pe. Kentenich expressa em Belmonte?
Podemos colaborar de duas maneiras.
Em primeiro lugar, conhecendo o que o Pe. Kentenich pensou sobre Belmonte e assumindo esta visão para o Movimento de Schoenstatt neste tempo. Estamos no início de um novo século e nossa tarefa agora é nos empenhar para que estejamos bem dentro da Igreja, num estilo de Igreja anunciado pelo Pe. Kentenich e agora realizado pelo Papa Francisco, fazendo “tudo para Schoenstatt, Schoenstatt para a Igreja e a Igreja para o Deus Trino!”.
Em segundo lugar, podemos colaborar financeiramente. O pouquinho de cada um pode fazer grandes coisas para que logo possamos inaugurar completamente o Centro Internacional de Belmonte. Para mais informações, as pessoas podem contatar-me pessoalmente ou direto pelo e-mail: mail@roma-belmonte.info.

Para mais informações acesse: roma-belmonte.info/pt
Sugestão de leitura: Belmonte na visão de José Kentenich, Pe. Peter Wolf (à venda em português pela editora Patris, clique)