Assemelha-nos a Ti

8 de dezembro de 2015

“Mãe, quem me dera ser como tu”.

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Karen Bueno – “Na glória de sua Imaculada Conceição resumem-se todas as virtudes, e o esplendor de sua pureza supera o encanto de todos os anjos e santos” (Pe. José Kentenich).

No dia 8 de dezembro, em meio ao período de Advento, a Igreja celebra o dogma da Imaculada Conceição de Maria. A festa litúrgica remete à pureza da Mãe de Deus, que foi gerada sem o pecado original que marca os seres humanos. Esse dogma, além de exaltar Maria, é um convite a assemelhar-se a ela em suas virtudes, especialmente à virtude da pureza.

Marcelo e Gislaine Mafra, do Instituto Secular de Famílias de Schoenstatt, explicam mais sobre os fundamentos desse dogma:

A relação sexual entre homem e mulher, especialmente no âmbito do matrimônio, tem forte expressão na sexualidade, no entanto não se limita a isso. Entendemos por pureza uma dimensão mais ampla, que tem sua origem na criação do homem por Deus.

Quando Deus criou o homem, inserido em toda a criação, o fez a sua imagem e semelhança – “façamos o homem a nossa imagem e semelhança” (Gen 1, 26). A natureza humana foi criada por Deus como reflexo de sua imagem divina, todavia limitada e não perfeita, composta em várias dimensões: física, racional, emocional e espiritual. Essas dimensões estavam em harmonia, permitindo um equilíbrio entre corpo, espírito e alma, entre natureza e graça divina. Essa harmonia permitia ao homem “habitar na presença do Deus altíssimo” em uma relação íntima com Deus, uma relação profunda, estável e duradoura, uma relação harmoniosa e equilibrada, plena de afetividade e intimidade, uma vida em “plena aliança”. Uma relação extremamente pura, sem manchas, não havia impedimentos entre a relação de Deus e o homem. A graça fluía diretamente de Deus para o homem e ele estava permanentemente ligado a Deus, partilhando suas atividades mais corriqueiras.

Então veio o pecado original, de Adão e Eva, que introduziu a ruptura da aliança entre criador e criatura e estabeleceu uma nova dinâmica nesta relação. A natureza humana tornou-se desequilibrada de tal forma que não podia mais estar em harmonia. Essa ausência de harmonia tornou a natureza humana fraca, incapaz de suportar a graça divina em sua plenitude. Por isso o homem deixou o paraíso, que em outras palavras, era estar na presença de Deus em sua plenitude.

Na busca de reatar a Aliança desfeita no Paraíso, Deus envia seu filho por meio de Maria. Porém, a Mãe do Salvador não poderia ser concebida mantendo a mancha do pecado, por isso Maria foi concebida sem o pecado original, de forma Imaculada, a qual preserva em si a harmonia perdida no paraíso com o advento do pecado. Toda a vida de Maria retrata o perfil do ser redimido e resgata a dignidade do ser humano, permitindo-nos por meio de seu exemplo e sua intercessão, nos aproximarmos de Deus.

“Conhece a terra tão rica e pura”

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Bandeira da Congregação Mariana

A imagem da Imaculada está presente desde as origens do Movimento Apostólico de Schoenstatt. Pe. Kentenich possuía uma alma profundamente mariana desde a infância e tinha fortemente acentuada a pureza – aos nove anos escreve a oração “Ave Maria por tua pureza”, que o acompanha por toda vida.

A figura da Imaculada também está muito presente na fundação de Schoenstatt. Em 1912 a Congregação Mariana – que daria origem ao Movimento – coloca a imagem da Imaculada Conceição em sua bandeira. Os primeiros congregados veem na Virgem Maria seu modelo de santidade. “A Imaculada sempre foi uma das imagens prediletas de nosso Pai e Fundador porque nela se expressa o ideal da pureza que ele tanto almejou para seus filhos espirituais. Nosso Pai gostava de usar a imagem do lírio para a pureza; também no Hino da Minha Terra ele descreve Schoenstatt como uma terra pura”, explica Ir. M. Shaiane Machado, assessora da Juventude Feminina de Schoenstatt no regional Paraná.

Ser como Tu

Um sonho do Fundador, Pe. José Kentenich, é que todos os ramos e comunidades da Obra de Schoenstatt, tanto femininos como masculinos, abracem o ideal da pureza, assemelhando-se à Imaculada. Esse ideal ele mesmo viveu e teve Maria como Educadora, moldando-o segundo a vontade do Pai.

Homens e mulheres, todos são convidados a se assemelhar à Virgem Maria. “A Imaculada é nosso ideal de vida, procurar assemelhar-se a ela é procurar viver uma vida de pureza corporal e espiritual. Assemelhar-se à Imaculada é chegar ao estado paradisíaco, ou seja, a impecabilidade”, diz Ir. M. Shaiane.

Também os casados podem viver a pureza de Maria em sua vocação, como explicam Gislaine e Marcelo: “Essa pureza do ser imaculado de Maria caracteriza aquilo que buscamos viver no matrimônio, como casal. Não só uma pureza de castidade, mas de alma, de pensamentos e ideias, de vontades e de paixões que não nos arrastam para baixo, para o pecado”. Além disso: “Buscar viver o Ideal da Imaculada no Matrimônio é resgatar nossa dignidade como filhos de Deus, é buscar construir uma aliança permanente, tendo em Maria o exemplo de vida e também sua intercessão junto a Deus para nos garantir as graças santificantes. Casada com José e mãe de Jesus, Maria também nos traz o exemplo de vida matrimonial. Em suas atitudes buscamos a imagem da pessoa redimida que nos inspira”.

As cinco torres da pureza

Tornando prático o convite à pureza, Pe. Kentenich oferece cinco “dicas” para alcançar o “estado paradisíaco”. As cinco torres da pureza, como ele as chama, ajudam a moldar o ser à imagem de Maria:

Magnânimo e terno amor a Deus: Todo amor nobre tem sua fonte e sua coroa, sua proteção e segurança, no amor a Deus. Quanto maior for o amor a Deus, tanto mais assegurada está a pureza. O amor primitivo busca-se a si mesmo, o amor verdadeiro busca o amado e seus interesses. O amor tende à profunda entrega e ao delicado respeito.

Humildade: A verdadeira humildade, junto com o amor de Deus, é o meio mais seguro e mais necessário à proteção da pureza. Seus alicerces são a veracidade e a justiça. A verdade indica ao homem o lugar que lhe compete. A justiça trata o homem como ele merece. A humildade vive da desconfiança nas próprias forças e da confiança no pode divino.

Mortificação iluminada e eficaz: Toda mortificação iluminada fortalece a resistência da alma e, por isso, influi beneficamente nas reações menos nobres da vida instintiva. A mortificação tem a tarefa de tirar as rédeas do homem instintivo e coloca-las nas mãos do homem espiritual e divinizado. Mortificação não significa destruir a beleza e a saúde do corpo, ou quebrantar as forças nobres da vigorosa vida instintiva, porém, colocar ambos a serviço da alma. Por isso a mortificação sempre deve ser prudente e iluminada.

Dedicação no trabalho: A educação à pureza e educação ao trabalho estão intimamente vinculadas. Quem sempre estiver ocupado com coisas úteis e sérias, preserva-se de muitas lutas e tentações. Trabalho é participação na atividade criadora e comunicadora de Deus. Quanto mais o homem servir ao outro com nobreza criadora e comunicativa, tanto mais cresce nele a sã consciência de seu valor e o desejo de preservar-se de tudo que arrasta para baixo.

Verdadeira alegria: Sem nobre alegria a pureza não pode florescer. A educação à alegria é um dos fatores mais importantes na educação à pureza. Se não se oferece ao homem alegrias nobres e permitidas, ele busca satisfações compensativas, primeiro perigosas, depois pecaminosas.

Rezemos juntos

Rezemos pedindo a graça da pureza física e espiritual, assim como rezava o Pe. Kentenich desde sua infância:

“Ave Maria, por tua pureza, conserva puro o meu corpo e minha alma. Abre-me largamente o teu coração e o coração de teu Filho!
Dá-me um profundo reconhecimento de mim mesmo e a graça da perseverança e fidelidade até a morte. Dá-me almas e tudo o mais toma-o para ti!”

Sugestão de leitura: A riqueza do ser puro, livro escrito pelo Pe. José Kentenich, à venda nos Santuários de Schoenstatt.