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Pe. Irineu Trevisan
O Sr. João orientou a sua
vida pelo lema: Guarda Nobre da Mãe e Rainha – Herói hoje! E por ele
sentiu-se impelido a crescer em sua vida interior e
religiosa.
Empenhou-se por compreender e acolher o convite de Jesus:
Sede santos como vosso Pai do Céu é Santo (Mt 5,48). Viveu-o modesta mas
heroicamente.
Para os homens da sociedade moderna, a viver em pleno
mundo, com poucas possibilidades de cultivar uma séria aspiração à
santidade e não raro, com falso conceito dela, ser santo é extremamente
difícil. Falhar-lhes da santidade, causam-lhe arrepios.
Com Sr. João
não aconteceu assim. Pois, aprendeu que ser santo, da santidade pregada e
vivida por Jesus, é ser feliz. O convite que Jesus nos faz às
bem-aventuranças é um forte argumento (Mt 5,13s). O Pe. Kentenich, no
livro “A Santidade de Todos os Dias” procura ensinar o “jeito simpático de
ser santo”, ou “jeito santo de ser simpático”. Em que consiste?
Na
gentileza e bom humor, no sorriso e na alegria espontâneos, no capricho e
na simpatia, na paciência, na humildade, nos vôos diários ao Pai do Céu,
no serviço e apreço às pessoas – tudo isto praticado no pinga-pinga de
cada dia. Uma tal atitude, sem dúvida, há de granjear-nos alegrias,
admiração. Há de tornar-nos, mais e mais, perfeitos heróis e santos!
Um exemplo que impressiona e
ilustra.
Gandhi(1896-1948) trabalhou pela independência da Índia e
tornou-se mundialmente afamado por suas idéias e propostas humanitárias.
Certa feita, foi visitado por um jovem, desejoso de saber do sábio o
segredo por que havia se tornado mundialmente célebre.
Gandhi pediu ao
jovem, por três vezes, que ajudasse a sua funcionária doméstica a fazer os
afazeres da cozinha. Como na terceira vez o jovem se recusasse, alegando
que não viera para auxiliar sua doméstica, mas para conhecer o segredo que
tornava Gandhi afamado, este revelou ao jovem: foi assim que me tornei o
Gandhi que admiras e prezas! Bonita explicação!
Assim é plasmado o
herói do dia-a-dia: cumprindo com exatidão e sincero espírito cristão de
amor a Deus e ao próximo, os deveres diários. Se os atos corriqueiros
conseguiram formar um herói do dia-a-dia: cumprindo com exatidão e sincero
espírito cristão de amor a Deus e ao próximo, os deveres diários. Se os
atos corriqueiros conseguiram formar um herói político, humanista de fama
internacional – não serão capazes de santificador o herói da vida
diária?!
Este tipo de espiritualidade marcou a vida do Sr. João. Fê-lo
crescer na santidade do dia-a-dia. Nada de extraordinário a não ser o
cumprimento, com o máximo de perfeição, dos atos ordinários. No lar sempre
foi atencioso para com os filhos, servindo-os com espírito paterno, e
procurando encaminhá-los para estudo, a religião, a profissão, para a via
no meio do mundo.
Destacou-se também pelo cumprimento exato de seus
deveres comuns de católico: oraçõezinhas diárias, missa quase todos os
dias, recepção freqüentes dos sacramentos da Eucaristia e confissão,
participação ativa na vida paroquial, momentos de adoração ao SSmo.
Sacramento, reza do terço diária (quinze por dia).
No meio do mundo, na
sociedade, teve sempre uma atitude digna, correta esquivando-se de
ambientes frívolos, de conversações rudes, maliciosas. Era parco, mas de
bom senso no falar. Por natureza, calmo, jamais se irritava, nos momentos
difíceis, nos desentendimentos, nas provações. Nas circunstâncias de
aperto, dificuldades materiais, buscava humildemente ajuda e orientação
dos amigos. Sabia depois ser-lhes agradecido. Mas também generosamente
prestava sua ajuda e serviço aos outros especialmente aos pobres, doentes,
às famílias envolvidas em problemas, quase esquecendo-se de si
mesmo.
Com isso tornou-se querido em sua família, benquisto, respeitado
pelas pessoas que o vinham a conhecer: Exerceu, com harmonia exemplar, os
deveres de família, os religiosos e profissionais. Sua presença na própria
família, na Igreja, no trabalho, no meio da sociedade foi de muito
equilíbrio.
Em todo o seu estilo e jeito de viver a vida, nada houve de
sensacional. Vida modesta, simples, feita de atos corriqueiros,
quotidianos, mas vividos com admirável perfeição, com bom senso,
fidelidade. Nestes termos entendeu viver o seu ideal: HERÓI HOJE, aqui,
agora e sempre!
Tomara que o exemplo do sr. João estimule, incentive ao
homem moderno a descobrir, seguir esse modo de santidade: O JEITO
SIMPÁTICO DE SER SANTO!
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