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Dificuldades para o diálogo entre gerações Padre Nicolás Schwizer |
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Uma frase de um escritor contemporâneo, bastante cínica mas nem por isso menos real, diz: "Quando encontro dois homens, um velho e outro jovem, que caminham juntos, sem achar nada que dizer, sei que são pai e filho". Mas o diálogo entre gerações, tão necessário, não é fácil. Prova disso é que são raros os lares onde se pratica de maneira constante. O que acontece é que numerosos obstáculos se interpõem entre os que deveriam ser interlocutores permanentes. Os obstáculos exteriores. Um é o abusivo hábito da televisão. Quando os membros da família se encontram reunidos diante desse aparelho, se poderia pensar que estão unidos. Mas não nos enganemos: trata-se de um falso diálogo, que não tem deste mais do que as aparências. Pronunciam-se talvez muitas palavras, mas não existe intercambio de idéias profundas. O diálogo superficial é obstáculo para o diálogo profundo. Nesse sentido, a televisão é um terrível instrumento de silêncio. Outro obstáculo exterior é o culto exagerado aos negócios. Quantos homens deixam-se fascinar por este novo deus, e, para servi-lo, desequilibram toda sua vida. Por trás disso está a religião do "ter": é preciso ter, não “ser”, ter sempre mais e mais, sem limites. Por issoé preciso dedicar todo o tempo possível aos negócios, às preocupações profissionais, e já não sobra tempo para dedicar à educação dos filhos. Porque tempo é dinheiro. E quem está disposto a perder dinheiro? E assim abandonam àqueles que fundamentalmente teriam direito a eles e a sua vida: os filhos. Um terceiro obstáculo: as obrigações sociais. Às vezes são numerosas e consomem tempo. O pouco importante, ocupa todo o tempo. O que deveria ser considerado importante acima de tudo, a educação dos filhos, passa a ser secundário e os pais deixam para outros essa função. Além desses obstáculos exteriores, há outros problemas interiores mais graves. Muitos pais não se animam em dialogar com seus filhos porque se consideram incapazes disso. Esta incapacidade vem, frequentemente, de uma má consciência e do medo de ser desmascarado. Aceitar o diálogo é tirar a máscara. Os pais chegam inevitavelmente a mostrar sua alma e expõem-se ao implacável juízo do filho, principalmente do adolescente. Porque o jovem dificilmente perdoa os erros, critica com severidade as fraquezas e examina os fracassos. E então muitos pais, encobertos por seus erros e faltas, quando se vêem cara a cara com seu filho na hora da verdade, fogem para ocultar sua vergonha e - como é comum dizer - salvar sua autoridade. Mas, o que menos salvam assim é sua autoridade perante aos filhos. Outra origem desse silêncio é a debilidade intelectual. Não poucas vezes sucede que o jovem de hoje seja mais aberto que os adultos, mais informado. E assim o diálogo entre gerações torna-se difícil. Então, é mais fácil fugir do diálogo e fechar-se ainda mais em seu estreito mundo, para não ter que descobrir seus limites. Outro obstáculo notório é o desânimo. Pode ser diante da atitude agressiva do adolescente. A agressividade própria dessa época é em si mesma saudável, desejável e – diria eu - indispensável para o crescimento da personalidade. Por outro lado, a submissão passiva ou capitulação diante das forças adversas seria negativa. Não obstante, essa agressividade do adolescente desperta pouca simpatia nos que o rodeiam. Contradiz a todos, reclama sem parar e provoca com particular prazer seus pais que são a encarnação da autoridade. Nada que os pais façam ou digam vale para os filhos. Estão sempre equivocados. Diante dessa atitude, os pais se vêem tentados a abandonar a luta e deixar que o filho se ajeite por si mesmo. Fugirão então do diálogo, julgando-o inútil e supérfluo. Um muro de silêncio se levanta entre eles... Perguntas para a reflexão 1. Sinto-me enquadrado
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