1. Hoje em dia, fala-se muito de diálogo, em todos os âmbitos da vida. Mas, isso não quer dizer que se dialogue muito. Porque falar é fácil, ensinar é fácil. Mas, dialogar é difícil. Também na família, o verdadeiro diálogo é raro. Inclusive nas famílias onde aparentemente tudo vai bem, onde ninguém jamais levanta a voz. 2. O que vale e é necessário é o verdadeiro diálogo. Certa tolerância em relação aos pontos de vista dos filhos, não é diálogo. Certo colocar-se em seu lugar, como amigo compreensivo, não é ainda diálogo. O diálogo supõe uma profunda atitude interior, a virtude da humildade. Não crer ser possuidor de toda a verdade, perfeitos, imutáveis. Mas sim conhecer os próprios limites, a necessidade de melhorar, de mudar. Esta humildade é a condição do diálogo. 3. O que acontece é que o diálogo autêntico se dá entre verdadeiras pessoas. E pertence à humildade reconhecer ao outro, também ao filho, como pessoa verdadeira. Menor, mais fraco, menos preparada para viver, mas pessoa. Pessoa original, consciente, capaz de assumir a responsabilidade das próprias decisões. O diálogo é uma misteriosa ponte estendida entre seres livres: não necessariamente da mesma idade, com a mesma preparação, não necessariamente iguais; mas sim necessariamente conscientes e livres. O diálogo verdadeiro não exclui a autoridade que um possa ter sobre o outro. Exclui, em troca, qualquer forma de menosprezo, de falta de estima ou respeito, de paternalismo. Os pais que dialogam com seus filhos verão aumentar sua autoridade. Assim como Deus não temeu perder autoridade por dialogar com o homem; até se fez um de nós para facilitá-lo. 4. Dialogar significa falar, mas também escutar. O diálogo entre pais e filhos é difícil, porque há pais e algumas vezes também filhos que não sabem escutar. Por um lado, é um problema de tempo: A mãe encontra-se às vezes absorta pelos afazeres do lar, certamente muito importantes. Mas não é menos importante escutar ao filho que regressa da escola. É certo que pai tem muito que fazer. Mas sempre deve haver tempo para o mais importante; e para um pai não há nada mais importante que atender, cuidar e educar o filho. Poderia dizer que os pais estão dispostos a escutar, mas que os filhos não estão dispostos a falar. Mas, fundamentalmente de quem é a culpa? Talvez os filhos tentaram e não se lhes prestou suficiente atenção. Então, se fecharam em seu silencio. Sua sensibilidade com relação à atenção dos pais é enorme, até pode parecer exagerada. O que o jovem quer dizer, tem para ele muita importância. Ele pensou e repensou, até o sofreu. E se não encontra em casa quem queira escutá-lo, buscará fora dela atenções mais ou menos autênticas. 5. Saber escutar, mais que um problema de tempo é um ato de atenção e de disponibilidade interior. Por isso é tão difícil. Trata-se de ter em si mesmo um pouco de lugar para o outro e o que ele diz. Trata-se de não estar cheio de si mesmo, ter lugar para os demais. Se não sabemos escutar ao outro com amor alegre, ele percebe e não fala mais. O verdadeiro diálogo pressupõe a atenção: atenção à vida dos filhos, às suas palavras, aos seus problemas. Por isso, para amar os filhos é indispensável saber olhá-los. Trata-se de um olhar atento, no qual a alma se esvazia de todo conteúdo próprio, para receber em si ao ser que contempla, tal como é, com toda sua verdade e sua riqueza. 6. Queridos irmãos, peçamos a Mãe de Deus que nos presentei, aos pais e aos filhos, a graça de um diálogo familiar fecundo e permanente e que assim nossas famílias possam crescer cada vez mais no amor, na entrega e na compreensão mútua. Perguntas para a reflexão 1. Presto suficiente atenção quando o outro fala? 2. Acompanho as tarefas escolares dos filhos? 3. Coloco nas mãos de Deus meus esforços para a educação de meus filhos? Se desejar se inscrever, comentar o texto ou dar seu testemunho, escreva para: pn.reflexiones@gmail.com |