O Conselho Evangélico da pobreza

Padre Nicolás Schwizer

Ninguém pode ser santo se está interiormente escravizado a bens terrenos. Mais ainda, segundo Santo Agostinho, o último e o mais difícil da santidade é esse amor à pobreza e a renuncia aos bens. E, por quê? Porque o apetite e o apego às coisas materiais são os melhores argumentos do diabo. Uma das feridas que o pecado original deixou em nossa natureza é o impulso desordenado de possuir. Essa ambição irracional faz que nos apeguemos aos bens passageiros, nos faz crer que é indispensável viver rodeados de mil comodidades. Apega-nos desordenadamente as coisas terrenas, nos amarra a valores que não são essenciais. São Paulo chama por isso ao afã de possuir “a raiz de todos os males” (1 Tim 6,10) e o Eclesiástico diz que “os ambiciosos são como cães famintos que nunca se satisfazem”.

Qual é, então, o sentido de nosso espírito de pobreza? Parece-me que o sentido principal é: não nos prender as coisas, para poder ser livres para Deus e, assim, ser livres para os irmãos.

Saciar-nos de Deus. O primeiro sentido de nossa pobreza é: não nos saciar com as coisas deste mundo, sim saciar-nos de Deus, ser livres para Deus, não por obstáculos para a passagem de Deus por nossa vida, e pelo mundo. Porque nossa riqueza é Deus e seu Reino e por isso não necessitamos outras riquezas. “Bem aventurados os pobres porque deles é o Reino de Deus” (Lc 6,20).

Ser pobre é, por isso, ser livre do próprio eu. É ser livre de todas as correntes ou barreiras que impõem meu egoísmo. O pobre é o homem capaz de amar. Porque em seu coração há espaço para Deus e para as pessoas. Por isso temos que romper essas barreiras que nos impedem sair de nós mesmos, de nosso mundo estreito. Santidade é desprender-se de si mesmo. Temos que romper essas barreiras, para poder nos abrir ao mundo que nos rodeia e para nos entregar a Deus e aos irmãos.

Graus de pobreza. Existem três graus de pobreza e podemos saber facilmente aonde nos encontramos e que passos nos fazem falta dar para chegar à altura deste Conselho evangélico.

1. Saber renunciar ao supérfluo. Por um amor simples e autêntico ao Deus, renunciar voluntariamente as coisas supérfluas. O supérfluo entende-se como aquilo que não corresponde a meu estado de vida ou meu nível social.

- Que coisas são supérfluas para mim? Ninguém me responderá a esta pergunta. Só eu mesmo poderei dar a resposta.

2. Saber renunciar ao necessário. Não se trata do necessário para a existência, mas sim do que eu creio necessário segundo meu estado de vida e meu nível social.

- Somos capazes de renunciar as coisas necessárias nesse sentido? E também aqui, essa atitude tem que partir de um autêntico amor a Deus e aos demais.

3. Conquistar uma atitude de mendigo ante Deus. Sou consciente de minha total dependência de Deus. Aplicado à pobreza significa: Minhas cosias e meus bens são propriedade de Deus; Ele me emprestou. Sou simplesmente seu administrador.

Então, Ele os pode tirar outra vez. Esta atitude de mendigo é o grau mais alto de pobreza: liberdade interior de todas as coisas materiais. Deus pode fazer comigo o que Ele quiser. E eu quero ser tratado como mendigo.

Perguntas para a reflexão

1. Como vivo o Conselho Evangélico da pobreza?

2. Que ação concreta realizo pelos demais?

3. Angustia-me perder alguns bens materiais?

 

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