Amoris Laetitia: A nova Exortação Apostólica do Papa

8 de abril de 2016

Para as famílias, as igrejas domésticas.

Pope Francis baptises one of 32 babies during a mass in the Sistine Chapel at the Vatican January 12, 2014, in this handout courtesy of Osservatore Romano. REUTERS/Osservatore Romano/Handout via Reuters (VATICAN - Tags: RELIGION)  ATTENTION EDITORS - THIS IMAGE WAS PROVIDED BY A THIRD PARTY. FOR EDITORIAL USE ONLY. NOT FOR SALE FOR MARKETING OR ADVERTISING. THIS PICTURE IS DISTRIBUTED EXACTLY AS RECEIVED BY REUTERS, AS A SERVICE TO CLIENTS. NO SALES. NO ARCHIVES

Karen Bueno – O Papa Francisco lança nesta sexta-feira, 8 de abril, sua Exortação Apostólica Amoris Laetitia, “A Alegria do Amor: sobre o amor na família”. O documento traz as reflexões do Santo Padre baseadas nos dois Sínodos dos Bispos – em outubro de 2014 e outubro de 2015.

Amoris Laetitia, segundo o Vaticano, é inspirada numa longa história de ensinamentos da Igreja e numa experiência sinodal muito intensa. Baseia-se tanto em elementos novos como antigos. Acima de tudo, a novidade reside numa atitude de acompanhamento familiar.

O documento aborda a realidade e os desafios das famílias, sua vocação e o amor no matrimônio, a fecundidade matrimonial, as perspectivas pastorais, a educação dos filhos, a espiritualidade conjugal e familiar e muitos outros pontos. Tudo de maneira bem concreta, o que é próprio do Santo Padre. Temas como o amor quotidiano, a concepção, o papel dos filhos, dos irmãos, dos idosos, a preparação para o matrimônio são tratados pelo Papa com um coração de pastor, de modo simples, mas profundo, que entra nas realidades quotidianas da vida familiar.

Os capítulos

“À luz da Palavra”, o primeiro capítulo, traz a origem bíblica do conceito de família e suas particularidades, pois a Bíblia “aparece cheia de famílias, gerações, histórias de amor e de crises familiares” (AL 8).

O segundo capítulo, que aponta “A realidade e os desafios das famílias”, mostra de forma concreta tudo que foi discutido nos Sínodos, contextualizando a realidade familiar atual. Aí entra os casos como a ideologia de gênero, a opção anti-natalidade, o cuidado com os idosos, violência contra a mulher e uma série de aspectos que se revelam nos lares do mundo todo.

papa

“O olhar fixo em Jesus: a vocação da família” retoma o que a Igreja ensina sobre o sacramento do Matrimônio. É a parte doutrinal do documento, que se fundamenta nos estudos anteriores sobre a família. Aí aparecem diversas vezes os trechos de Gaudium et spes, do Concílio Vaticano II, da Humanae vitae, do Papa Paulo VI, e da Familiaris consortio de São João Paulo II, entre outros.

Sobre “O amor no matrimônio”, quarto capítulo, o Papa utiliza a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (13, 4-7) e a interpreta parte a parte, falando, por exemplo, da paciência, do serviço, do perdão, da confiança, de muitas virtudes que devem ser cultivadas no seio familiar. Ele também mostra algumas barreiras que impedem essas virtudes de desabrocharem e como é preciso estar atento nisso.

“O amor que se torna fecundo” traz os frutos de um matrimônio saudável na sociedade. Trata da ampla relação familiar, que envolve não só pai, mãe e filhos, mas todos os parentes – tios primos, os idosos. O Papa Francisco se dedica, nesse espaço, a falar às grávidas e também sobre o amor entre pai e mãe. Ele dá pistas de como ser um bom filho, um bom irmão, como ter um grande coração; logo, o texto não é destinado apenas àqueles que têm vocação à vida matrimonial ou trabalham nesse campo, mas a todos os cristãos, em todos os estados de vida.

Das “perspectivas pastorais”, o Santo Padre fala mais diretamente aos que trabalham no campo pastoral familiar – padres, bispos, consagrados, agentes de pastoral, etc. Ele destaca que as famílias são o sujeito e não apenas o objeto de evangelização. Entra aí o cuidado e acompanhamento com a formação dos noivos, com os divorciados, a forma de lidar com as crises conjugais, a relação com a morte de entes próximos, tudo de maneira concreta.

O capítulo sete, “Reforçar a educação dos filhos”, fala da formação e estímulo a esses, também da transmissão da fé. O primeiro tópico do capítulo já questiona: Onde estão os filhos? E pede o olhar atento dos pais. O Papa aborda temas como a educação sexual e a formação ética dos mais jovens, com um olhar sensível e pedagógico.

O cuidado em “Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade” aborda as situações irregulares de matrimônio ante a Igreja. É um convite à misericórdia. Amoris Laetitia quer que todos os que estão em situação irregular sintam e saibam que fazem parte da Igreja e, ainda que não possam participar plenamente na vida sacramental, são encorajados a tomar parte ativa na comunidade. Um conceito central do documento é a integração. O que deve prevalecer, segundo o texto, é um exame profundo e respeitoso da vida familiar.

O último capítulo fala da “Espiritualidade conjugal e familiar”. É onde trata da vida religiosa da família, como ela vive a comunhão sobrenatural e como é um reflexo do ressuscitado. O Papa convida a “contemplar cada ente querido com os olhos de Deus e reconhecer Cristo nele” (AL 323).

O documento encerra-se com uma oração à Sagrada Família, pedindo, entre outros, que as famílias sejam lugares de comunhão e cenáculos de oração, autênticas escolas do Evangelho e pequenas igrejas domésticas.

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