Aliança de Amor: O cuidado com a Casa Comum

18 de fevereiro de 2016

A responsabilidade é nossa.

santuarioKaren Bueno – “Na rua da minha casa há esgoto tratado, água encanada, o caminhão de lixo passa regularmente e ninguém necessita de ajuda com isso. A Campanha da Fraternidade deste ano não me diz respeito, está bem longe de mim”. Não é difícil esse pensamento passar pela cabeça de alguns diante do tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016.

Saneamento básico, apesar de fundamental, é um direito pouco discutido nas comunidades, grupos e movimentos. É por isso que neste ano a CNBB convida a refletir e agir nesse sentido. Como Família de Schoenstatt, a pergunta que nos toca é: Como podemos, pela Aliança de Amor, colaborar na transformação do país para que todos tenham garantido seu direito de acesso à água de qualidade e saneamento básico?

Alguns números

Os dados apresentados no texto-base da Campanha da Fraternidade, baseados nos arquivos do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico-2013), revelam:

– Somente 82% da população brasileira tem acesso à água tratada;
– 100 milhões de pessoas no país não possuem coleta de esgoto;
– De todo esgoto coletado, apenas 39% é tratado,
– Diariamente, é despejado o equivalente a mais de 5 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento na natureza.

Outro dado alarmante apresentado é que a América do Norte e a Europa enviam seus resíduos sólidos para a África e também para o Brasil. Em 2009 e 2010 portos brasileiros receberam cargas de resíduos (LIXO) domiciliares e hospitalares. Focando apenas no Brasil, os lixões e aterros localizam-se próximos ou em áreas de residência de populações pobres, nas quais os habitantes são obrigados a conviver com a sujeira gerada pelos demais moradores, o que é uma injustiça social e ambiental.

Segundo o texto-base, a CF 2016 tem como meta “assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, À LUZ DA FÉ, por POLÍTICAS PÚBLICAS e ATITUDES RESPONSÁVEIS que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum”. Assim, podemos destacar:

1º Aspecto: Políticas públicas

CFE 2016 - cartaz 21 x 29,7

CFE 2016 – cartaz 21 x 29,7

Pela Aliança de Amor, Maria é Mãe e Educadora, forma os filhos da mesma forma que educou Jesus. Uma grande característica da Mãe de Deus é a serviçalidade; logo que fica sabendo da gravidez de sua prima, ela parte ao encontro para servir, o mesmo acontece nas Bodas de Caná e certamente em toda sua vida. Assim, pela Aliança, ela ensina seus filhos a serem servidores, a saírem de si mesmos para se atentarem às necessidades do outro.

Um dos grandes desafios dessa Campanha da Fraternidade é lutar por políticas públicas justas, que alcancem todos os seres humanos. A Mãe de Deus age aí, impulsionando cada filho de Schoenstatt a sair de si e lutar por um mundo de igualdade. “Provai primeiro que realmente me amais”, nesta Quaresma, significa se colocar em saída pelo outro, por seus direitos.

Uma forma prática disso é, por exemplo, se inteirar das condições dos irmãos que vivem próximos, no mesmo município, e por meio da participação na elaboração de projetos municipais, acompanhar a execução dos mesmos pelos governantes municipais, para que haja ações concretas de saneamento básico, como esgoto e água tratada para todos. A participação na vida pública, nas sessões da Câmara Municipal, na conversa construtiva e motivadora com os vizinhos, na igreja, ajudam a responder como um filho de Schoenstatt aos desafios do saneamento básico e a promover uma cultura de Aliança.

2º Aspecto: Atitudes responsáveis

As questões que envolvem o saneamento básico não estão somente nas zonas de periferias sociais da cidade. Pelo contrário, elas estão bem próximas de todos, dentro da casa de cada um, em seu quintal. O tema da CF é amplo e se aplica também às questões da água no dia a dia, como o desperdício e a sujeira espalhada nas ruas.

Vamos conhecer algumas atitudes sugeridas pelo texto-base que pedem um “fiel e fidelíssimo cumprimento do dever”:

NA SUA CASA: A água é usada com economia? Você sabe se o esgoto coletado de sua casa é tratado? Você se incomoda, avisa e/ou denuncia quando vê um vazamento de água em sua rua? Quando sai de um cômodo iluminado, tem o costume de apagar a lâmpada? Qual o destino que você dá ao óleo de cozinha que não pode ser reutilizado? E às pilhas e baterias usadas? Como está com o uso desnecessário de descartáveis, só para ter mais conforto?

NO SEU BAIRRO: Há rede de água encanada? Há coleta regular do lixo? Há o costume de cobrar e acompanhar as autoridades na providência que é própria do poder público?

NA SUA CIDADE: A água é de qualidade? Há estações de tratamento do esgoto? Existem cooperativas populares de reciclagem dos resíduos sólidos? Quando há aprovação de projeto de construção de um imóvel, o esgoto é levado em consideração? Você pode se inteirar disso e ajudar para que os planejamentos sejam executados.

Outras ações provam que provam meu amor e fidelidade à Aliança de Amor no pequeno: reaproveitar a sacolinha plástica do mercado; separar o lixo reciclável; não jogar lixo na rua, por menor que seja; reciclar; aproveitar os papéis, utilizando-os somente quando necessário; não trocar sem necessidade de aparelhos eletrônicos, pois eles são de difícil reciclagem; demorar menos tempo no banho; reaproveitar a água da lavagem de roupa…
Além disso, nesse período temos que falar do cuidado com água parada, que leva ao aumento de casos de Dengue, Chikungunya e Zika.

À luz da fé

Todos esses gestos tornam mais eficiente a “dimensão horizontal” da Aliança de Amor, ensinada pelo Pai e Fundador – essa dimensão representa a relação com os irmãos e com a criação, ou seja, todos os atos, consequentes do meu amor e consagração à Maria, que atingem os demais. Cuidar da “casa comum” significa estar em Aliança com os irmãos, uma só família, uma rede de corações unidos ao Pai.

Ser um autêntico filho de Schoenstatt, no novo século, pede ações missionárias por políticas justas, começando a partir do próprio interior, da própria casa, até atingir o bairro, a cidade e todo o mundo, pois somente assim poderemos “ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24).

Nas palavras da CNBB, pelo texto-base, “o abastecimento de água potável, o esgoto sanitário, a limpeza urbana, o manejo de resíduos sólidos, o controle de meios transmissores de doenças e a drenagem de águas pluviais são medidas necessárias para que todas as pessoas possam ter saúde e vida dignas. Por isso, há que se ter em mente que justiça ambiental é parte integrante da justiça social”.

Um gesto concreto pessoal para a Quaresma (a pedido da CNBB)

Temos uma proposta emocionante: cuidar da Casa Comum que Deus nos deu e fazer dela um lugar saudável, no qual a fraternidade e a justiça corram como rios de água viva. Como sinal desse compromisso, propomos que durante a Quaresma realizemos o esforço de evitar o consumismo e o desperdício dos alimentos. Que façamos um dia de jejum, doando aos mais pobres o que não consumimos nesse dia.

Tudo o que fazemos precisa ser impulsionado pela graça de Deus, que jorra de uma vida de Aliança, ilumina nosso discernimento, fortalece nossa disposição, não nos deixa desistir do amor fraterno e fará nosso trabalho produzir frutos melhores e mais permanentes. Portanto, orando e celebrando, entreguemos a Deus o serviço que queremos prestar, para que Deus sempre nos inspire a caminhar a seu lado na preservação do bonito e saudável ambiente que nos ofereceu na criação: que se faça o mundo novo, edificado por homens novos.