A vida como dom de Deus

10 de fevereiro de 2015

Médica comenta questões de aborto e planejamento familiar.

doutora-ledaKaren Bueno – “O Santuário é para nós a base do discernimento, a Mãe de Deus é a Educadora que vai nos preparar para que, diante das sutilezas do mundo, a gente não siga como um homem massa, mas sim como uma pessoa de personalidade”, afirma a Dra. Leda Maria Bocchi de Souza, ginecologista e obstetra, de Campinas/SP.

Para não ser um homem massa, é preciso refletir sobre questões polêmicas que envolvem a vida humana à luz da fé. Dra. Leda, como médica cristã, une a fé e a ciência em seu trabalho, dando espaço para a liberdade de cada um. Ela vê o consultório como um lugar de evangelização e tem como base de seu apostolado a Aliança de Amor.

Acompanhe a visão especializada de uma profissional da saúde sobre o aborto e os métodos contraceptivos naturais:

O aborto é um direito de toda mulher? O ser humano pode decidir sobre seu próprio corpo?

Nós temos direito de decidir sobre nosso corpo, mas quando falamos sobre a vida de um bebezinho que foi concebido, não é mais o nosso corpo, é o corpo dele que está ali. Então nós não temos direito de escolha perante aquele novo ser, que foi criado por Deus e que deve viver. Nós, cristãos, temos que acolher a vida desde o momento da concepção até o momento em que o Pai chama para a vida eterna, não podemos interferir. Fala-se muito do aborto, mas esquece-se de falar dos idosos – o idoso às vezes também é abortado da sociedade. Como médicos, o que nós fazemos é melhorar a condição para que a vida fique mais amena, mais tranquila, mais bem cuidada, mas jamais interromper isso de qualquer maneira.

O aborto é uma atrocidade perante a vida, ao próprio dom da vida que Deus oferece a nós.

Teve alguma dificuldade em relação ao aborto?

Trago um testemunho bonito de uma mãe. Uma senhora chegou até mim muito triste, dizendo que estava grávida – estava com cinco ou seis meses – e que segundo os exames, o bebê não tinha estômago. Ela me disse: “Eu tenho certeza doutora, isso é um castigo de Deus porque eu já fiz nove abortos”. Então eu lhe disse: “Olha, Deus não castiga dessa forma, me parece que você está arrependida de tudo que fez, então isso não é um castigo, Deus não castiga, ele te ama e te perdoa”. Orientei essa senhora, que era católica, a procurar seu pároco, a se confessar e seguir leve e tranquila com a gravidez, entregando seu filho nas mãos de Jesus. E ela fez isso. Depois o bebê nasceu muito bem – ela tem guardado o exame que indica essa grave anomalia. A força da oração e do amor fez com que aquele bebezinho nascesse bem e que a mãe se sentisse perdoada por Deus.

Como a senhora, como médica cristã, lida com a questão dos anticoncepcionais?

Eu não interfiro na maneira das pacientes pensarem porque não posso discriminá-las, eu preciso aceitar o que cada ser humano pensa e quer. Mas a princípio e por princípio eu sempre coloco o Método Billings como sendo o ideal. Eu falo e oriento sobre esse Método e acompanho no consultório muita gente que o segue, inclusive pessoas que não são tão arraigadas nas pastorais, na paróquia, na Igreja, como uma cristã praticante.

A partir do momento em que a paciente conhece, ela diz: “Meu corpo vai ficar livre de química? Eu quero esse Método”. E eu lhe digo: “Vai ser o melhor para você”. É uma evangelização talvez, que se reverte em benefício à saúde da pessoa. Eu, como médica, tenho direito a isso porque preciso apontar o que é melhor para cada um, e ao mesmo tempo não posso discriminar quem não queira usar.

Quais benefícios os métodos naturais trazem à saúde?

A primeira coisa é que eles deixam o corpo agir normalmente. Se uma mulher vai fazer um exame dos hormônios femininos, por exemplo, qualquer exame, de imagem ou de sangue, naquela que usa os métodos naturais – não só o Billings, mas também Tabelinha ou o Térmico – o resultado vai apontar sempre aquilo que ela é, e não o que o remédio deixou em seu corpo, então é muito mais fácil de se cuidar dessa maneira.

A partir do momento que a pessoa usa um determinado medicamento, aquilo vai ter uma ação no seu organismo e os exames não vão mostrar o que ela é, mas o que os remédios fazem o corpo ser. Esse é um dos grandes motivos pelos quais os métodos naturais são melhores, falando agora do corpo humano, sem contar que é o mais aprovado pela Igreja.

Todos os remédios têm seus benefícios – e às vezes nós precisamos deles para doenças mais sérias – mas os efeitos colaterais existem em todos. Então se nós estamos falando de anticoncepcionais e podemos tirar os efeitos colaterais de vez, por que não?

Os métodos naturais são eficientes?

O Billings sim, ele é eficiente desde que se faça corretamente, como todo método anticoncepcional, mesmo os alopatas – se você vai tomar um remédio para evitar a gravidez tem que tomá-lo corretamente, senão a gravidez acontece. O Billings é da mesma forma, ele tem as suas exigências que devem ser seguidas para que tenha uma eficácia alta.

Qual sua importância para a família?

A importância dos métodos naturais é grande, eles contribuem tanto no ser físico como no ser mental e psicológico da mulher. Com eles o casal fica muito mais unido, torna-se cúmplice um do outro. Eu costumo sempre dizer que esse método não é anticoncepcional, ele é um método de planejamento familiar – você opta se quer ter um filho nessa época ou não. Muitos casais que eu já atendi não conseguiam engravidar, eu ensinei o Método Billings para eles terem a facilidade de uma gravidez durante o período fértil, e houve essa gravidez. Então ele é um método de planejamento familiar, por isso é tão importante. Esse é um método da família e não um método apenas da mulher.

Para dúvidas e orientações sobre os métodos naturais você pode procurar o Centro de Planejamento Familiar (CENPLAFAM)

  • Pingback: Conheça o Método Billings | Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt()

  • Elthon Atum

    Ótima matéria. Se toda a orientação médica fosse assim, teriamos pessoas mais conscientes! Minha esposa e eu utilizamos o método Billings e conforme dito, feito corretamente funciona 100%. Parabéns à Dra. Leda pela bela evangelização e exercício da medicina.