A missão de educar: Uma paixão que se renova

30 de novembro de 2015

Congresso Mundial de Educação Católica.

congresso roma

Ir. Rosa Maria, à esquerda da foto

Karen Bueno – “Educar cristãmente não é só fazer uma catequese: esta é uma parte. Não é só fazer proselitismo — nunca façais proselitismo nas escolas, nunca! –. Educar cristãmente é levar por diante os jovens, as crianças nos valores humanos em todas as realidades, e uma destas realidades é a transcendência”.

O discurso do Papa Francisco aos participantes do Congresso Mundial de Educação Católica, realizado em Roma de 18 a 21 de novembro, acentua a importância de uma educação autêntica e coerente nas instituições de ensino. O Congresso, promovido pela Congregação para a Educação Católica, reúne religiosos e autoridades da Igreja, também diversos diretores e funcionários de instituições católicas do mundo todo que refletem sobre o tema “Educar hoje e amanhã. Uma paixão que se renova”.

Do Brasil, do Movimento Apostólico de Schoenstatt, participa desse encontro um grupo de sete funcionários do Colégio Mãe de Deus em Londrina/PR. A diretora, Ir. Rosa Maria Ruthes, explica que esse é um congresso de convergência entre os dirigentes da educação católica no mundo: “A educação mudou, o que vamos fazer? Essa é nossa preocupação. O Papa pediu que todas as instituições se unissem para ter uma linha de como conduzir a educação baseada nos valores do evangelho. Não queremos fazer proselitismo nas escolas, não queremos dar catequese, mas sim transmitir valores”.

Além de representantes do Colégio Mãe de Deus, outras instituições schoenstattianas de ensino de diversos países, que utilizam a pedagogia Kentenichiana como método educacional, também participam do congresso. Segundo Ir. Rosa Maria, elas têm muito a contribuir na formação de personalidades novas, críticas e coerentes. “Nossa pedagogia contribui especialmente no reconhecimento de valores – o que é certo, o que é errado. Eu sempre gosto de dizer que a Pedagogia de Schoenstatt é progressista, porque ela atua de dentro para fora, Schoenstatt é um caminho para o autodesenvolvimento, auto aprendizado e autoeducação, visando o sujeito”.

Cerca de 7.000 pessoas participam do encontro mundial, com várias palestras de especialistas no campo educacional; o ponto alto do congresso é o encontro com o Santo Padre no dia 21. Desse encontro Ir. Rosa Maria destaca três falas que mais lhe cativaram: “Precisamos ‘pensar com a cabeça’, ter uma cabeça aberta; também abrir o coração, acolher os alunos e fazer uma educação inclusiva – não elitizada, mas para todos; e por último ‘fazer com as mãos’, sempre baseando tudo em valores e no evangelho”.

O quadro atual da educação

A diretora do Colégio Mãe de Deus afirma que atualmente o aluno é visto como protagonista de sua formação e não apenas como receptor de conteúdo. Neste contexto, o papel do educador também é renovado: “Não podemos dizer que ele vai ensinar, mas que será um facilitador, aquele que facilita que aconteça a educação, isso baseado em valores. A educação não é só a parte científica ou aprender a ler, mas ela é obter o conhecimento, ter habilidade, ter atitude e transformar essa atitude em prática, esse é o grande desafio e penso que esse é o papel do professor na condução do aluno”.

Essa perspectiva vai de encontro às palavras do Papa Francisco aos congressistas: “Há três linguagens: da mente, do coração e das mãos. A educação deve mover-se nestes três caminhos. Ensinar a pensar, ajudar a ouvir bem e acompanhar no fazer, ou seja, que as três linguagens estejam em harmonia; que a criança, o jovem, pense aquilo que sente e faz, sinta aquilo que pensa e faz, e faça aquilo que pensa e sente. E deste modo, a educação torna-se inclusiva porque todos têm um lugar; inclusiva também humanamente”.

No final do Congresso Mundial o Santo Padre deixa um questionamento a todos os educadores católicos: “Mas refleti: neste ano da Misericórdia, misericórdia é apenas dar esmola, ou na educação, como posso eu fazer obras de misericórdia? Ou seja, são as obras do Amor do Pai. […] Como posso fazer para que este amor do Pai, que é ressaltado especialmente neste Ano da Misericórdia, chegue às nossas obras educativas?”. Descobrir as respostas, segundo ele, “é uma tarefa para fazer em casa, em comunidade”.

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