A misericórdia se faz missão em família

15 de fevereiro de 2016

Missões Familiares 2016: Londrina.

missoes familiaresAnaisa Cortez Verceze Carvalho – Ao iniciar o Ano da Misericórdia, logo vem ao pensamento: “MISSÕES”. Quando o Papa Francisco pede prontidão para as obras de misericórdia, o pensamento novamente guia: “MISSÕES”.

A Família de Schoenstatt de Ibiporã/PR já está acostumada com um Carnaval diferente, um Carnaval que envolve entrega e evangelização, e assim inicia os preparativos para sua 8ª Missão Familiar, realizada anualmente. Todos seguem tranquilos quanto à vontade de Deus, porém, nos primeiros contatos, uma sucessão de acontecimentos leva ao seguinte questionamento: “Será que no Ano da Misericórdia não haverá Missões Familiares?”.

Dentre as diversas dificuldades, uma esperança guia a comissão organizadora para uma região de Londrina/PR, nos bairros Santa Fé, Monte Cristo e Jardim Marabá, há apenas cinco quilômetros do centro da cidade. Muitas incertezas, dúvidas, inseguranças acompanham a preparação das Missões, mas Deus, que parece sussurrar aos ouvidos, fala alto e claro quando os corações estão abertos para acolher: essa região será a escolhida para receber as Missões Familiares 2016.

Dessa forma, reúnem-se 80 missionários vindos de Ibiporã, Londrina, Cornélio Procópio/PR, Itambaracá/PR, Uraí/PR, Maringá/PR e Caieiras/SP. Todos são enviados do Santuário Tabor Esmagadora da Serpente, em Londrina, com suas respectivas famílias de missão. Nessa ocasião ainda bate um aperto no peito, pois estariam em um bairro que é alvo de violência, drogas e muita pobreza. Perto dos olhos acompanhariam a falta de pão à mesa, falta de atenção aos filhos e logo ao alcance, no horizonte, prédios requintados, uma cidade que parece tão distante e diferente do bairro missionado.

Durante as missões, sem dúvida, cada missionário pode concretizar o amor misericordioso do Pai ao enfrentar a dura realidade dos moradores. Com o pequeno ato de entrar em suas casas, têm a oportunidade de saciar a fome e sede de carinho e atenção das famílias, dar consolo às mães que perderam seus filhos, dar esperança e força aos enfermos, abrigar no coração aqueles que se sentem sem teto, ter compaixão pelas famílias que têm parentes presos e vestir com o amor misericordioso de Deus, por meio da palavra, àqueles que precisam do perdão dele.

Essas missões são tão intensas que as obras de misericórdia corporais e espirituais são vividas e não apenas ensinadas. Como ato concreto, os missionários se empenham na revitalização de uma praça e de um parquinho ao lado da Creche onde estão abrigados – a Creche, no bairro Marabá, é cuidada pelas Irmãs de Maria de Schoenstatt. A população chega devagar, tímida, as crianças demonstrando o desejo de ficar perto dos missionários. No final da obra, uma praça que se mostrava sem vida, quase abandonada, fica repleta de moradores, sentindo-se empolgados e acolhidos em um bairro que é deles mesmo.

O gesto de acolher as pessoas, a transformação filial, são frutos de graças que cada missionário recebe pelas mãos de Maria. Ela, a grande Missionária, permite que 80 pequenos milagres interiores aconteçam, levando cada um a se abandonar nas mãos de Deus. Assim, os missionários se entregam de maneira integral nessas Missões Familiares. Ela realizou milagres, não apenas nos bairros de Santa Fé, Marabá e Monte Cristo, mas milagres interiores, pois cada missionário se sentiu ainda mais amado por Deus, escolhido por Ele.

Uma música muito cantada nas missões deste ano fala das maravilhas que Deus faz na pessoa que confia seu coração ao redentor. Assim os missionários pedem, antes de qualquer coisa, misericórdia a Ele, para que o pecado, o mundo, não os afaste de Deus. Dessas Missões todos saem com uma angústia, uma angústia que incentiva a ir além, sair do comodismo, sair de si, para que, assim como o espírito exulta de alegria em Deus, o Senhor, mais pessoas possam ir ao encontro dele e conhecer o verdadeiro amor, por meio do testemunho cotidiano.