A Aliança de Amor selada na Anunciação

25 de março de 2015

Uma resposta de amor que ecoa para sempre.

capa2Karen Bueno / Ir. M. Nilza P. da Silva – Na Aliança de Amor, damos um “sim” à Mãe de Deus, entregamos a ela nosso coração. Os materiais de preparação para a Aliança em Schoenstatt sempre enfocam que esta consagração à Maria está inserida em todo um contexto bíblico de alianças, desde a criação do mundo, com Adão e Eva, até o nascimento de Jesus, a Nova e Eterna Aliança. A história de Deus com a humanidade é uma história de Aliança. Também no momento da Anunciação do nascimento de Jesus, Deus sela uma Aliança com seu povo e é Maria que aceita e torna real essa consagração. Na Aliança de Maria com Deus está a sua escolha para gerar Jesus, Deus que se faz um de nós.

Nossa consagração em Schoenstatt é fruto do “sim” de Maria na hora da Anunciação. Por seu ser filial e ousado, ela assume a tarefa de trazer a salvação ao mundo. Nos planos divinos está que ela realize esta sua missão também a partir dos Santuários de Schoenstatt. Maria novamente repete o seu sim a Deus e faz dessa pequena capelinha um lugar de sua atuação, na medida em que outras pessoas repitam o seu sim à Aliança. Quando lhe entregamos o coração, damos, com ela, um “sim” ousado a Deus Pai e a Jesus. Ela aceita o nosso coração e nos oferece o seu, então temos a missão de nos educar, no mesmo espírito serviçal e humilde da hora da Anunciação. O “nada sem nós” está  no desafio de nos mantermos sempre nesse espírito, por isso Maria, do Santuário, educa a todos que se deixam conduzir por ela.

Promessas e exigências do “sim” de Maria

Na Aliança selada durante a Anunciação, há também promessas e exigências, uma mútua relação de responsabilidade entre Maria, a Serva, e Deus, o Pai misericordioso. Deus lhe promete que o Menino que irá conceber “será grande, será chamado Filho do Altíssimo” (Lc 1, 32). Por outro lado, Maria precisa depositar toda sua confiança no Senhor, já que para aceitar o pedido que lhe é feito, necessita de muita coragem e espírito livre.

O Evangelho não revela se Maria compreendeu bem toda a dimensão do pedido de Deus, ela faz apenas uma pergunta ao anjo – “Como acontecerá isso?”. A resposta do Anjo não lhe oferece muita clareza, diz apenas que Deus irá realizar a sua obra. Por meio de sua resposta, Maria deixa clara a plena confiança que deposita no Pai: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!”. Ela sabe que algo muito grande lhe é confiado e, por isso, tem medo – o anjo a saúda dizendo “Não temas Maria” – mesmo assim se mantém firme ante o pedido do Pai e seu “sim” ecoa até hoje.

Seu sim à Aliança ecoa por meio de nosso sim

Na Aliança de Amor que Maria sela com Deus, ela “eleva ao máximo as exigências sobre si mesma”. Na Apresentação de Jesus no templo, Simeão adianta o quão grande será seu sofrimento – “uma espada transpassará a tua alma” (Lc 2, 35). Mas, mesmo assim ela permanece firme, e cumpre “fiel e fidelissimamente” o plano de Deus para sua vida. Maria “toma a sério seus propósitos” e se santifica, fazendo o máximo que pode para colaborar na missão redentora de Cristo. Toda essa entrega da Mãe de Deus é marcada por uma zelosa vida de oração, o que lhe permite estar aberta ao atuar do Divino.

Maria é fiel à Aliança selada com Deus e da mesma forma é fiel à Aliança que sela conosco. Pela consagração em Schoenstatt, a Mãe Três Vezes Admirável faz algumas exigências, que muitas vezes pode parecer complicado de realizar. Mas ela, também como filha de Deus, como ser humano como nós, provou ser possível concretizar esses pedidos de amor. A Mãe não pede nada que não o tenha feito antes, ela dá um testemunho prático de como viver diariamente a Aliança de Amor, com suas promessas e exigências.

Os cristãos vivem hoje as graças do primeiro “sim” de Maria – depois desse, muitos outros “sins” vieram. No Santuário ela quer ensinar todos a também darem um “sim” de amor ao Pai, quer formar os filhos à sua imagem, para que deixem o Espírito Santo atuar em suas vidas.

Para viver a Aliança de Amor, o primeiro passo é olhar para a Mãe, ver seus traços, compreender sua missão, depois, pela autoeducação, deixar que ela se desenhe nos corações, nos rostos, na alma. Ela o faz na medida em que nos empenhamos para aplicar o nosso “sim” a Aliança, nas pequenas coisas da vida diária. Cada pequeno ou grande acontecimento é também uma hora de anunciação em nossa vida, na qual Deus espera o nosso “sim” para que a redenção do mundo continue a acontecer.