A Aliança de Amor nos forma à imagem de Cristo

6 de agosto de 2015

Um homem novo, que livremente se entrega por amor.

capaKaren Bueno / Ir. M. Nilza P. da Silva – Formar personalidades que sejam o ‘rosto de Cristo’ para a humanidade é um dos objetivos da Mãe de Deus, ao selar a Aliança de Amor  e se estabelecer no Santuário de Schoenstatt: “Temos diante dos olhos a nova personalidade, para que surjam homens novos, livres e fortes aqui na terra, que nas alegrias e dificuldades procedem como Cristo. O homem novo deve estar intimamente unido a Cristo[1]”, diz o Pe. Kentenich.

O Fundador de Schoenstatt aponta que cada cristão precisa se tornar uma imagem de Jesus, tanto nas alegrias como nas dificuldades. Isso requer um desprendimento total de si, ser um homem livre, que tem o “ouvido no coração de Deus”. A liberdade plena se concretiza em decidir-se de própria vontade a fazer aquilo que Deus pede e realizar isso. Ele é um Pai que ama sem limites e sabe o que é melhor para cada um. É nisso que se baseia a espiritualidade e a pedagogia de Schoenstatt.

Ser imagem de Cristo como o foi Maria

Para que cada um se torne a imagem de Cristo, o Pai indica uma grande Educadora. Maria forma os filhos, pela Aliança de Amor, para que se tornem um “novo Cristo”. Ela cuidou da educação do Menino Jesus desde a infância, ensinou os primeiros passos, a falar, a rezar, a ser família, e ao mesmo tempo, em humildade, deixou-se educar por ele.

A Mãe de Deus educa cada um pessoalmente, da mesma forma que educou seu Filho. Contudo, é preciso abertura, deixar-se moldar pelas mãos da Mãe e Rainha. Quando rezamos a oração do Rumo ao Céu, “torna-nos semelhantes a tua imagem”, pedimos que se faça Maria em nós e, desta forma, que também sejamos um reflexo de Cristo.

Pe. Kentenich afirma que Maria é a imagem feminina de Cristo, o ser humano que conviveu de maneira mais íntima com Jesus – desde a concepção até a morte – e que nessa vinculação profunda foi se assemelhando a ele. “Por ser o grande modelo da semelhança com Cristo, a Mãe Esposa é para nós a verdadeira imagem (da nova criatura humana). Nossa liberdade deve consistir na maior semelhança possível com Cristo, mas sempre segundo o exemplo da querida Mãe de Deus[2]”.

Sacrifício por amor

Assemelhar-se a Cristo significa também viver como ele, dar testemunho de seu grande amor sacrifical. “Pela incorporação em Cristo, participamos da vida de Jesus sofredor: ‘Senhor, queres morrer de novo…’ O Cristo místico continua seu sofrimento em nós. ‘… manifesta-te outra vez ao mundo…’ Pela Inscriptio (Aliança de Amor vivida sem reservas, abraçando livremente a cruz e o sofrimento), nós nos entregamos totalmente a ele e alcançamos assim cada vez mais a semelhança com Cristo. É assim que ele quer manifestar-se de novo ao mundo[3]”, afirma o Pe. Kentenich.

Assumir a missão do Senhor é experimentar suas alegrias e vitórias, mas também ajudá-lo a carregar a cruz, aceitando as “lascas de cruz” que o Pai nos envia, isto é, colaborar na renovação do mundo. A Aliança de Amor, quando vivida na profundidade, pede um grande amor sacrifical, capaz de não somente aceitar o sofrimento, mas também pedi-lo ao Pai, caso isso esteja em seu plano.  Se o Pai previu, em seu amor, enviar cruzes e sofrimentos, ele envia também as graças para carregá-los. Portanto, a Aliança de Amor ajuda a sofrer por amor, para o bem da humanidade.

Esse amor se revela nos filhos

O espírito sacrifical, por amor a Jesus, é cultivado com heroísmo em Schoenstatt. Na vida dos herois revela-se a profunda entrega ao Senhor, comprovada por atos. Pe. Karl Leisner tem na frase “Cristo, tu és minha paixão” seu ideal pessoal; ele ofereceu todos os sacrifícios como prisioneiro no campo de concentração e as dificuldades pela doença para colaborar no sofrimento de Jesus.

Também o Diác. João Luiz Pozzobon oferecia muitas contribuições ao Capital de Graças – caminhava o dia todo, muitas vezes sem refeições, e ofertava uma infinidade de outros presentes de amor. Ele conta: “Sempre quando andava para fora, assim nos campos, caminhando, eu sempre tinha esse espírito do grande sacrifício de Cristo, que carregava a cruz e fez aquilo pelo amor de todos… Então, da minha pequena parte, também queria me incluir, também cooperar um pouco no sacrifício[4]”.

Ir. M. Emilie Engel é uma heroína de Schoenstatt que abraçou com filialidade as lascas de cruz que Deus Pai lhe enviava no dia-a-dia. Seu “Ita Pater” (Sim Pai) foi vivido de maneira tão intensa, que mesmo sofrendo com tuberculose, mantinha o sorriso terno de filha bem amada. No hospital que ficou internada, queria ser um conforto para os outros doentes. Também as Irmãs de Maria – uma comunidade recém-fundada – a tinham como referência. Mesmo doente, ela cuidava de outras Irmãs enfermas, ensinando-as a aceitar por amor toda cruz que o Pai envia. É seu testemunho: “A partir de hoje, quero ver e amar conscientemente esta cruz como minha partilha e minha herança[5]”.

Muito outros herois entregaram a vida por amor ao Pai, oferecendo seus sacrifícios por meio da Aliança de Amor. Francisco Ziober, José Engling, Mario Hiriart, enfim, uma série de nomes são exemplos de pessoas que se deixaram moldar por Maria à imagem de Jesus. O Tabor, experimentado e vivido na Aliança de Amor, abriu seus corações como filhos do Pai, semelhantes a Cristo, que sofreram com alegria e amor.

Ser o rosto de Cristo

A Bíblia não descreve como é o rosto de Jesus, que cor são seus olhos, se era alto, magro, a cor de seus cabelos. Contudo, olhando as linhas dos Evangelhos, descobrimos o coração de Jesus. Ali está a chave para ser um novo Cristo. Cada um que sela a Aliança de Amor, entrega seu coração à Maria, para que ela o assemelhe ao coração de seu Filho Divino, molde em nós a sua imagem, pois o modo de ser reflete o que há no coração.

Pelas mãos de Maria, a Mãe e Rainha de Schoenstatt, a partir do Santuário, muitos corações podem ser educados, formando homens novos, livres, autênticos. Esses são os herois do novo século.

Referências

[1] Tabor nossa Missão, Pe. José Kentenich, pag. 47
[2] Tabor nossa Missão, Pe. José Kentenich, pag. 47
[3]Tabor nossa Missão, Pe. José Kentenich, pag. 47
[4] 140.000 Km a caminho com a Virgem, Pe. Esteban J. Uriburu, pag 60
[5] Meu sim é para sempre, Margareta Wolff, pag 169