80 anos de Schoenstatt no Brasil e na América

10 de junho de 2015

10 de junho de 2015: dia de gratidão.

irmas pioneirasKaren Bueno/Ir. M. Jacinta Donati – Um pequeno grupo e um vasto continente a ser desbravado: esse é o começo da história do Movimento Apostólico de Schoenstatt no Brasil e na América. No dia 10 de junho de 1935 as primeiras 12 Irmãs de Maria de Schoenstatt, enviadas pelo Pai e Fundador, desembarcam no porto de Santos/SP trazendo um imenso mundo dentro de si que deveria ser apresentado ao novo continente.

Há 80 anos começa o primeiro capítulo da história de Schoenstatt na América, cujo desenrolar mostra a grandeza da Mãe e Rainha e a universalidade da Obra do Pe. José Kentenich. Em 1929, Pe. Erasmo Raabe, pallottino, conta numa passagem por Schoenstatt sobre a experiência missionária que experimentou no Brasil. Mais tarde, em janeiro de 1935, escreve uma carta ao Pe. José Kentenich pedindo que envie as Irmãs de Maria para a missão no Brasil. O Pai e Fundador lhe responde logo e, entre outras coisas, escreve: “Além do mais, alegro-me de coração que as Irmãs possam ajudá-lo no além-mar na construção de um mundo novo. Eu creio que elas, em virtude de sua instituição e sua essência, certamente possuem a capacidade de colaborar com sucesso na tarefa comum”.

O coração missionário do Fundador se alegra muito com este pedido, mas ele não dá logo uma resposta, pois tem de considerar ainda diversas coisas. Em março de 1935, resolve aceitar o pedido do Pe. Raabe, o que, naturalmente, é uma grande ousadia. A comunidade das Irmãs de Maria é ainda muito nova, tem apenas nove anos de existência e não apresenta uma estrutura interna quanto à parte jurídica.

O chamado da Mãe Três Vezes Admirável faz-se ouvir sempre mais concretamente, e em 1º de abril de 1935 forma-se o primeiro grupo que viria à América trazendo a mensagem da Aliança de Amor. Ir. M. Emanuele Seyfried relata:

“O Pai e Fundador mostrou-nos a importância da MTA e nos levou, lentamente, à compreensão da grande importância de nossa missão no Brasil e para o Brasil. Numa dessas meditações, ele nos disse: ‘Quando uma coisa se torna difícil, eu a dou para a Mãe de Deus. Isto agora deve tornar-se realidade. Agora, preciso aprender a solucionar as dificuldades com a palavra mágica: MATER HABEBIT CURAM!’
Assim o Fundador despertou em nós um grande amor à missão e firme vontade de sacrificar tudo para a MTA, para que ela pudesse conquistar novas terras no Brasil. Nossa fé prática na Providência expressava-se no MHC. Esta fé era profundamente mariana. A Mãe cuidará de tudo, se nós enchermos o Capital de Graças com as nossas contribuições. Por isso, por muito tempo, o Capital de Graças esteve no primeiro plano, em nossa aspiração. Estávamos bem conscientes de que o fundamento de Schoenstatt no Brasil seria o Capital de Graças. E nós, como geração fundadora, devíamos enchê-lo. O Senhor Padre sempre nos dizia: Onde se começa algo novo para Schoenstatt, sempre se começa pelo Capital de Graças. E nós, brasileiras, devíamos fundá-lo para o Brasil.
O Pai e Fundador nos ensinou e aconselhou que fôssemos, muitas vezes, ao Santuário e falássemos com a Mãe, estreitando assim nossas relações pessoais com a querida Mãe e Rainha de Schoenstatt, e nos incutiu, assim, a Aliança de Amor. No Santuário, encontraríamos nosso lar e a fonte de graças para a nossa missão”.

Arrumar as malas e partir

A correria para preparar a viagem é intensa e as Irmãs procuram aproveitar o máximo que podem o ambiente do Santuário Original. No dia 12 de maio acontece a solenidade de envio das missionárias, ocasião em que o Fundador lhes diz: “Queremos ser semente da MTA. Semear é algo de grande, mas talvez seja maior ainda: lançar-se a si mesmo como semente, semente dum novo mundo. O mundo deve tornar-se, mais e mais, Schoenstatt. Este há de ser o sentido de nossa aspiração e de nossas lutas aqui na terra”.

No dia 17 de maio de 1935 as 12 Irmãs pioneiras embarcam no navio General San Martin rumo ao Brasil: “Um último aperto de mão talvez, uma lágrima e foi retirada a ponte. Nós, doze apostolas do Brasil, estávamos sozinhas, com silenciosa nostalgia, mas também com um vigoroso espírito de conquista. Lenta, bem lentamente, afastou-se da terra firme. Um derradeiro oceano até não vermos mais nada. Porém, sabemos por qual motivo assumimos tudo isso”, contam na crônica.

O primeiro lugar em que o navio ancora é na Bahia: “Aos poucos, começamos de novo a arrumar as nossas coisas, porque a nossa meta se aproximava. Quando o navio ancorou na Bahia, já vimos terras muito belas e nos alegramos com a expectativa das belezas que nos esperavam no Rio de Janeiro. […] Nos últimos dias, viajamos ao longo da costa brasileira. O navio balançava muito e isto custou sacrifícios para todas. Apesar de continuar a maresia, a alegria não nos deixou. Ao ancorarmos em Pernambuco, tivemos um sentimento singular, pois nos conscientizamos de que já estávamos em terra brasileira”.

As missionárias fazem uma parada no Rio de Janeiro/RJ e se surpreendem com as paisagens que encontram. Ir. M. Norberta Schulte conta: “Quando finalmente o navio ancorou, a 8 de junho, no Rio de Janeiro/RJ, arrumamo-nos para fazer um passeio. Pe. Winold que estava no porto, cuidou de uma boa condução pela cidade. Duas beneditinas nos receberam e nos hospedaram muito amavelmente em seu colégio e nos mostraram coisas maravilhosas da cidade. Num alto monte, vê-se de todos os lados uma enorme estatua de Cristo, que estende os braços protetores sobre o pais. Que belo! Durante muito tempo ficamos paradas a beira mar e não nos cansávamos de contemplar as belezas deste mar”.

Em terra firme, terra brasileira

jacarezinho

Às 7 horas de segunda-feira, 10 de junho, um dia depois de Pentecostes, as Irmãs aportam em Santos/SP. Ir. M. Norberta continua: “Esta parada em Santos foi, para todas nós, uma aventura muito divertida. Nós conhecíamos apenas alguns vocábulos em português e, como é obvio, houve muitos risos de ambas as partes. Tal coisa se precisa experimentar. Reunimo-nos num grande ônibus, lotado com 12 padres e 12 irmãs, e fomos para São Paulo/SP. Cada qual tinha muito a contar a respeito dos últimos acontecimentos. Em breve, porém, não pensamos mais no que passou, pois a bela natureza nos cativou inteiramente. Subimos mais e mais por entre matas maravilhosas, parecendo quase mata virgem e, lá em baixo, a admirável planície e o mar. Foi um prazer que se modificou, quando chegamos às alturas. A estrada era mais macia e fomos embaladas de um lado a outro. Mais ainda havia muito para ver de ambos os lados”.

Em São Paulo/SP, as pioneiras pegam um trem rumo ao interior, para a cidade de Ourinhos/SP e de lá são levadas para seu primeiro lar em terra brasileira, o município de Jacarezinho/PR.

É dali, do interior do Paraná, que Schoenstatt se expande por todo Brasil, ganhando força com as visitas do Pai e Fundador pelo continente. As primeiras Irmãs relatam: “Ao desembarcarmos em Santos/SP, no dia 10 de junho, estávamos cheias de fé e consciência de missão e achávamos que o mundo precisava de nós, que o Brasil precisava de nós. Trazíamos Schoenstatt para o Brasil! E agora deparamo-nos com a realidade da vida. Vimos que não podíamos realizar depressa nossos planos e nossa missão. Tivemos de passar por um longo caminho de duras lutas. Os primeiros anos estiveram sob a divisa: Capital de Graças e Mater habebit curam. As lutas se apresentavam com toda a dureza, o clima, a língua nova, saudade do Santuário, de Schoenstatt. A semente foi mesmo lançada na terra e parecia morrer. Experimentamos a impotência do instrumento humano, mas não desanimamos, não deixamos de lado o nosso ideal. A palavra magica nos ergueu sempre de novo, e a responsabilidade pela fundação do Capital de Graças para o segundo Schoenstatt no Brasil não nos deixou esmorecer”.

É por meio dessas jovens Irmãs inexperientes e com formação religiosa inacabada que Schoenstatt cruza o Oceano Atlântico e chega à América. O que levam? O Pai e Fundador orienta: “Levem a cruz e o Santuário. (…) Mater Habebit Curam”. Elas são fiéis instrumentos, que cumprem com ousadia a missão que lhes é confiada, mesmo com suas limitações e debilidades. Hoje as mesmas palavras do Fundador continuam a ecoar, pedindo a cada um para “lançar-se a si mesmo como semente, semente dum novo mundo. O mundo deve tornar-se, mais e mais, Schoenstatt”. Quais são os “continentes” que ainda precisam ser desbravados? O Pai conta conosco, com nossa ousadia e, principalmente, com nosso amor.

  • Maria Angelica S. Rigoto F.

    Que alegria para todos nós a chegada das Irmãs de Maria. A Mãe já estava escrevendo a história de cada um de nós e da Família. Nossa gratidão a Divina Providência para sempre.

  • padre francisco josé

    Abençoado dia em que estas Irmãs de Maria chegaram e espalharam as glórias de Maria por nossa terra já querida pela Mãe. Deus seja louvado pela coragem destas Irmãs, desprendimento de sua pátria para aqui fazer um Tabor das Glórias de Maria. Trazer para cá o cheiro de Schoenstatt e o desejo do Pai Fundador de fazer desta país um Tabor! Deus seja louvado e a Mãe continua cuidando de tudo e muito bem.