60 anos de matrimônio e uma vida pela Campanha

13 de maio de 2016

“Sem ele eu não sou nada e ele sem mim também não é nada”.

casalKaren Bueno – Construir uma história de vida a dois, um matrimônio de 60 anos, pode parecer conto de ficção na geração do descartável. Mas, para muitos, esse é um caminho feliz e concreto. Neste dia de Nossa Senhora de Fátima, um casal surge para contar como a família, o sacramento do Matrimônio pode permanecer sólido quando bem fundamentado, especialmente quando alicerçado no Santuário da Mãe e Rainha.

Neste dia 13 de maio, Carolina e Francisco Coutinho, de São José dos Campos/SP, compartilham um pouco do que aprenderam nas seis décadas de união. Com cinco filhos e uma bagagem apostólica imensa, sentados à sombra do Santuário, têm histórias sem fim para contar. Aliás, eles explicam porque visitam a Mãe e Rainha nesta ocasião tão simbólica: “Nós viemos agradecer à Mãe nesses 60 anos, porque ela, como Mãe, nos acompanhou. A Mãe está presente em todas as datas da nossa vida”.

Um convite, uma missão

O casal recebe um convite bem especial em 1988, que transformaria suas vidas: “Uma Irmã nos convidou para sermos zeladores de uma imagem da Mãe Peregrina”. Sr. Francisco, nessa época, ia todos os dias à missa, mas nunca tinha se envolvido com trabalhos pastorais. Ele ficou bem receoso com o convite, mas, aos poucos, naturalmente, foi aceitando. “Deus nos uniu e ele nos escolheu; o Espírito Santo soprou e nós aceitamos o convite com o coração aberto à vontade de Deus”, conta Carolina. “E, graças a Deus, foi um convite excelente”, diz Francisco.

O casal, por anos, realizou um trabalho fecundo pela Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt (CMPS) na cidade e na Diocese de São José, sempre vinculados ao Secretariado e ao Bispo, estruturando e organizando a Campanha.

Quando um sim é, de fato, um sim

“Uma coisa que me marcou muito, desde o início, foi a importância do Capital de Graças, de oferecer tudo. Guardo sempre a mensagem de uma das primeiras reuniões que participamos, que dizia: seja o seu sim um sim e o seu não um não”, recorda Carolina. E o ‘sim’ do casal de fato foi um ‘sim’ total para a missão, eles se lançaram, de corpo e alma, a serviço da Campanha.

“A Mãe Peregrina fez deles apóstolos”, comenta Ir. M. Celita Rossato, a primeira assessora que os acompanhou. O esforço dos dois alcançou muitas regiões da cidade, incluindo as periferias. Eles iam ao encontro dos coordenadores, eram a ponte entre o Secretariado, a Diocese e os missionários em seus campos apostólicos. Sr. Francisco ajudava bastante na área administrativa, anotando tudo em seu ‘caderninho’. Carolina, com o lado maternal, se empenhava pelo relacionamento fecundo com todos. Dessa forma, cada um colocando seus dons a serviço, alcançaram ricos frutos para a missão da Mãe de Deus.

Um segredo: o Santuário Lar

Betânia é a missão dele, do Santuário Lar da família Coutinho. A explicação é simples: “É onde se encontram os amigos de Jesus”. Muitas reuniões de coordenadores foram realizadas ali, com pessoas queridas para a família: “A bondade de Deus reuniu um grupo muito bom [de coordenadores]. Nós íamos a cada três meses no Santuário, levávamos o material e fazíamos uma reunião na nossa casa para entregar esse material”.

O Santuário Lar é o combustível para vida familiar e um grande apoio para chegar aos 60 anos de matrimônio. É também ali que o casal, hoje com idade avançada, segue com a vida apostólica: “Agora que nós não podemos fazer muitas coisas práticas, eu estou ali, todos os dias, intercedendo no meu Santuário Lar, oferecendo minhas contribuições ao Capital de Graças por todos os coordenadores e missionários da Mãe Peregrina, pelas famílias”, diz a esposa.

Que sejam um modelo

“Quando a gente se casa, o sacerdote diz que seremos uma só carne. Digo sempre para ele que eu sinto isso hoje, porque sem ele eu não sou nada e ele sem mim também não é nada. O apego, o cuidado com as doenças, traz isso”, conta a Sra. Carolina. O ingrediente principal para o matrimônio sadio e para a vida ideal, eles apontam em uma frase: “Colocar Deus no centro de tudo!”.

Questionados sobre o que têm a dizer para os jovens casais hoje, depois de seis décadas de união, eles respondem: “O casamento é uma entrega de doação, de amor. É preciso procurar viver com um cedendo uma coisa, outro cedendo outra, um aceitando os limites e dificuldades do outro, sempre revezando. Paciência… Se tiver um pouquinho de paciência, a gente vive bem até o final”.

“Cada cônjuge é para o outro sinal e instrumento da proximidade do Senhor, que não nos deixa sozinhos: ‘Eu estarei sempre convosco, até ao fim dos tempos’ (Mt 28, 20)”, Papa Francisco (Amoris Laetitia, 319).